O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), alcançou o patamar de 71,1% de aprovação positiva entre os eleitores sul-mato-grossenses, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Novo Ibrape em parceria com o Campo Grande News e divulgada no final de março de 2026. O índice consolida Riedel como um dos governadores mais bem avaliados do Brasil e fortalece sua posição política a seis meses das eleições estaduais.
Os números da pesquisa
O levantamento do Instituto Novo Ibrape, que ouviu eleitores em todo o estado de Mato Grosso do Sul, apresentou os seguintes resultados para a avaliação do governo Riedel:
- Aprovação positiva (ótimo/bom): 71,1%
- Regular: estimada em faixa intermediária
- Negativa (ruim/péssimo): minoria significativa
Os números representam uma consolidação da tendência de alta na aprovação que vem sendo registrada desde o segundo semestre de 2025, quando o governo passou a colher os resultados de investimentos em infraestrutura, saúde e programas sociais. A pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2025, já apontava aprovação acima de 65%.
Os pilares da aprovação
Analistas políticos e consultores eleitorais atribuem a alta aprovação de Riedel a um conjunto de fatores que convergem para uma percepção positiva da população sobre a gestão estadual:
Economia aquecida: Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com crescimento do PIB acima da média nacional pelo quarto ano consecutivo, impulsionado pelo agronegócio, pela agroindústria e pelo setor de serviços. O estado registra taxa de desemprego consistentemente abaixo da média nacional, e o mercado formal de trabalho apresentou saldo positivo nos primeiros meses de 2026.
Investimentos em infraestrutura: O governo estadual acelerou a execução de obras rodoviárias, de saneamento e de equipamentos públicos de saúde e educação, com destaque para parcerias público-privadas que ampliaram a capacidade de investimento sem pressionar o endividamento público.
Reajuste aos servidores: A aprovação do reajuste de 3,81% para o funcionalismo público — correspondente à reposição integral do IPCA — gerou impacto positivo junto a uma parcela significativa do eleitorado, especialmente nas cidades onde o serviço público é o principal empregador.
Programas sociais: O programa Mais Social, apesar das recentes denúncias de fraude, atende milhares de famílias em situação de vulnerabilidade nos 79 municípios do estado, contribuindo para a percepção de um governo atento às demandas da população de baixa renda.
O cenário eleitoral de 2026
Com 71,1% de aprovação a seis meses das eleições, Riedel se posiciona como amplo favorito para a reeleição ao governo de MS em outubro de 2026. A Constituição Federal permite que governadores disputem um mandato consecutivo, e todos os sinais políticos emitidos pelo governador e seu entorno indicam que a candidatura à reeleição está praticamente definida.
A base governista na Assembleia Legislativa é ampla e está sendo reforçada durante a janela partidária de março, com adesões de parlamentares de diferentes partidos ao arco de alianças do PP. O governador conta com o apoio formal do PL — que se fortaleceu como segunda maior bancada da ALEMS — e de legendas do chamado "centrão", como MDB, República e União Brasil.
A oposição fragmentada
O cenário de alta aprovação de Riedel contrasta com a fragmentação da oposição estadual, que ainda não conseguiu unificar um nome competitivo para a disputa pelo Palácio dos Guararapes. Os partidos de oposição — com destaque para PT, PSB e PDT — reconhecem que a margem de manobra para construção de candidatura competitiva é limitada diante dos números de aprovação do governador.
Dentro do PT, há debate interno sobre a viabilidade de lançar candidatura própria ao governo ou priorizar alianças para fortalecer as disputas proporcionais (deputados estaduais e federais). O partido tem base eleitoral expressiva em Campo Grande e em cidades como Dourados e Corumbá, mas suas pesquisas internas indicam que nenhum nome do partido está competitivo para uma disputa majoritária contra Riedel.
Desafios para o segundo mandato
Apesar dos números favoráveis, analistas apontam desafios que podem impactar a gestão Riedel caso seja reeleito. A crise sanitária de chikungunya em Dourados, os problemas de segurança na fronteira — evidenciados pelas recentes operações policiais — e a dependência econômica do agronegócio em um cenário de mudanças climáticas são questões estruturais que demandarão atenção continuada.
A questão fiscal também merece acompanhamento. Com o reajuste de 3,81% pressionando a folha de pagamento e a adesão à subvenção do diesel representando um custo adicional aos cofres estaduais, a capacidade de manter o equilíbrio fiscal será testada no segundo semestre de 2026.
Metodologia da pesquisa
O Instituto Novo Ibrape é registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e segue as normas da Resolução 23.600/2019 para realização de pesquisas de opinião sobre matéria eleitoral. O levantamento utilizou amostragem probabilística com margem de erro e intervalo de confiança conforme as normas técnicas da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep).
As informações podem ser verificadas nos portais Campo Grande News, que publicou a pesquisa em parceria com o Ibrape, e nos portais Correio do Estado e Capital News, que repercutiram os resultados.
Comparativo com outros governadores do Centro-Oeste
A aprovação de 71,1% de Eduardo Riedel posiciona o governador de MS entre os mais bem avaliados da região Centro-Oeste. No comparativo com seus pares, Riedel supera a avaliação de governadores de estados como Goiás e Mato Grosso, cujas pesquisas mais recentes indicam índices de aprovação na faixa de 55% a 65%. A diferença é atribuída, em parte, à combinação entre o dinamismo econômico do estado — fortemente impulsionado pelo agronegócio e pela agroindústria — e a percepção da população de que o governo estadual tem conseguido traduzir essa pujança econômica em melhorias concretas nos serviços públicos.
O desempenho de Riedel também chama atenção quando comparado à média nacional de aprovação de governadores. Segundo levantamento do Datafolha realizado em fevereiro de 2026, a média nacional de aprovação de governadores situava-se em torno de 48%, o que coloca Riedel mais de 23 pontos percentuais acima dessa referência. Essa distância reflete a estabilidade política e econômica de Mato Grosso do Sul em um momento em que outros estados enfrentam crises fiscais, tensões políticas e dificuldades para manter programas sociais e investimentos em infraestrutura.
O papel da comunicação governamental
Analistas políticos ouvidos pela reportagem destacam que a estratégia de comunicação do governo Riedel também contribui para os altos índices de aprovação. A administração estadual mantém presença ativa nas redes sociais, com perfis oficiais que registram milhões de interações mensais, e adota uma política de divulgação de obras e entregas que acompanha em tempo real a execução dos projetos anunciados pelo governo.
A prestação de contas transparente, incluindo a publicação periódica de relatórios de gestão e a divulgação de dados orçamentários em formato aberto, reforça a percepção de transparência junto à população. Essa estratégia contrasta com a abordagem de governos anteriores, que priorizavam a comunicação institucional tradicional em detrimento da interação direta com os cidadãos por meio de plataformas digitais.
Perspectivas para o segundo semestre
O principal desafio de Riedel para manter a alta aprovação no segundo semestre de 2026 será conciliar a campanha eleitoral — caso confirme a candidatura à reeleição — com a continuidade da gestão administrativa. Historicamente, governadores em final de mandato tendem a enfrentar uma desaceleração na execução de projetos, o que pode impactar a percepção da população sobre a eficiência do governo.
Outro fator de atenção é o cenário econômico nacional, que pode afetar as finanças estaduais e limitar a capacidade de investimento do governo. A eventual desaceleração do agronegócio, provocada por condições climáticas adversas ou queda nos preços internacionais das commodities, representaria um risco significativo para a economia do estado e, consequentemente, para os índices de aprovação do governador.
