Bonito e Pantanal Registram Alta no Ecoturismo com Ações de Preservação e Monitoramento de Águas
Proteção ambiental reforça atratividade das bacias hidrográficas e consolida Mato Grosso do Sul como referência mundial em turismo sustentável.

Os destinos de ecoturismo de Mato Grosso do Sul iniciam o segundo semestre com números expressivos de fluxo de visitantes, alta na taxa de ocupação hoteleira e avanço consolidador em programas de conservação ambiental e desenvolvimento regional sustentável. Bonito, reconhecido mundialmente como a capital do ecoturismo brasileiro, e a vasta planície do Pantanal sul-mato-grossense reafirmam sua posição como modelo internacional de gestão integrada entre atividade turística de alto valor agregado e preservação rigorosa da biodiversidade.
De acordo com o balanço estatístico oficial publicado pela Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), em ação conjunta com o Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) e a Secretaria Municipal de Turismo de Bonito, a movimentação de turistas nos municípios da Serra da Bodoquena (que inclui Bonito, Jardim e Bodoquena) registrou crescimento sustentado. O aquecimento é impulsionado tanto pelo turismo doméstico vindo dos grandes centros urbanos do país quanto pela chegada contínua de viajantes internacionais atraídos pela observação de fauna silvestre e turismo de aventura.
O Mistério da Cristalinidade e o Monitoramento Hídrico das Bacias
Um dos maiores diferenciais que posicionam Bonito e Jardim na vanguarda do ecoturismo planetário é a transparência cristalina extraordinária de rios como o Rio Formoso, o Rio Sucuri, o Rio da Prata e o Rio Peixe. O fenômeno decorre da composição geológica da Serra da Bodoquena, rica em rochas calcárias (carbonato de cálcio). À medida que a água da chuva infiltra no solo calcário, o bicarbonato de cálcio dissolvido atua como um coagulante natural, fazendo com que qualquer partícula de sujeira ou argila decante no fundo do leito rodado de calcário, resultando em visibilidade subaquática que supera dezenas de metros.
Para garantir que a ação humana e o avanço da agricultura vizinha não comprometam essa fragilidade ambiental, o Governo do Estado, via Imasul e Ministério Público Estadual (Promotoria de Justiça do Meio Ambiente), executa um plano diretor de conservação hídrica:
- Obrigação do Manejo Conservacionista do Solo: Propriedades rurais agrícolas localizadas nas bacias dos rios Formoso e da Prata são obrigadas a implantar terraceamento em curvas de nível de alta precisão, bacias de captação de águas pluviais e caixas de retenção ao longo das estradas vicinais. Essa engenharia agronômica impede que a enxurrada das chuvas carregue sedimentos de terra vermelha para a calha dos rios cristalinos.
- Recuperação e Monitoramento de Matas Ciliares: Programas de restauração florestal obrigatória garantem a recomposição da vegetação nativa nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo das margens fluviais, criando barreiras físicas naturais e corredores ecológicos para a fauna local.
- Rede Automática de Monitoramento de Turbidez: Instalação de sensores telemétricos ao longo dos rios que enviam dados em tempo real ao Imasul. Caso os índices de turbidez ultrapassem os limites permitidos, alertas automáticos são emitidos para fiscalização imediata no terreno.
O Sistema de Voucher Único: Referência Global de Carga de Suporte
A sustentabilidade do turismo em Bonito repousa sobre um instrumento pioneiro de gestão pública e privada: o Sistema de Voucher Único. Instituído por lei municipal e gerido em parceria com o trade turístico, o sistema digital centraliza a comercialização de todos os passeios ecológicos da região (como a Gruta do Lago Azul, Abismo Anhumas, Buraco das Araras e flutuações).
Cada atrativo turístico possui um estudo de impacto ambiental atualizado que determina a sua capacidade de suporte — ou seja, o número máximo de visitantes permitido por grupo, o intervalo em minutos entre cada descida e o limite diário total. O Voucher Único impede o excesso de lotação, previne o pisoteamento de trilhas e a degradação de formações de estalactites, garante a segurança dos turistas e assegura o recolhimento correto de tributos municipais e seguros de acidentes pessoais.
Pantanal: Safári Fotográfico, Transição de Estação e Biodiversidade
Na planície pantaneira, nos municípios de Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho, o ritmo do ecoturismo é regido pelo ciclo das águas. Na fase de transição para a vazante, os campos pantaneiros secam gradualmente, concentrando a fauna silvestre ao redor dos corixos, lagoas e baías.
Essa dinâmica transforma a região em um dos melhores destinos do mundo para o safári fotográfico e a observação de aves (birdwatching). Passeios fluviais pelo Rio Paraguai, Rio Miranda e Rio Aquidauana, além de percursos em veículos 4x4 abertos, proporcionam avistamentos frequentes da onça-pintada, de grupos de capivaras, antas, cervos-do-pantanal, araras-azuis e do emblemático tuiuiú.
O programa MS Carbono Neutro 2030 impulsiona a sustentabilidade na hotelaria pantaneira. Pousadas e barcos-hotéis têm substituído geradores a diesel por usinas solares fotovoltaicas com bancos de baterias, além de adotarem biodigestores de esgoto e sistemas de filtragem biológica que impedem o lançamento de efluentes sem tratamento nas águas do Pantanal.
Formação Profissional, Gastronomia Regional e Economia Local
O dinamismo do setor de turismo reflete-se na geração de renda descentralizada. Parcerias entre a Fundtur-MS, o Sebrae-MS, o Senac e as prefeituras locais promovem a capacitação contínua de jovens das comunidades locais para atuar como condutores ambientais credenciados, guias de turismo bilíngues, gestores de pousadas e especialistas em gastronomia pantaneira — que valoriza ingredientes locais como o peixe pintado, a traíra, o guavira, o bocaiúva e o carneiro de comissaria.
As projeções do setor para os próximos trimestres indicam manutenção do crescimento no fluxo de passageiros no Aeroporto Regional de Bonito (BYO) — que conta com voos diretos de grandes hubs nacionais — e no Aeroporto Internacional de Campo Grande (CGR), consolidando Mato Grosso do Sul como o destino ecológico por excelência do continente americano.
Fonte: Fundação de Turismo de MS (Fundtur) / Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) / Prefeitura de Bonito
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Redação Foco do Estado
Repórter
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