Operação GAECO investiga propina de R$ 1,5 milhão em contratos de iluminação pública na capital
Esquema de fraudes licitatórias e pagamento de vantagens indevidas a servidores e agentes políticos na gestão de iluminação pública urbana em Campo Grande é investigado pelo GAECO.

Uma nova investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) mira um esquema de corrupção, fraudes em licitações e pagamento de propinas a agentes públicos na administração dos serviços de manutenção de iluminação pública em Campo Grande. Conforme a denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os desvios de recursos e pagamentos de propina movimentaram cerca de R$ 1,5 milhão em vantagens financeiras indevidas a servidores públicos e vereadores da capital em troca do favorecimento de um consórcio de empresas prestadoras de serviços.
A investigação teve início após a análise de documentos apreendidos em outras fases de operações de combate à lavagem de dinheiro, onde planilhas financeiras secretas mostravam pagamentos periódicos a agentes públicos identificados por codinomes. O GAECO constatou que o contrato emergencial de iluminação pública da capital sul-mato-grossense foi prorrogado de forma ilegal e sucessiva, sem a devida justificativa técnica ou jurídica. As empresas que compunham o consórcio vencedor recebiam pagamentos integrais por serviços que eram declarados como realizados, mas que, na realidade, foram executados de forma precária ou sequer concluídos.
Em troca da aprovação rápida das medições fictícias e da liberação dos recursos municipais pelas secretarias de obras e infraestrutura, representantes das empresas repassavam propinas em espécie a servidores e políticos influentes na Câmara Municipal. Os encontros para a entrega do dinheiro em malas e envelopes ocorriam em locais de pouca movimentação na capital, como estacionamentos de shoppings ou escritórios particulares de contabilidade. Esse suborno garantiu a manutenção dos contratos fraudulentos por meses, prejudicando a qualidade dos serviços públicos nas periferias da cidade.
Além dos contratos de manutenção, a auditoria constatou superfaturamento na compra de luminárias e reatores de LED. O valor pago pela prefeitura era até 40% superior ao preço praticado no mercado local. A fumaça gerada por essas investigações aponta para o envolvimento de assessores próximos a vereadores, que facilitavam a tramitação e aprovação de termos aditivos. Os promotores de Justiça analisam os dados bancários dos envolvidos, que tiveram os sigilos fiscais e telefônicos quebrados por decisão judicial.
As defesas dos ex-secretários e dos vereadores investigados negam qualquer envolvimento em práticas ilegais e afirmam que todas as contratações foram feitas sob os ditames da lei de licitações. No entanto, o GAECO e a Polícia Civil seguem mapeando as propriedades imobiliárias e movimentações atípicas de patrimônio dos suspeitos, sugerindo que parte dos valores obtidos de forma ilícita na administração pública tenha sido branqueada por meio da compra de fazendas e cabeças de gado no interior do estado. A população cobra melhorias nos serviços de manutenção, já que muitas avenidas principais e bairros periféricos permanecem às escuras, aumentando o índice de roubos e acidentes de trânsito nas madrugadas.
Fonte: Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO)
Redação Foco do Estado
Repórter
💬 Fale com a Redação
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal? Envie fotos, vídeos e informações direto para nossos jornalistas no WhatsApp.
Leia também
Batalhão de Choque prende quadrilha que planejava ataques armados em Campo Grande
02 de agosto de 2026
🚔 PolíciaOperação Conexão desarticula esquema de R$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro em Campo Grande
31 de julho de 2026
🚔 PolíciaPolícia Federal prende homem na Capital durante a Operação Aeges 5 contra crimes digitais
29 de julho de 2026
🚔 PolíciaBatalhão de Choque localiza bunker subterrâneo com mais de 1,2 tonelada de maconha
29 de julho de 2026