Rio da Prata volta a secar sob a Ponte do Curê e acende alerta ambiental em Jardim
Estiagem severa interrompe o fluxo de água de importante atrativo ecológico de Mato Grosso do Sul.

Rio da Prata volta a secar sob a Ponte do Curê e acende alerta ambiental em Jardim
Introdução
No final de agosto de 2026, a persistência de um período severo de estiagem em Mato Grosso do Sul gerou imagens preocupantes em um dos principais polos de ecoturismo do estado. O Rio da Prata, famoso mundialmente por suas águas cristalinas e biodiversidade aquática, voltou a apresentar leito completamente seco no perímetro de Jardim. A interrupção total do fluxo hídrico foi constatada sob a histórica Ponte do Curê, na divisa com o município de Bonito.
Moradores locais e guias de turismo compartilharam registros do leito seco coberto de pedras expostas e terra rachada onde deveria correr água abundante. O fenômeno da seca temporária no Rio da Prata vem ocorrendo com frequência alarmante nos últimos anos de inverno no Centro-Oeste. O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) enviou equipes de biólogos para monitorar o impacto na fauna fluvial.
O sumiço das águas do rio atinge diretamente a economia regional, que tem no turismo ecológico de flutuação e observação de peixes sua base financeira. Hotéis, pousadas e receptivos locais operam com restrições e cancelamentos de reservas devido à suspensão de atividades de lazer aquático. Pesquisadores apontam que o desmatamento de matas ciliares e o uso de águas subterrâneas para irrigação agrícola intensificam a crise.
O Fenômeno de Sumidouro e os Impactos no Ecossistema Local
O sumiço das águas do Rio da Prata no trecho da Ponte do Curê é explicado geologicamente pela presença de formações rochosas de calcário (carste). A rocha calcária apresenta fendas e sumidouros naturais que absorvem o fluxo do rio para canais subterrâneos profundos em épocas de estiagem severa. O rio corre por debaixo da terra por alguns quilômetros antes de ressurgir na superfície em trechos mais baixos do relevo regional.
Contudo, a velocidade e a extensão do trecho seco na superfície aumentaram de forma atípica no ciclo climatológico de 2026. A fauna aquática, composta por dourados, piraputangas e cascudos, fica encurralada em poços profundos isolados de água residual ao longo do leito. A falta de oxigenação da água nesses poços acarreta a mortalidade em massa de espécimes, atraindo aves de rapina e jacarés.
As equipes de fiscalização do Imasul realizam o resgate preventivo de peixes de grande porte utilizando redes e os transferem para o canal principal do Rio Formoso. A degradação ambiental das nascentes localizadas em propriedades privadas de cultivo de soja agrava o assoreamento de terra. O acúmulo de sedimentos de argila bloqueia as fendas subterrâneas de ressurgência, retardando o retorno da água.
Desafios do Ecoturismo e Ações de Conservação de Bacia
O ecoturismo de Jardim e Bonito é reconhecido internacionalmente por adotar práticas rígidas de controle de capacidade de visitantes diários (vouchers digitais). A interrupção das flutuações no Recanto Ecológico Rio da Prata gera desemprego temporário de condutores de turismo autônomos. A associação de atrativos locais busca diversificar as opções de passeios para caminhadas em trilhas de mata de Cerrado seco.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Miranda discute a implementação de planos de reflorestamento obrigatório das margens do Prata. O programa "Nascentes do Pantanal" oferece incentivos financeiros a fazendeiros que preservarem áreas de preservação permanente (APP). A recuperação da cobertura vegetal nativa é considerada essencial para reter a água das chuvas de verão no lençol freático local.
O Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul acompanha as investigações criminais sobre barramentos de água ilegais em nascentes. Fiscais do Imasul utilizam drones termais para identificar drenagens artificiais não autorizadas em lavouras de grãos da região de Jardim. A aplicação de multas pesadas aos proprietários infratores busca coibir abusos que ameacem os recursos hídricos comuns de MS.
Previsão do Tempo e a Projeção de Retorno das Chuvas em Jardim
A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul mantém o alerta de baixa umidade do ar e risco elevado de incêndios em vegetação florestal. Os termômetros em Jardim e Bonito registram temperaturas máximas próximas de trinta e oito graus Celsius nas tardes de agosto. A ausência de frentes frias úmidas vindas do sul impede a formação de nuvens de chuva volumosa de alívio na comarca.
