Polícia Civil apreende 700 kg de skunk e arsenal na Comunidade do Tupé
Operação do Denarc apreende 700 kg de skunk e quatro armas de fogo em depósito clandestino na Comunidade do Tupé, em Manaus; dois suspeitos morreram.

Introdução
Uma das maiores ofensivas contra o narcotráfico fluvial na Região Metropolitana de Manaus desferiu um duro golpe financeiro nas facções criminosas que operam na Amazônia Ocidental. No dia 21 de julho de 2026, com andamento de investigações, pesagens de drogas, laudos balísticos e procedimentos cartoriais estendendo-se até este domingo, 26 de julho de 2026, a Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM), por meio do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), coordenou uma grande apreensão na Comunidade do Tupé, zona rural ribeirinha de Manaus. A ação tática resultou na apreensão de cerca de 700 quilos de maconha do tipo skunk (supermaconha de laboratório), quatro armas de fogo de diversos calibres, farta munição e embarcações. Durante a incursão tática na floresta, ocorreu um intenso confronto armado que culminou no óbito de dois suspeitos que realizavam a guarda do paiol clandestino.
A Logística do Narcotráfico Fluvial no Amazonas e a Rota do Rio Negro
O estado do Amazonas, por fazer fronteira direta com a Colômbia e o Peru — dois dos maiores produtores de insumos de cocaína e maconha do mundo —, possui um papel geopolítico complexo e desafiador para o controle de segurança pública nacional. A vasta bacia hidrográfica amazônica, composta pelos rios Solimões, Negro, Purus e Amazonas, atua como a principal artéria para o escoamento de cargas de entorpecentes trazidas em barcos de madeira de fundo duplo, balsas de carga camufladas e lanchas rápidas ("voadeiras") equipadas com potentes motores de popa.
A maconha do tipo skunk, cultivada em estufas hidropônicas de alta tecnologia em território colombiano, é altamente valorizada no mercado brasileiro por possuir uma concentração de tetrahidrocanabinol (THC) até dez vezes superior à maconha convencional. Para escoar esse material, as facções criminosas estabelecem depósitos clandestinos na vegetação nativa das margens do Rio Negro. A Comunidade do Tupé, uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) localizada a cerca de 25 quilômetros a oeste de Manaus, acessível apenas por via fluvial, vinha sendo explorada de forma oculta como uma base de "resfriamento" — ponto onde grandes carregamentos vindos da fronteira são divididos em frações menores antes de abastecerem os centros de distribuição urbanos da capital amazonense ou seguirem em contêineres de exportação para outras regiões do país e Europa.
A Incursão Tática, o Confronto Armado e o Saldo da Operação no Tupé
A operação do Denarc foi desencadeada após semanas de monitoramento tático e coleta de dados de inteligência sobre o tráfego atípico de embarcações de alta potência nas proximidades da praia do Tupé durante a madrugada. Equipes do Denarc e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil embarcaram em lanchas blindadas rápidas no porto de Manaus e deslocaram-se pelo Rio Negro sob o manto da escuridão.
Ao desembarcarem em uma clareira na beira do rio na Comunidade do Tupé, as equipes táticas iniciaram a progressão a pé pela mata fechada em direção ao depósito clandestino mapeado. Próximo a um galpão de madeira camuflado por folhagens, os policiais civis foram recebidos por disparos de armas de fogo efetuados pelos seguranças do carregamento. Diante da agressão armada, os operadores do CORE revidaram proporcionalmente, alvejando fatalmente dois suspeitos armados. Os socorristas da própria equipe constataram os óbitos no local, sendo acionados posteriormente o Instituto Médico Legal (IML) e a perícia técnica da polícia científica.
Durante a varredura nas dependências do galpão de madeira e nas proximidades do rio, as equipes da PC-AM localizaram e apreenderam:
- Aproximadamente 700 quilos de skunk embalados a vácuo em fardos impermeáveis.
- 02 pistolas semiautomáticas calibre 9mm de fabricação estrangeira.
- 01 espingarda calibre 12 tática com cartuchos deflagrados e intactos.
- 01 revólver calibre .38 Special.
- 02 embarcações de alumínio com motores de popa de alta performance.
- Insumos para embalar drogas e balanças digitais de precisão.
Toda a droga e os armamentos foram catalogados, carregados em embarcações de apoio e transportados sob forte escolta armada até a sede do Denarc, em Manaus, onde o procedimento investigativo foi formalizado. A droga apreendida está avaliada preliminarmente em R$ 10,5 milhões de prejuízo direto ao crime organizado.
Desdobramentos da Investigação, Políticas Públicas e Conclusão
O inquérito policial instaurado pelo Denarc da Polícia Civil do Estado do Amazonas buscará identificar o proprietário das embarcações e as chaves pix e contas laranjas utilizadas para custear o depósito na Reserva do Tupé. As armas apreendidas passarão por perícia microbalística para verificar se foram utilizadas em execuções recentes registradas na capital.
Em coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas destacou a determinação governamental de tolerância zero contra a atuação de facções nas calhas dos rios amazônicos. O Governo do Estado do Amazonas ressaltou que as ações integradas em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e o reforço das bases de policiamento fluvial e portuário (Bases Arpão 1 e 2) reduziram as rotas logísticas de escoamento e sufocaram financeiramente as facções criminosas.
O Comando de Policiamento Metropolitano orientou que moradores de comunidades ribeirinhas continuem colaborando com informações através do Disque-Denúncia 181, ajudando a identificar movimentações estranhas nas praias e igarapés para manter as reservas de preservação livres da influência do crime organizado.
Tabela de Dados Consolidados da Operação no Tupé (Manaus/AM)
A tabela abaixo compila os dados quantitativos da ação de segurança no Amazonas:
| Indicador Técnico | Especificação Factual Registrada da Ocorrência |
|---|---|
| Operação Policial | Operação Denarc Comunidade do Tupé |
| Força Executora | Denarc e CORE da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) |
| Local do Fato | Comunidade do Tupé, Rio Negro, Manaus/AM |
| Data da Ocorrência | Final de semana (21-26 de julho de 2026) |
| Saldo de Confronto | 02 suspeitos armados neutralizados pelas equipes de elite |
| Drogas Apreendidas | Cerca de 700 kg de skunk embalados a vácuo |
| Arsenal Confiscado | 02 pistolas 9mm, 01 espingarda calibre 12 e 01 revólver .38 |
| Embarcações Retiradas | 02 lanchas de alumínio com motor de alta potência |
| Valor Estimado | Prejuízo de R$ 10,5 milhões para a facção criminosa |
Conclusão
A expressiva apreensão de 700 kg de skunk na Comunidade do Tupé demonstra a eficiência operacional das forças especiais da Polícia Civil do Amazonas no combate qualificado ao narcotráfico fluvial. A neutralização de paióis rurais e depósitos ribeirinhos de drogas de alta pureza impede que armamentos e capitais ilícitos cheguem aos bairros de Manaus, promovendo maior segurança pública e preservação ambiental para as comunidades tradicionais da Amazônia. A integração contínua de inteligência e o policiamento fluvial ativo continuarão a blindar os rios do Amazonas contra as redes criminosas internacionais.
Fonte: Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM)
Redação Foco do Estado
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