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sábado, 11 de abril de 2026
🌾 Agro

Agro sustenta PIB de MS e avança com etanol de milho e celulose, diz Gerson Claro

Presidente da ALEMS destaca transformação do agronegócio sul-mato-grossense com incorporação de tecnologia e diversificação industrial

Marcos Vinícius Borges6 min de leituraCampo Grande
Agro sustenta PIB de MS e avança com etanol de milho e celulose, diz Gerson Claro

"O agro de Mato Grosso do Sul sustenta o nosso PIB e também contribui com o PIB nacional." A frase é do deputado Gerson Claro, presidente da Assembleia Legislativa, e foi dita durante a 86ª Expogrande, em Campo Grande, na sexta-feira (10). Não é novidade que o agro é o motor de MS. A novidade é o que esse motor está virando.

O Que Aconteceu

Gerson Claro participou de evento na Expogrande ao lado de deputados estaduais e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aproveitou o microfone para fazer um balanço do setor que responde pela maior fatia do PIB sul-mato-grossense.

O parlamentar apontou três frentes de transformação. A primeira é o etanol de milho — o aproveitamento do milho safrinha para produção de biocombustível, que antes era exportado como commodity com margem apertada. A segunda é a indústria de celulose, que já fez de Três Lagoas a capital mundial do setor. A terceira é a citricultura, segmento que ganha espaço no estado e diversifica a matriz produtiva.

"A vocação agropecuária sul-mato-grossense continua sendo a base da economia, mas ganha novos contornos com a incorporação de tecnologia, inovação e integração com a indústria", disse Gerson Claro.

Contexto e Histórico

Mato Grosso do Sul produziu 12,8 milhões de toneladas de soja na safra 2025/2026, segundo estimativas da Conab. O milho safrinha deve alcançar 11,2 milhões de toneladas. A pecuária mantém o estado entre os maiores rebanhos bovinos do país, com cerca de 20 milhões de cabeças.

Mas os números da produção primária contam só parte da história. A Suzano opera em Três Lagoas a maior fábrica de celulose do mundo, com capacidade de 2,55 milhões de toneladas por ano após a última expansão. O investimento total na unidade supera R$ 22 bilhões.

No etanol de milho, MS já tem usinas em operação em municípios como Maracaju e Chapadão do Sul. A produção de etanol a partir do milho no estado cresceu 340% entre 2020 e 2025, segundo dados do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Mato Grosso do Sul.

Em números absolutos, Mato Grosso do Sul produziu 1,8 bilhão de litros de etanol na safra 2024/2025, somando cana-de-açúcar e milho. O etanol de milho já responde por 32% desse volume — fatia que era inferior a 8% cinco anos antes. A usina da Inpasa em Dourados, uma das maiores do país no segmento, tem capacidade para processar 2 mil toneladas de milho por dia. