Uma operação de extrema complexidade técnica mobilizou mergulhadores e militares do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) na manhã deste sábado, 7 de novembro de 2026, nas margens do Rio Ivinhema. Com o auxílio de duas escavadeiras hidráulicas de esteira e cabos de aço tracionados, as equipes de salvamento conseguiram retirar das águas a caminhonete Chevrolet S10 que se encontrava submersa a cerca de seis metros de profundidade, na divisa entre os municípios de Angélica e Nova Andradina, no Vale do Ivinhema.
O acidente que culminou na tragédia ocorreu no início da semana, quando o veículo, ocupado por um casal de moradores da região, acessou uma rampa de descida de barcos durante o período noturno e submergiu com rapidez no leito caudaloso do rio. A passageira, identificada como Estela Thomazetto, de 48 anos, teve seu corpo localizado e retirado pelos mergulhadores do Corpo de Bombeiros nos primeiros momentos das operações. Desde então, as buscas prosseguiam de maneira ininterrupta para encontrar o condutor do veículo, João Luiz dos Santos, de 56 anos, e viabilizar a remoção do automóvel do fundo do rio.
Estratégia de Içamento com Maquinário Pesado e Segurança dos Mergulhadores
A correnteza acentuada e a turbidez das águas do Rio Ivinhema impuseram obstáculos severos ao trabalho subaquático ao longo de toda a semana. Os mergulhadores do CBMMS enfrentavam visibilidade praticamente nula a seis metros de profundidade, dependendo do tato e de sinalizações por cabos-guia para inspecionar a cabine da caminhonete e passar as cintas de amarração reforçadas nos eixos e na estrutura do chassi.
Para viabilizar a retirada sem risco de rompimento dos cabos ou deslizamento de terra nas margens úmidas, foi montada uma força-tarefa logística que envolveu a cessão de maquinário pesado cedido por cooperativas agroindustriais e pelo poder público local. Duas escavadeiras hidráulicas de grande porte foram posicionadas em pontos sólidos do barranco. Com tração simultânea e controle milimétrico de força, o veículo foi gradativamente puxado até a superfície e colocado em área seca na margem para os procedimentos periciais da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Varredura Pericial e Continuidade das Buscas Pelo Condutor
Assim que o veículo emergiu completamente e a água acumulada no interior foi drenada, peritos do Núcleo Regional de Criminalística de Nova Andradina realizaram uma inspeção minuciosa na cabine e na caçamba da caminhonete. O objetivo imediato era verificar se o corpo de João Luiz dos Santos poderia ter ficado retido sob a estrutura do veículo ou preso a algum compartimento interno. A perícia constatou que o condutor não se encontrava no interior nem debaixo do chassi do automóvel.
Diante do resultado negativo na inspeção do veículo, o comando da operação de busca do CBMMS determinou a intensificação das varreduras em superfície ao longo da calha do Rio Ivinhema. Embarcações com motores de popa e equipes munidas de garateias e drones táticos de monitoramento aéreo estão percorrendo um raio de mais de trinta quilômetros rio abaixo, cobrindo bancos de areia, galhadas e remansos onde corpos costumam emergir após períodos prolongados de submersão.
| Dados da Operação Fluvial | Detalhamento Técnico das Ações | Entidades Integradas |
|---|---|---|
| Local do Incidente | Rio Ivinhema (rampa de atracação) | Divisa entre Angélica e Nova Andradina (MS) |
| Profundidade do Resgate | Aproximadamente 6 metros | Ponto de forte correnteza e baixa visibilidade |
| Equipamentos Empregados | 2 escavadeiras de esteira, cabos de aço | CBMMS e apoio de usinas sucroalcooleiras locais |
| Primeira Vítima Resgatada | Estela Thomazetto (48 anos) | Localizada no interior do veículo por mergulhadores |
| Vítima Sob Buscas | João Luiz dos Santos (56 anos) | Varreduras fluviais ativas em 30 km de extensão |
| Laudo Preliminar | Acidente de trânsito em acesso molhado | Ausência de sinais de violência externa |
| Destinação do Veículo | Pátio da Delegacia de Angélica | Perícia mecânica e liberação patrimonial |
Segurança em Portos Fluviais e Alertas aos Motoristas
O triste episódio no Rio Ivinhema acendeu um alerta entre as prefeituras da bacia hidrográfica do Rio Paraná sobre as condições de sinalização e proteção em portos de areia, rampas de pesca e acessos rurais às margens fluviais. O Governo de Mato Grosso do Sul e a Defesa Civil Estadual orientam que áreas de atracação e descida de embarcações contem com barreiras físicas retráteis, defensas reflexivas e iluminação pública reforçada, prevenindo que motoristas desavisados confundam o final de estradas de terra com vias transitáveis durante a noite.
As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros permanecem acampadas na região e informam que os trabalhos de navegação e busca de superfície continuarão até a localização do segundo ocupante da caminhonete. Familiares acompanham os trabalhos com apoio de assistentes sociais dos municípios vizinhos.
Protocolos de Segurança em Travessias e Mananciais de Mato Grosso do Sul
A bacia hidrográfica do Rio Ivinhema, uma das mais expressivas do Estado em volume de água e extensão de margens agricultáveis, requer cuidados permanentes por parte de pescadores, ribeirinhos e operadores de transportes terrestres. A Capitania Fluvial do Pantanal e o Governo de Mato Grosso do Sul mantêm recomendações estritas para portos de embarque e desembarque, determinando que todas as descidas devam dispor de cabos de contenção de emergência e calçamento de concreto com ranhuras antiderrapantes para assegurar aderência total dos pneus.
O Corpo de Bombeiros Militar reforça que, em situações acidentais de queda de veículo em ambiente aquático, a reação dos ocupantes nos primeiros trinta segundos é crucial para a sobrevivência. Especialistas em salvamento subaquático orientam que motoristas e passageiros devem tentar abrir as janelas imediatamente antes que o sistema elétrico entre em curto-circuito com a água, permitindo a saída pela janela antes que a pressão externa impeça a abertura mecânica das portas.