A projeção dos institutos de meteorologia aponta que o retorno regular de chuvas fortes só deve ocorrer a partir da segunda quinzena de outubro. Até lá, o Rio da Prata deve permanecer com trechos secos e sumidouros expostos ao tráfego de pedestres sobre o leito de pedras. A população local realiza campanhas de racionamento voluntário de água tratada para evitar desabastecimento urbano.
O portal Foco do Estado manterá a cobertura informativa sobre a situação ambiental e hídrica dos rios do ecoturismo de MS. A preservação do Rio da Prata é essencial para resguardar a integridade biológica do Pantanal sul-mato-grossense. A união entre ciência, comunidade e produção agropecuária sustentável é a única saída viável para garantir o futuro das águas cristalinas do estado.
Dados Técnicos do Monitoramento Hídrico do Rio da Prata
Abaixo, acompanhe os detalhes organizados e técnicos da situação ambiental do rio em Jardim:
| Parâmetro Técnico | Detalhes do Registro Oficial (Imasul / Defesa Civil) |
|---|---|
| Local Monitorado | Rio da Prata, Ponte do Curê - Rodovia MS-178 - Jardim - MS |
| Status do Fluxo | Interrupção total do fluxo de superfície; leito de pedras seco exposto |
| Causa Geológica | Fenômeno de sumidouro em formação rochosa de carste (calcário) |
| Impacto no Turismo | Suspensão temporária de atividades de flutuação e passeios ecológicos |
| Ações Emergenciais | Resgate de peixes encurralados e transferência para o Rio Formoso |
| Previsão de Chuva | Projeções indicam chuvas consistentes apenas em meados de Outubro |
| Fontes Oficiais | Imasul MS / CBH Miranda |
Perguntas Frequentes sobre a Ocorrência (FAQ)
O que causa o sumiço das águas do Rio da Prata sob a Ponte do Curê na estiagem?
O sumiço das águas é causado por características de relevo de carste de rocha calcária solúvel na bacia de Jardim. Em épocas de estiagem severa, a redução do volume de água faz com que o rio seja absorvido por fendas subterrâneas conhecidas como sumidouros. O rio continua correndo oculto por debaixo da terra e ressurge na superfície metros adiante em altitudes mais baixas. O desmatamento de matas ciliares e o acúmulo de poeira de terra reduzem a vazão das nascentes, agravando a seca.
Como a atividade de flutuação turística é afetada pela estiagem em Jardim e Bonito?
A atividade de flutuação é afetada diretamente com a suspensão dos passeios devido à ausência de profundidade de água navegável. A falta de fluxo hídrico expõe pedras afiadas e troncos que impedem a passagem dos turistas flutuantes com segurança. A turbidez da água restante nos poços isolados compromete a visibilidade de peixes e plantas aquáticas sob a água. Os atrativos realizam a devolução de ingressos e redirecionam os visitantes para trilhas e cachoeiras de MS.
Quais as multas e punições para fazendeiros que drenam nascentes de forma ilegal?
As punições envolvem multas administrativas pesadas aplicadas pelo Imasul, que podem ultrapassar R$ 50 mil de reais por hectare degradado. O proprietário responde criminalmente por crime contra o meio ambiente, com pena de detenção de um a três anos de prisão. A Justiça Federal determina a obrigação de reparação civil dos danos com plantio de mudas nativas. A inscrição estadual da fazenda e o acesso a financiamentos bancários de agronegócio são bloqueados em MS.
Cobertura em Vídeo do Fato Jornalístico
Abaixo, acompanhe a reportagem em vídeo registrada pelas equipes de jornalismo regional trazendo mais detalhes sobre a ocorrência:
Conclusão
A seca do Rio da Prata sob a Ponte do Curê em Jardim revela a gravidade da estiagem prolongada em Mato Grosso do Sul. O fenômeno de sumidouro calcário é agravado pelo assoreamento de nascentes em áreas privadas de agronegócio de grãos. O resgate de peixes pelo Imasul e o redirecionamento de turistas para trilhas secas evitam perdas imediatas na economia ecológica de Jardim. A recuperação das matas ciliares e a fiscalização de drenagens agrícolas ilegais são indispensáveis para garantir a preservação de um patrimônio natural e ecológico de MS.
Fonte: Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) / Defesa Civil Estadual
Roberto Almeida
Repórter
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