Governo de MS e Imasul Intensificam Monitoramento de Bacias Hidrográficas do Pantanal no Período de Estiagem
Rede de sensores telemétricos e patrulhamento ambiental acompanham vazão dos rios Paraguai, Miranda e Taquari em Corumbá.


O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por intermédio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), intensificou na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, as operações de fiscalização ambiental e monitoramento telemétrico das bacias hidrográficas que formam o bioma Pantanal. Com a consolidação do pico do período seco de inverno na região centro-norte do estado, equipes técnicas e fiscais ambientais utilizam sensores automáticos de nível de água, drones de infravermelho e imagens de satélite de alta resolução para acompanhar a vazão das águas nos rios Paraguai, Miranda, Taquari, Aquidauana e Negro.
A iniciativa integra o Plano Estadual de Mitigação da Estiagem e Prevenção aos Incêndios Florestais no Pantanal, estruturado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O monitoramento contínuo dos recursos hídricos permite prever com antecedência áreas de maior vulnerabilidade hídrica, orientando a navegação de embarcações de transporte de cargas e insumos pela calha do Rio Paraguai a partir do porto de Corumbá e Ladário.
De acordo com o boletim hidrológico emitido pelos engenheiros do Imasul, a gestão preventiva e o controle rigoroso sobre captações de água para irrigação têm garantido a manutenção dos níveis mínimos de vazão ecológica necessários para a sobrevivência da rica biodiversidade de peixes, mamíferos e aves pantaneiras.
Tecnologia na Proteção Ambiental e Combate a Queimadas
A rede de monitoramento telemétrico do Imasul emite dados a cada 15 minutos sobre a régua fluviométrica do Rio Paraguai em Corumbá, alimentando a Sala de Situação de Recursos Hídricos do Estado. Os dados de umidade de solo e velocidade dos videntes são compartilhados em tempo real com as brigadas do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) e com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama).
Além do acompanhamento hidrológico, as equipes da Polícia Militar Ambiental (PMA) realizam patrulhamentos embarcados contínuos para coibir a pesca predatória no período que antecede a piracema, o desmatamento ilegal em áreas de preservação permanente (APP) e o uso não autorizado do fogo em pastagens nativas.
| Indicador de Monitoramento Pantanal | Situação Operacional 2026 | Ferramentas Tecnológicas Aplicadas |
|---|---|---|
| Nível do Rio Paraguai (Corumbá) | Monitoramento telemétrico contínuo | Sensores automáticos e satélite |
| Estações Fluviométricas | 42 estações ativas em MS | Telemetria com transmissão via satélite |
| Fiscalização de Captação de Água | 100% de conformidade com outorgas | Vistorias com drones e fiscalização PMA |
| Tempo de Resposta a Incêndios | Redução de 35% no tempo de acionamento | Integração Imasul e Corpo de Bombeiros |
Ecologia de Várzea e Recuperação de Nascentes no Planalto
O equilíbrio hidrológico do Pantanal depende diretamente da conservação das nascentes situadas no Planalto da Bacia do Rio Paraguai (conhecido como Serra da Bodoquena e Chapadão de São Gabriel). O programa estadual Manancial Vivo concede pagamentos por serviços ambientais (PSA) aos produtores rurais que mantêm as nascentes e matas ciliares cercadas e protegidas contra o pisoteio de gado bovino.
Essas ações de conservação no alto curso dos rios asseguram a recarga contínua dos lençóis freáticos e evitam o assoreamento dos leitos fluviais no Pantanal baixo. A integração entre ciência, investimento público e produtores rurais estabelece um modelo de governança ambiental reconhecido internacionalmente pela UNESCO.
Pesquisa Científica e Parceria com Embrapa Pantanal
O monitoramento ambiental de Mato Grosso do Sul conta com a chancela científica dos pesquisadores da Embrapa Pantanal. Estudos de campo em andamento avaliam a capacidade de regeneração da flora nativa de carandazais e paratudais após episódios de seca prolongada.
A combinação entre o saber tradicional dos peões pantaneiros e as técnicas de sensoriamento remoto permite desenhar mapas de risco de incêndio de alta precisão, orientando a queima prescrita controlada nas áreas de aceiros autorizados antes do início do período crítico de estiagem.
Educação Ambiental e Turismo Responsável
O Imasul promove oficinas de educação ambiental direcionadas aos condutores de turismo ecológico e piloteiros de barcos-hotel em Corumbá. A conscientização dos visitantes sobre a proibição do descarte de resíduos sólidos nos rios e o respeito à fauna pantaneira preserva os ecossistemas aquáticos.
