Exportações de carne enfrentam gargalos no fornecimento de 'Boi China' em MS
As indústrias frigoríficas instaladas em Mato Grosso do Sul, incluindo as plantas da JBS em Campo Grande e Ponta Porã, estão enfrentando gargalos no fornecimento do chamado 'Boi China' — animais jovens que cumprem as exigências específicas do principal parceiro comercial da carne bovina sul-mato-grossense.
De acordo com analistas do setor de proteína animal e relatos da Associação dos Criadores de MS (Acrissul), a oferta de bois gordos com até 30 meses de idade e dentes compatíveis com a exigência asiática tem se mostrado restrita neste início de inverno, gerando uma disputa acirrada entre as plantas exportadoras e elevando o prêmio pago pela arroba desse gado qualificado.
Regras rígidas e o limite de idade de 30 meses
A China exige que os animais destinados ao abate para exportação de carne fresca possuam, no momento do abate, no máximo 30 meses de idade. Essa comprovação é feita através da inspeção da arcada dentária dos bois (presença de no máximo quatro dentes incisivos permanentes) e por meio de documentação de trânsito animal (GTA) que comprove o ciclo de vida rápido do boi.
Com a estiagem que tradicionalmente seca os pastos nesta época do ano, o ganho de peso do gado a pasto desacelera. Para que o gado atinja o peso ideal de abate (cerca de 18 arrobas) dentro do limite de 30 meses, o pecuarista é obrigado a investir fortemente em engorda em confinamento ou semiconfinamento, sistemas que dependem do milho e do farelo de soja, insumos que registraram flutuações de preços nas últimas semanas.
Prêmio financeiro impulsiona investimentos na fazenda
Para compensar o custo de produção mais elevado e os investimentos em rastreabilidade individual (brincos e chips de identificação), a indústria oferece um ágio financeiro atrativo. A arroba do Boi China tem sido negociada com um acréscimo médio de R$ 10 a R$ 15 em relação ao boi gordo comum voltado ao abastecimento do mercado interno.
"Esse prêmio pago pelos frigoríficos é o que viabiliza o confinamento intensivo. O pecuarista que investe em genética e nutrição acelerada consegue colocar o boi no ponto de abate jovem, capturando essa margem superior de lucro", explicou o diretor técnico de uma grande consultoria agropecuária baseada em Dourados.
Diversificação de mercados e sustentabilidade
Enquanto os frigoríficos buscam contornar a escassez de matéria-prima selecionada negociando contratos de fornecimento antecipado de gado confinado com grandes grupos pecuaristas do estado, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Semadesc) estimula a abertura de novos mercados compradores.
O governo estadual apoia missões comerciais para habilitar mais plantas frigoríficas de MS a exportarem para mercados que pagam tão bem quanto a China, como Estados Unidos, União Europeia e os países árabes, diversificando os riscos comerciais do setor que é o principal pilar do PIB de exportação do agronegócio sul-mato-grossense.
Com informações da Acrissul e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
