Renato Casagrande renuncia para o Senado e Ricardo Ferraço assume o Governo do ES
Com a transição planejada, Ricardo Ferraço assume a chefia do Executivo capixaba e desponta como pré-candidato frente a Lorenzo Pazolini.

O Espírito Santo consolidou em 2026 um processo de transição política amplamente planejado e consensual que dita os rumos da sucessão estadual. No início de abril de 2026, cumprindo o prazo legal para desincompatibilização eleitoral, o governador Renato Casagrande (PSB) renunciou ao comando do Poder Executivo estadual. O movimento abriu caminho para que o então vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), assumisse em definitivo a cadeira de governador do estado no dia 2 de abril de 2026, com o objetivo de dar continuidade administrativa à gestão e capitanear o grupo governista nas urnas em outubro.
A transição de Casagrande para Ferraço foi desenhada minuciosamente nos meses que antecederam o prazo eleitoral. Como vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão anterior, Ricardo Ferraço já desempenhava um papel central na condução de políticas públicas estruturantes, o que garantiu estabilidade administrativa e fiscal ao estado durante a troca de comando. O novo governador assumiu o cargo reafirmando o compromisso de manter o equilíbrio das contas públicas, o grau de investimento conquistado pelo Espírito Santo junto a agências de classificação de risco e o andamento do robusto pacote de obras de infraestrutura logística e saneamento em execução nos municípios capixabas.
O Novo Cenário Eleitoral: Ferraço na Defesa do Legado e o Fator Pazolini
Com a posse definitiva de Ricardo Ferraço no cargo de governador, o MDB e partidos aliados unificaram o discurso em torno de sua pré-candidatura para a eleição governamental de outubro de 2026. Ferraço apresenta-se como a garantia de continuidade do modelo administrativo implementado por Renato Casagrande, que concorre de forma competitiva a uma das duas vagas ao Senado Federal pelo PSB. A chapa governista busca aliar a popularidade de Casagrande na disputa senatorial à solidez econômica representada pela figura de Ferraço no Executivo.
A oposição ao projeto governista, contudo, estruturou-se de forma competitiva à direita. O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), desponta como o principal desafiante ao Palácio Anchieta. Pazolini consolidou-se como líder de oposição explorando discursos focados em segurança pública e eficiência na gestão urbana, capitalizando o apoio de setores conservadores e de partidos da centro-direita insatisfeitos com a hegemonia do grupo liderado pelo PSB e MDB no estado. A polarização entre Ferraço e Pazolini promete centralizar os debates eleitorais, especialmente nas grandes cidades da Região Metropolitana da Grande Vitória.
Articulações na ALES e o Peso das Alianças Municipais
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) tem sido o termômetro das movimentações pré-eleitorais. A governabilidade de Ricardo Ferraço nos primeiros meses de mandato foi garantida por meio de um diálogo contínuo com os parlamentares capixabas, o que permitiu a aprovação de matérias orçamentárias estratégicas e a manutenção de alianças municipais. O arco de apoio que sustenta o governo estadual tenta consolidar uma chapa proporcional forte, buscando neutralizar o crescimento de partidos de oposição que tentam surfar na onda de polarização nacionalizada.
O período de convenções partidárias, previsto para estender-se até o início de agosto de 2026, selará o desenho das chapas definitivas e das candidaturas ao Senado, onde Renato Casagrande concorre buscando manter sua relevância política no cenário nacional. O eleitorado capixaba definirá em outubro se valida o modelo administrativo de Ricardo Ferraço, mantendo o grupo governista no poder, ou se optará pelo projeto de alternância política defendido por Lorenzo Pazolini e o bloco de oposição.
Fonte: A Gazeta / Folha Vitória
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