Otaviano Pivetta assume governo e lidera articulações para a sucessão em Mato Grosso
Saiba mais sobre a transição de poder em Mato Grosso após a renúncia de Mauro Mendes e os rumos da disputa para o governo estadual e o Senado em 2026.

O cenário político de Mato Grosso passa por um momento de profunda reconfiguração institucional e de intensas articulações de bastidores. Com o encerramento do ciclo de gestão liderado por Mauro Mendes (União Brasil), o estado vivencia o início de uma nova fase administrativa sob o comando de Otaviano Pivetta (Republicanos), que assumiu a cadeira de governador após a desincompatibilização de Mendes no final de março de 2026. Essa mudança abre caminho definitivo para o processo eleitoral que culminará no pleito de 4 de outubro, redesenhando as forças políticas no estado, que se destaca nacionalmente como uma das principais potências do agronegócio brasileiro.
A renúncia de Mauro Mendes era um movimento amplamente aguardado pelos analistas locais. Reeleito em 2022 com uma aprovação expressiva e sustentado por uma agenda de saneamento fiscal e pesados investimentos em infraestrutura logística — incluindo a pavimentação de rodovias estaduais e a estadualização do trecho da BR-163 —, Mendes não poderia disputar um terceiro mandato consecutivo para o Palácio Paiaguás. A desincompatibilização foi a alternativa estratégica escolhida para que ele pudesse concorrer ao Senado Federal nas eleições deste ano, onde duas vagas estarão em disputa pela representação de Mato Grosso na Câmara Alta.
Com a transição oficial, Otaviano Pivetta assume a liderança do Poder Executivo com o duplo desafio de gerir a máquina pública estadual e capitanear o grupo governista rumo à manutenção do poder. Pivetta, empresário do setor agropecuário e ex-prefeito do município de Lucas do Rio Verde, possui um perfil marcadamente técnico e centralizador. Ele é o pré-candidato natural do grupo de situação e tem o apoio público do próprio Mauro Mendes, que tem percorrido o estado e utilizado seus pronunciamentos para defender a continuidade do seu modelo de gestão. Mendes tem alertado que eventuais mudanças abruptas na linha administrativa estadual poderiam trazer consequências negativas para o equilíbrio fiscal e a capacidade de investimento do estado.
No entanto, a consolidação da pré-candidatura de Pivetta não ocorre sem resistências internas dentro da própria coligação aliada. O União Brasil, partido de Mendes, abriga correntes que cobram protagonismo na chapa majoritária. O principal foco de tensão reside nas movimentações do senador Jayme Campos, um dos caciques políticos mais tradicionais de Mato Grosso. Jayme expressou publicamente seu interesse em disputar o governo do estado, o que gerou debates intensificados sobre a necessidade de consenso antes das convenções partidárias oficiais, agendadas para ocorrer entre o fim de julho e o início de agosto de 2026. O grupo governista tenta evitar uma divisão interna que fragilize o palanque da situação frente às forças de oposição.
Do lado oposicionista, a ala alinhada à direita nacional e ao bolsonarismo apresenta como principal alternativa o senador Wellington Fagundes (PL). Fagundes busca capitalizar o forte sentimento conservador que predomina em grande parte do eleitorado mato-grossense, especialmente nas regiões produtoras de soja e milho do médio-norte e do leste do estado. O parlamentar tem costurado alianças com prefeitos e lideranças regionais para estruturar uma candidatura competitiva, apresentando-se como o legítimo representante das pautas econômicas e sociais ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em contrapartida, as forças de centro-esquerda e esquerda buscam construir uma alternativa competitiva em torno do nome da médica pediatra Natasha Slhessarenko (PSD). A pré-candidata tem o aval de lideranças nacionais e locais que tentam estruturar um palanque robusto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso. Natasha aposta em um discurso focado na área social, com ênfase na melhoria do sistema público de saúde e na descentralização dos serviços de alta complexidade pelo interior do estado, tentando atrair o voto do eleitorado urbano e de setores descontentes com o foco excessivamente focado no agronegócio por parte da atual gestão.
Além dos nomes principais, figuram no cenário estadual pré-candidaturas alternativas como as do professor Caiubi Kuhn (PDT) e do empresário Marcelo Maluf (Novo), que buscam demarcar espaço em debates programáticos específicos. A definição final das alianças, coligações e chapas majoritárias ocorrerá no período das convenções, que promete ser de intensas negociações diárias. O desfecho dessa disputa definirá não apenas o futuro governador, mas também as duas vagas ao Senado, em uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da história recente de Mato Grosso.
Fonte: G1 Mato Grosso / FolhaMax
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