Condenação de Gladson Cameli reconfigura disputa pelo governo e senado no Acre
Decisão do STJ que condenou o ex-governante reestrutura o cenário eleitoral no Acre sob a gestão de Mailza Assis e aliança com o MDB.

A cena política do Acre passa por uma de suas mais profundas transformações estruturais em 2026. O epicentro dessa reorganização foi a decisão unânime da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ocorrida em maio de 2026, que condenou o ex-governador Gladson Cameli (Progressistas) a 25 anos e nove meses de prisão em regime inicial fechado. A sentença, que abrange crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, não apenas inviabilizou as pretensões eleitorais de Cameli, mas redefiniu por completo as chapas majoritárias que disputarão o Governo do Estado e o Senado Federal em outubro.
Antes do revés jurídico, Gladson Cameli havia renunciado formalmente ao comando do Palácio Rio Branco em 2 de abril de 2026. O movimento cumpria o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para viabilizar sua pré-candidatura ao Senado Federal. Na ocasião, o ex-governador pretendia consolidar sua liderança regional projetando uma vaga no Congresso Nacional, abrindo caminho para que sua vice, Mailza Assis (PP), assumisse em definitivo a chefia do Poder Executivo estadual. No entanto, a condenação subsequente no STJ, que determinou inclusive a perda de cargo público e a imediata inelegibilidade do político, sepultou seus planos de disputar o pleito de 2026, gerando um vácuo de poder na centro-direita e obrigando os partidos aliados a redesenharem suas táticas às pressas.
A Ascensão de Mailza Assis e a Nova Arquitetura de Alianças
Com a saída definitiva de Gladson Cameli dos palanques, Mailza Assis assumiu o protagonismo político do estado. Ao se consolidar na cadeira de governadora, Mailza passou a liderar as discussões para sua própria candidatura à reeleição em outubro de 2026. A nova chefe do Executivo acreano rapidamente buscou blindar sua administração de respingos do processo judicial de seu antecessor, acelerando entregas de obras públicas e buscando a pacificação da base aliada na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).
O presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior (PP), desempenhou papel crucial na transição de poder, garantindo estabilidade parlamentar e articulando o apoio do legislativo às medidas econômicas propostas pela nova gestão de Mailza. A estratégia central do Progressistas e da governadora tem sido apresentar uma imagem de continuidade administrativa, porém desvinculada dos escândalos de corrupção que culminaram na condenação de Cameli.
A principal jogada política de Mailza Assis para fortalecer seu projeto de reeleição ocorreu em julho de 2026, com a oficialização do apoio do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O acordo resultou na indicação da ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) como pré-candidata a vice-governadora na chapa governista. A união entre PP e MDB cria uma robusta estrutura partidária para a campanha majoritária, unindo a força da máquina estadual com a capilaridade eleitoral de Jéssica Sales, figura com forte apelo eleitoral no interior do estado, especialmente na região do Vale do Juruá.
Fragmentação do MDB e os Desafios de Oposição
Apesar do anúncio oficial do MDB em apoiar a governadora Mailza Assis, a aliança provocou rachaduras internas na legenda. O diretório do MDB no Acre tem enfrentado divergências públicas, com correntes internas que defendiam candidatura própria ao governo ou alianças com blocos de oposição. Críticos da aliança apontam que a legenda poderia ter maior protagonismo se mantivesse distância do grupo político desgastado pelas denúncias que envolveram a gestão de Gladson Cameli.
Enquanto a base aliada se reagrupa em torno de Mailza Assis e Jéssica Sales, partidos de oposição buscam capitalizar o desgaste ético do grupo governista. O debate eleitoral na Aleac tem sido pautado por questionamentos sobre a fiscalização dos contratos públicos e a necessidade de moralização da administração estadual. A oposição projeta candidaturas competitivas tanto para o Governo do Estado quanto para as vagas do Senado que estão em disputa, prometendo polarizar o debate sobre ética e eficiência na gestão do orçamento público acreano.
À medida que o calendário eleitoral avança para as convenções partidárias de agosto de 2026, o Acre se vê diante de um cenário inédito. Sem a liderança de Gladson Cameli nas urnas, o eleitorado acreano definirá se manterá o projeto liderado pelo Progressistas, agora sob a condução de Mailza Assis e do MDB de Jéssica Sales, ou se optará por uma mudança de rumos na política regional. A transição de poder no Palácio Rio Branco e os desdobramentos judiciais do caso Cameli continuarão a ditar o ritmo dos debates no estado até o dia da votação.
Fonte: G1 Acre / Superior Tribunal de Justiça
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