Ex-deputado Neno Razuk é preso na Bolívia e entregue à Polícia Federal em Corumbá
Foragido da justiça brasileira sob acusação de liderar organização criminosa do jogo do bicho é capturado por autoridades bolivianas na fronteira.

Ex-deputado Neno Razuk é preso na Bolívia e entregue à Polícia Federal em Corumbá
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, amplamente conhecido nos bastidores políticos e policiais de Mato Grosso do Sul como "Neno Razuk", foi capturado no último domingo por forças de segurança do território boliviano. O político encontrava-se na condição de foragido da justiça brasileira desde meados de julho, quando teve sua prisão preventiva decretada sob a acusação formal de chefiar uma complexa organização criminosa voltada para a exploração ilegal do jogo do bicho. Após a detenção e a formalização dos trâmites diplomáticos na linha internacional de fronteira, ele foi escoltado por agentes federais e transferido sob forte aparato de segurança para a delegacia da Polícia Federal de Corumbá.
A prisão representa um marco significativo nas investigações sobre o avanço e a consolidação de monopólios de jogos de azar e lavagem de dinheiro no estado, crimes que vinham sendo combatidos de forma sistemática pelo Ministério Público de MS. Neno Razuk é membro de uma tradicional família política com forte atuação na região sul do estado, sendo filho do falecido ex-deputado estadual Roberto Razuk e da ex-prefeita de Dourados, Délia Razuk. De acordo com fontes policiais locais, o ex-deputado foi detido de forma discreta em uma residência de veraneio localizada em Puerto Quijarro, cidade fronteiriça que serve de abrigo recorrente para investigados brasileiros.
A custódia do preso foi repassada para as autoridades brasileiras na tarde deste domingo, exigindo uma operação tática de segurança na delegacia da PF de Corumbá para evitar tentativas de fuga ou manifestações hostis de apoiadores do bando. O ex-deputado vestia roupas civis informais e estava algemado durante a condução realizada por dois investigadores federais experientes, que realizaram o exame de integridade física exigido antes da detenção carcerária. A Polícia Federal confirmou que o ex-parlamentar permanecerá recolhido em cela especial devido à sua prerrogativa de ex-parlamentar, aguardando a manifestação formal da Vara Criminal de Campo Grande para a sua transferência de avião para a capital do estado nas próximas horas.
A Ação da Polícia Nacional Boliviana e a Transferência na Linha Internacional
A captura do ex-deputado Neno Razuk foi efetuada por agentes de elite pertencentes à Polícia Nacional da Bolívia, que agiram em cooperação internacional de segurança com a Interpol e a representação diplomática brasileira. Os investigadores estrangeiros monitoravam os endereços vinculados à rede de apoio logístico de Razuk na região de Santa Cruz após receberem dados precisos do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública de MS. Os agentes bolivianos realizaram o cerco tático no imóvel sob vigilância nas primeiras horas da manhã, não dando qualquer chance de reação ao ex-deputado brasileiro.

A cerimônia de entrega do foragido ocorreu no marco de concreto que delimita a divisa seca internacional entre as aduanas brasileiras de Corumbá e o território boliviano. O patrulhamento ostensivo na região da fronteira seca foi reforçado com equipes extras do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (PMR) e da Polícia Rodoviária Federal. Os delegados civis federais inspecionaram os documentos de expulsão emitidos pelo governo da Bolívia antes de assumirem o controle definitivo do custodiado.
As autoridades policiais destacaram que a desburocratização dos processos de extradição e deportação sumária na fronteira foi crucial para o sucesso da operação policial interestadual. O acordo internacional firmado entre os países do Mercosul visa coibir a fuga de criminosos de alta periculosidade que tentam se esquivar das sentenças penais brasileiras. O ex-deputado é acusado também de envolvimento indireto em crimes de roubo de veículos e receptação de carga pesada que cruzam ilegalmente a mesma fronteira pantaneira.
A Estrutura do Jogo do Bicho e a Contabilidade Confiscada pela Polícia
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) revelaram detalhes minuciosos sobre a estrutura empresarial paralela mantida pela facção sob o comando de Neno Razuk. Durante as etapas anteriores da ofensiva, as equipes confiscaram dezenas de máquinas portáteis de passar cartão de crédito, modificadas eletronicamente para registrar as apostas ilegais do jogo do bicho. Os terminais POS eram distribuídos de forma maciça em pequenos estabelecimentos comerciais de Campo Grande, Dourados e Ponta Porã.