O turismo sustentável consolida-se como um pilar econômico viável para a região, demonstrando que a conservação da natureza gera empregos diretos para a população pantaneira.
Desenvolvimento Sustentável e a Lei do Pantanal
A atuação ambiental do Governo de MS respaldar-se na rígida aplicação da Lei do Pantanal (Lei Estadual nº 6.160), legislação pioneira sancionada para regulamentar o uso sustentável do solo, a conservação da vegetação nativa e a restrição ao plantio de culturas intensivas de grande escala na planície pantaneira. O equilíbrio entre a pecuária extensiva tradicional e a preservação rigorosa do bioma é apontado por pesquisadores da Embrapa Pantanal como a chave para a sustentabilidade da região.
O apoio a projetos de ecoturismo e observação de vida silvestre em Corumbá e Miranda gera renda complementar às comunidades ribeirinhas e reforça o valor econômico da conservação da natureza em Mato Grosso do Sul.
Ações de Campo Durante Setembro em Corumbá
As equipes ambientais permanecem mobilizadas em regime de plantão no Pantanal sul-mato-grossense.
- Operação contínua de embarcações fiscais ao longo da calha do Rio Paraguai.
- Monitoramento de focos de calor com sobrevoos de aeronaves de reconhecimento.
- Orientação a produtores rurais sobre a proibição do uso de fogo no período seco.
- Manutenção preventiva das réguas telemétricas de medição fluviométrica.
- Instalação de bebedouros de emergência para a fauna nativa em parques estaduais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como funciona a rede de sensores telemétricos utilizada pelo Imasul para monitorar os rios do Pantanal em MS? A rede de monitoramento telemétrico do Imasul é composta por 42 estações hidrometeorológicas automatizadas distribuídas estrategicamente pelas bacias hidrográficas do Pantanal em Mato Grosso do Sul. Cada estação possui sensores submersos e meteorológicos que medem a cada 15 minutos o nível do rio, a vazão de água, a temperatura ambiente e a umidade do ar. Essas informações são transmitidas via satélite diretamente para a Sala de Situação do Imasul em Campo Grande, permitindo análises preditivas em tempo real sobre a disponibilidade hídrica e os riscos de seca extrema.
Qual é a importância da Lei do Pantanal para a preservação dos recursos hídricos e da fauna no estado? A Lei do Pantanal (Lei Estadual nº 6.160) estabelece normas claras e cientificamente embasadas para proteger a maior planície alagável do planeta. A legislação proíbe o cultivo de grãos em escala intensiva nas áreas alagáveis, limita o desmatamento da vegetação nativa a percentuais rigorosos, protege as formações vegetais de mata ciliar e proíbe a alteração dos cursos naturais dos rios pantaneiros. Essa proteção legal garante a preservação do habitat da fauna silvestre e assegura que os peixes encontrem condições adequadas de reprodução e alimentação.
Como o monitoramento do nível do Rio Paraguai impacta a navegação de transporte de cargas e a economia regional? O nível do Rio Paraguai em Corumbá determina o calado máximo autorizado para a navegação de comboios de barcaças que transportam minério de ferro, minério de manganês e grãos em direção ao Rio da Prata. O monitoramento preciso feito pelo Imasul fornece dados fundamentais para que as empresas de navegação e as autoridades portuárias planejem o peso das cargas sem risco de encalhe nos bancos de areia, garantindo a segurança da navegação fluvial e a continuidade das exportações de Mato Grosso do Sul durante o período de estiagem.
Fonte: Foco do Estado MS
Redação Foco do Estado
Repórter
💬 Fale com a Redação
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal? Envie fotos, vídeos e informações direto para nossos jornalistas no WhatsApp.
Leia também
Fim do Vazio Sanitário em MS Autoriza Início do Plantio da Safra de Soja 2026/2027
15 de setembro de 2026
📰 EspeciaisEspecial: Preservação de Corredores de Buritis e Matas Ciliares no Pantanal de MS
13 de setembro de 2026
🌾 AgroFim do Vazio Sanitário Mobiliza Produtores para Início do Plantio da Soja em MS
13 de setembro de 2026
🌾 AgroCorpo de Bombeiros de MS e Brigadas do Pantanal Intensificam Monitoramento Preventivo de Queimadas em Corumbá
06 de setembro de 2026