Uma subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi assassinada a tiros dentro da própria casa em Campo Grande na segunda-feira, 6 de abril de 2026. Marlene Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta pelo namorado, um homem de 50 anos, preso em flagrante após confessar o crime. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) investiga o caso como feminicídio — qualificadora prevista na Lei 13.104/2015.
O Que Aconteceu
Os disparos que mataram Marlene foram ouvidos por um vizinho — também policial militar. Ele entrou na residência e encontrou o suspeito com a arma nas mãos, ao lado do corpo da subtenente. O homem de 50 anos tentou dissimular: disse que ela havia tirado a própria vida. Não convenceu. Diante das evidências no local e da pressão dos primeiros policiais que chegaram, confessou ser o autor dos tiros.
A perícia criminal foi acionada e realizou levantamentos na casa, coletando projéteis, estojos e vestígios que vão compor o inquérito. A arma usada no crime foi apreendida e passará por exame balístico.
Marlene e o suspeito namoravam há aproximadamente um ano e moravam juntos havia cerca de dois meses, segundo depoimento do próprio homem à polícia. As circunstâncias que levaram ao assassinato ainda estão sendo apuradas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande.
Contexto e Histórico
Marlene Brito Rodrigues era subtenente da PMMS — uma das patentes mais altas entre as praças. Décadas de serviço na segurança pública do estado. Colegas de farda descreveram uma profissional comprometida e respeitada. A notícia da morte gerou comoção dentro da corporação.
O feminicídio é qualificadora do crime de homicídio desde 2015, quando a Lei 13.104 alterou o Código Penal. A pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. A tentativa de simular suicídio da vítima pode ser considerada agravante, indicando premeditação e frieza.
A coabitação recente — apenas dois meses morando juntos — é um dado que chama atenção. Especialistas em violência de gênero apontam que o início da convivência sob o mesmo teto pode intensificar dinâmicas de controle em relacionamentos com potencial abusivo. E a presença de arma de fogo no domicílio multiplica o risco de desfecho letal.
O caso de Marlene expõe uma contradição dolorosa: a profissional que dedicou a vida a proteger a sociedade sul-mato-grossense não encontrou proteção dentro do próprio lar. A patente de subtenente exige anos de dedicação, aprovação em cursos de formação e promoções sucessivas. Marlene representava uma geração de mulheres que abriram caminho na segurança pública de MS, enfrentando os desafios de uma profissão historicamente dominada por homens.
A violência doméstica contra mulheres que integram corporações de segurança pública é um fenômeno que pesquisadores têm estudado com atenção crescente. O acesso facilitado a armas de fogo no ambiente familiar e a cultura institucional que, em muitos casos, dificulta a denúncia por parte das vítimas são fatores que agravam a situação.
Impacto Para a População
O assassinato de uma policial militar dentro de casa reacende o debate sobre violência doméstica em Mato Grosso do Sul e sobre a vulnerabilidade de mulheres que integram as forças de segurança.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Crime | Feminicídio (Lei 13.104/2015) |
| Pena prevista | 12 a 30 anos de reclusão |
| Delegacia responsável | DEAM Campo Grande |
| Prazo do inquérito (preso) | 30 dias |
| Ligue 180 | 24h, gratuito, sigiloso |
| Emergência | 190 (PM) |
A presença de arma de fogo em residências com histórico de violência doméstica é reconhecida internacionalmente como um dos principais fatores de risco para feminicídio. No caso de profissionais de segurança pública, o porte funcional cria uma situação que demanda políticas específicas de prevenção — acompanhamento psicossocial, protocolos de retirada de arma em caso de denúncia, canais internos de apoio.
Mas o problema vai além das corporações. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê medidas protetivas de urgência, delegacias especializadas e juizados de violência doméstica. Em Campo Grande, a DEAM funciona com atendimento para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas. O Tribunal de Justiça de MS mantém varas especializadas que analisam pedidos de medidas protetivas com agilidade.
O Que Dizem os Envolvidos
O Comando-Geral da PMMS emitiu nota lamentando o falecimento da subtenente e reafirmando o compromisso da corporação com o combate à violência contra a mulher. Colegas de farda organizaram homenagens nas redes sociais, compartilhando fotos e relatos sobre a trajetória profissional de Marlene.
"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul lamenta profundamente a perda da subtenente Marlene Brito Rodrigues e acompanha as investigações conduzidas pela DEAM", informou a corporação em comunicado.
A Associação dos Praças da PM e do Corpo de Bombeiros de MS também se manifestou, cobrando a implementação de programas de acompanhamento psicossocial para policiais e seus familiares, com foco na prevenção da violência doméstica dentro das famílias de profissionais de segurança pública.
O suspeito permanece preso e não teve a defesa divulgada até o fechamento desta reportagem.
Próximos Passos
A DEAM de Campo Grande conduz o inquérito policial, que deverá ser concluído no prazo de 30 dias — contados a partir da prisão em flagrante — e encaminhado ao Ministério Público Estadual para oferecimento de denúncia. O suspeito passará por audiência de custódia, onde o juiz avaliará a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da prisão preventiva.
O MPMS, por meio do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (GAEDV), acompanha o caso e poderá solicitar diligências complementares. A expectativa é de denúncia por feminicídio qualificado, com possível incidência de agravantes como a dissimulação do crime — a tentativa de simular suicídio da vítima.
A perícia balística na arma apreendida e a análise dos vestígios coletados na residência serão peças fundamentais para a instrução processual. Oitivas de testemunhas, incluindo o vizinho policial que ouviu os disparos, e a análise de câmeras de segurança da região complementam as diligências em andamento. O caso também pode motivar discussões na PMMS sobre protocolos de prevenção à violência doméstica envolvendo integrantes da corporação e seus familiares.
Fechamento
O assassinato de Marlene Brito Rodrigues joga luz sobre um problema que atravessa classes sociais e profissões: a violência doméstica não poupa nem quem dedica a vida à segurança pública. A subtenente que serviu por décadas na PMMS foi morta dentro de casa, pelo homem com quem dividia o teto havia dois meses.
Mulheres em situação de violência doméstica em Mato Grosso do Sul podem buscar ajuda pelos seguintes canais:
- Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, 24 horas, gratuito, sigiloso
- 190 — Polícia Militar, para emergências e risco imediato
- 197 — Polícia Civil
- DEAM Campo Grande — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
- Disque 100 — para casos envolvendo crianças, adolescentes e idosos
Todas as denúncias podem ser feitas de forma anônima. Em risco imediato, ligue 190.
Fontes e Referências
- Polícia Civil de Mato Grosso do Sul / DEAM Campo Grande
- Itamaraju Notícias (itamarajunoticias.com.br) — reportagem sobre o caso
- Polícia Militar de Mato Grosso do Sul — nota oficial
- Lei 13.104/2015 (Lei do Feminicídio)
- Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha)
