O governo de Mato Grosso do Sul confirmou neste sábado, 26 de abril de 2026, a exoneração de Rudi Fiorese do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). A saída ocorre em meio à abertura de uma investigação formal pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre supostas irregularidades em contratos de manutenção viária — os chamados serviços de tapa-buracos — executados na capital, Campo Grande.
O Que Está Sendo Investigado
O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço especializado do MPMS, abriu procedimento investigatório para apurar possíveis fraudes sistemáticas em contratos de manutenção de vias urbanas firmados entre a prefeitura de Campo Grande e empresas prestadoras de serviço. A suspeita central é de que medições técnicas foram manipuladas, permitindo que a administração pública pagasse por obras que não foram executadas ou foram realizadas apenas parcialmente.
Segundo fontes ligadas à investigação, os contratos sob análise abrangem o período de 2018 a 2025, totalizando valores que podem ultrapassar centenas de milhões de reais em aditivos contratuais e ordens de serviço. O esquema teria envolvido servidores públicos ligados à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e empresários do setor de pavimentação.
"A exoneração é uma medida administrativa que visa garantir o andamento regular das apurações, sem qualquer interferência institucional", informou o governo do estado em nota oficial.
Quem É Rudi Fiorese
Rudi Fiorese é um nome conhecido na administração pública de Mato Grosso do Sul. Antes de assumir a direção da Agesul, ocupou cargos de relevância na estrutura municipal de Campo Grande, incluindo a Secretaria de Obras. Sua trajetória profissional está ligada à gestão de projetos de infraestrutura e manutenção viária — justamente a área que agora é alvo de investigação.
A exoneração não implica, por si só, em condenação ou reconhecimento de culpa. Fiorese tem o direito de apresentar sua defesa no âmbito do inquérito conduzido pelo MPMS e nos eventuais desdobramentos judiciais.
Como Funcionam os Contratos de Tapa-Buracos
Os contratos de tapa-buracos são instrumentos administrativos pelos quais a prefeitura contrata empresas especializadas para realizar reparos emergenciais e preventivos em vias urbanas danificadas. O serviço é considerado essencial para a manutenção da malha viária, a segurança do trânsito e a preservação dos veículos dos cidadãos.
O processo típico envolve:
- Identificação do problema — equipes técnicas mapeiam trechos com buracos e defeitos no pavimento
- Ordem de serviço — a prefeitura autoriza a empresa contratada a executar o reparo
- Execução — a empresa realiza o serviço de tapa-buraco com material asfáltico
- Medição e fiscalização — fiscais da prefeitura verificam a execução e medem a área reparada
- Pagamento — com base na medição aprovada, a empresa recebe o valor correspondente
A investigação do MPMS concentra-se na etapa de medição e fiscalização, onde teria ocorrido a manipulação dos dados para inflar os valores pagos às empresas.
| Etapa | Responsável | Suspeita |
|---|---|---|
| Identificação | Equipe técnica municipal | Sem irregularidade apontada |
| Ordem de serviço | Sisep | Em análise |
| Execução | Construtora contratada | Serviços parciais ou inexistentes |
| Medição | Fiscais da prefeitura | Manipulação de dados |
| Pagamento | Administração municipal | Pagamentos indevidos |
Impacto Para a População
A população de Campo Grande convive há anos com reclamações recorrentes sobre a qualidade das vias urbanas. Motoristas e motociclistas frequentemente relatam danos em veículos provocados por buracos que ressurgem pouco tempo após os reparos — um fenômeno que, segundo especialistas, pode indicar tanto problemas na qualidade do material utilizado quanto a execução incompleta dos serviços.
Se as suspeitas se confirmarem, o caso representará um dos maiores escândalos de corrupção na administração pública de Campo Grande nas últimas décadas, com reflexos diretos na qualidade da infraestrutura viária oferecida aos cidadãos.
Contexto Político
A exoneração de Fiorese ocorre em um momento político sensível para Mato Grosso do Sul. O governador Eduardo Riedel, que assumiu o compromisso de modernizar a gestão pública e combater a corrupção, vê a medida como um sinal de que o governo não tolerará irregularidades em sua estrutura administrativa.
A investigação do MPMS é independente e não está vinculada ao calendário político. No entanto, seus desdobramentos podem ter implicações significativas para a administração municipal de Campo Grande e para a credibilidade das políticas de infraestrutura do estado.
Próximos Passos
O Ministério Público de MS deve dar continuidade às diligências investigatórias nas próximas semanas. Entre as medidas esperadas estão:
- Análise documental dos contratos e medições realizadas entre 2018 e 2025
- Perícia técnica nos trechos onde os serviços foram registrados como executados
- Oitivas de servidores públicos e empresários envolvidos nos contratos
- Cooperação com o Tribunal de Contas do Estado para verificação de pagamentos
A Agesul informou que dará total colaboração com as investigações e que um novo diretor será nomeado nos próximos dias para garantir a continuidade dos projetos em andamento no estado.
Fontes e Referências
- Ministério Público de Mato Grosso do Sul (mpms.mp.br)
- Governo do Estado de MS (ms.gov.br)
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Agência de Notícias de MS (agenciadenoticias.ms.gov.br)
