Carlos Brandão decide concluir mandato e racha com Felipe Camarão reconfigura o Maranhão
A decisão do governador Carlos Brandão de não renunciar impede posse do vice Felipe Camarão e lança Orleans Brandão na disputa de 2026.

O tabuleiro político do Maranhão em 2026 foi reconfigurado por uma decisão de alta voltagem estratégica que alterou os planos de sucessão no Palácio dos Leões. O governador Carlos Brandão (PSB) confirmou sua permanência na chefia do Poder Executivo estadual até 31 de dezembro de 2026, abdicando de concorrer ao Senado Federal nas eleições de outubro. A decisão de não se desincompatibilizar do cargo dentro do prazo legal, encerrado no início de abril, encerrou meses de especulações e impôs uma nova dinâmica nas alianças da base governista maranhense.
A escolha de Carlos Brandão de permanecer na cadeira governamental foi motivada por um profundo racha político com seu vice-governador, Felipe Camarão (PT). Caso Brandão renunciasse para disputar o Senado, Camarão assumiria automaticamente o comando do estado, obtendo o controle da máquina pública estadual para pavimentar sua própria pré-candidatura ao Governo do Maranhão. O rompimento de bastidores e as divergências públicas sobre a condução administrativa e a divisão de cargos no secretariado levaram Brandão a optar por reter o controle do Executivo para impedir que o grupo político adversário de Camarão utilizasse a estrutura governamental na campanha eleitoral.
A Ascensão de Orleans Brandão e a Divisão da Base
Com Felipe Camarão isolado na vice-governadoria e impossibilitado de assumir o comando emergencial do estado, o governador Carlos Brandão passou a articular ativamente um novo nome para a sua sucessão. O grupo liderado pelo governador passou a apoiar a pré-candidatura de seu sobrinho e secretário extraordinário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB). A indicação de Orleans visa garantir a continuidade do projeto político de Brandão e consolidar a influência de seu grupo familiar nos municípios maranhenses.
No entanto, essa divisão provocou fraturas significativas na base partidária que sustentava a coalizão governista desde o período de Flávio Dino no governo. O Partido dos Trabalhadores (PT) e lideranças aliadas a Felipe Camarão mantiveram a pré-candidatura do vice-governador ao Palácio dos Leões, prometendo disputar o apoio do eleitorado de esquerda e dos movimentos sociais maranhenses. A disputa paralela entre Orleans Brandão e Felipe Camarão obriga os prefeitos do interior do estado a realizarem escolhas delicadas, dividindo palanques que antes eram unificados.
Repercussões na ALEMA e a Disputa pelo Senado
A Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) tem sido o palco principal dos embates decorrentes dessa reconfiguração política. Parlamentares dividem-se entre a lealdade ao governador Carlos Brandão, detentor das canetas orçamentárias, e os compromissos de longo prazo com o bloco de esquerda liderado pelo PT e pelo vice-governador Felipe Camarão. O debate parlamentar tem sido marcado por discussões sobre a liberação de recursos para emendas parlamentares e a aprovação de convênios municipais, vitais para a reeleição de prefeitos aliados em outubro.
Paralelamente, a desistência de Carlos Brandão de concorrer ao Senado abriu espaço para que outras lideranças do estado reivindiquem as duas vagas em disputa no Congresso Nacional. A corrida senatorial no Maranhão atrai o interesse de ex-governadores e deputados federais de peso, que buscam preencher o espaço deixado pelo recuo do atual governador.
À medida que se aproximam as convenções partidárias de agosto de 2026, o Maranhão ingressa em um período de intensa articulação. O eleitorado maranhense definirá nas urnas em 4 de outubro se validará a estratégia de continuidade familiar representada por Orleans Brandão sob o patrocínio de Carlos Brandão, ou se optará pelo projeto liderado pelo vice-governante Felipe Camarão, redefinindo as forças de poder na política estadual.
Fonte: Imirante / G1 Maranhão
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