Clécio Luís e Dr. Furlan polarizam a corrida pelo Governo do Amapá em 2026
A filiação do governador Clécio Luís ao União Brasil e o fortalecimento do prefeito Dr. Furlan desenham um cenário de disputa acirrada no Amapá.

A corrida sucessória para o Governo do Estado do Amapá em 2026 consolidou um cenário de forte polarização que redefine as forças políticas no extremo norte do país. A disputa pelo Palácio do Setentrião tem como protagonistas o atual governador Clécio Luís, que oficializou sua filiação ao partido União Brasil no início do ano, e o atual prefeito de Macapá, Dr. Furlan, consolidado na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O embate direto entre essas duas lideranças testa a força das máquinas públicas estadual e municipal, além de colocar em lados opostos grupos políticos de peso nacional.
A mudança partidária de Clécio Luís para o União Brasil em 2026 fez parte de um movimento estratégico desenhado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado e principal fiador político do governador. Sob a influência de Alcolumbre, Clécio Luís consolidou uma ampla frente governista, aglutinando partidos de centro e de esquerda em torno de seu projeto de reeleição. A estratégia da gestão estadual tem focado na aceleração de entregas na área de infraestrutura urbana e na realização de concursos públicos de grande porte para as áreas de segurança pública (Polícia Civil), educação e saúde, buscando reverter os índices de desgaste natural do mandato.
O Fenômeno Eleitoral de Dr. Furlan e a Oposição Capilarizada
Contrabalançando o peso da máquina estadual e o apoio de Davi Alcolumbre, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan, consolidou-se como o principal nome de oposição no Amapá. Conhecido por sua intensa presença nas redes sociais e por um ritmo agressivo de entregas de obras de pavimentação e revitalização na capital, Furlan tem liderado as pesquisas de intenção de voto realizadas no primeiro semestre de 2026 no estado. Sua filiação ao MDB deu ao prefeito a musculatura partidária e o tempo de televisão necessários para viabilizar um projeto de âmbito estadual, expandindo sua influência para além dos limites de Macapá e alcançando municípios populosos do interior, como Santana e Laranjal do Jari.
A pré-campanha de Furlan baseia-se nas críticas à gestão de saúde e segurança pública do atual governo, prometendo replicar o modelo de zeladoria urbana e agilidade administrativa de sua prefeitura em todo o estado. Esse crescimento de Dr. Furlan nas pesquisas de opinião colocou a base aliada do governador Clécio Luís em alerta, provocando um rearranjo nas estratégias de comunicação governamentais e acirrando os debates na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap).
A Disputa pelo Senado e as Forças Federais no Jogo
A eleição majoritária amapaense ganha ainda mais complexidade com as disputas pelas duas vagas ao Senado Federal. As cadeiras, atualmente ocupadas por Randolfe Rodrigues (PT) e Lucas Barreto (PSD), representam posições estratégicas de poder no Congresso Nacional. Randolfe Rodrigues, atuando como o principal interlocutor do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no parlamento, busca renovar seu mandato apostando em sua influência em Brasília e na atração de verbas federais para o Amapá.
No entanto, a corrida ao Senado divide atenções e votos da chapa majoritária. As convenções partidárias marcadas para o período de julho e agosto de 2026 devem selar as alianças definitivas. O grupo governista tenta costurar uma chapa única que acomode os interesses do PT de Randolfe e do União Brasil de Alcolumbre, enquanto o MDB de Dr. Furlan tenta articular candidaturas alternativas ao Senado que possam canalizar o sentimento de mudança do eleitorado insatisfeito com os rumos da política estadual.
Com a proximidade do primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, a disputa no Amapá desponta como uma das mais dinâmicas do país. O eleitorado amapaense definirá se chancela a continuidade do projeto de Clécio Luís sob a égide do União Brasil e de Davi Alcolumbre, ou se dará uma oportunidade ao projeto de expansão estadual liderado por Dr. Furlan e pelo MDB, reconfigurando os polos de poder no norte brasileiro.
Fonte: G1 Amapá / Diário do Amapá
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