Junto com as máquinas, os agentes federais e estaduais apreenderam pilhas de recibos de apostas recém-impressos, cadernos manuscritos com a contabilidade diária do bando e quantias expressivas de dinheiro em espécie de origem ilícita. A análise forense do material revelou a existência de pastas de arquivos etiquetadas como "CONTABILIDADE" e "DOCUMENTOS DE APOSTAS", comprovando a rígida hierarquia administrativa do grupo de exploração de jogos de azar. Os livros contábeis de 2024 a 2026 detalham a arrecadação milionária da organização criminosa em todas as macrorregiões metropolitanas.
A quebra dos sigilos fiscais e telefônicos da quadrilha permitiu mapear as transações financeiras fraudulentas estruturadas para branquear os recursos gerados pelo bicho. Parte do dinheiro obtido com as apostas ilegais era investido na compra de fazendas de gado na região do pantanal e em empreendimentos imobiliários registrados em nome de familiares e testas de ferro. A Polícia Federal e a Receita Federal continuam trabalhando na identificação e no bloqueio de contas correntes bancárias no exterior utilizadas pela cúpula do bando criminoso para remessas ilegais de dólares.
Tabela Informativa e Dados Técnicos da Prisão de Neno Razuk
Abaixo estão dispostos os dados técnicos oficiais fornecidos pela Polícia Federal sobre a prisão e custódia do investigado:
Estatísticas e Dados Técnicos
| Indicador da Ocorrência | Detalhes e Resultados Oficiais |
|---|---|
| Investigado Principal | Roberto Razuk Filho ("Neno Razuk") - ex-deputado estadual |
| Órgãos Capturadores | Polícia Nacional da Bolívia e Polícia Federal do Brasil |
| Data da Prisão | 02 de agosto de 2026 |
| Local da Captura | Puerto Quijarro (Bolívia) |
| Local da Custódia Atual | Delegacia de Polícia Federal em Corumbá (MS) |
| Tipificação Penal | Liderança de organização criminosa, extorsão, jogo do bicho |
| Inquérito de Origem | Operações contra jogos de azar do GAECO / MPMS |
| Itens Apreendidos | POS eletrônicos, ledgers de contabilidade, dinheiro em espécie |
| Destino do Preso | Presídio de Segurança Média ou Cadeia Pública em Campo Grande |
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A transferência de Neno Razuk para Campo Grande é cercada de forte esquema de segurança para evitar qualquer tipo de incidente ou emboscada ao longo do trajeto de 400 quilômetros. A defesa do ex-deputado ingressou com pedidos de habeas corpus perante o Tribunal de Justiça de MS, alegando falta de contemporaneidade no decreto de prisão preventiva e problemas de saúde do investigado. Os advogados buscam obter a concessão de prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica ou a transferência provisória para um pavilhão com menor aglomeração carcerária na capital do estado.
Por outro lado, os promotores de justiça do GAECO defendem a necessidade de manutenção do ex-parlamentar em regime fechado e de segurança máxima para impedir a continuidade das ordens de controle operacional do jogo de azar. O grupo criminoso é suspeito de mandar executar concorrentes independentes que tentavam atuar no mercado ilícito de Campo Grande. A prisão de Neno Razuk enfraquece o comando logístico da organização, mas as forças de segurança permanecem em alerta para evitar possíveis retaliações de milícias armadas nas ruas.
O portal do Foco do Estado manterá cobertura atualizada de todos os desdobramentos legais e desdobramentos de segurança pública referentes ao caso. O desfecho da Operação Jacadigo e a captura de Neno Razuk evidenciam que o combate à impunidade nas faixas de fronteira de Mato Grosso do Sul é prioridade absoluta. O avanço das investigações sobre lavagem de dinheiro político deve sacudir os bastidores eleitorais do estado nos próximos meses, promovendo transparência para o leitor.
Perguntas Frequentes sobre a Prisão do ex-deputado Neno Razuk na Bolívia
Perguntas Frequentes
Qual é a principal acusação criminal que motivou a prisão de Neno Razuk?
Neno Razuk é acusado formalmente de liderar uma organização criminosa estruturada de jogos de azar e exploração ilegal do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. As investigações do Ministério Público apontam também que seu grupo utilizava extorsão armada violenta para expulsar concorrentes comerciais.
Como ocorreu a prisão e qual foi o papel das forças bolivianas?
A prisão foi realizada de forma cooperativa pela Polícia Nacional da Bolívia na cidade fronteiriça de Puerto Quijarro. O político estava escondido em uma casa de veraneio e foi localizado após os setores de inteligência brasileiros repassarem dados precisos de geolocalização e rotas à polícia estrangeira.
Para onde o ex-deputado foi levado após a extradição na fronteira?
Após cruzar a linha internacional divisória na aduana, Neno Razuk foi entregue formalmente a agentes federais brasileiros e escoltado para a sede da Delegacia de Polícia Federal em Corumbá (MS). Ele aguarda a decisão de transferência aérea autorizada pela Justiça para o presídio na capital Campo Grande.
Para obter informações e andamentos processuais sobre inquéritos de segurança pública de Mato Grosso do Sul, consulte o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul ou verifique as notas no site da Polícia Federal.
Fonte: https://www.gov.br/pf
Redação Foco do Estado
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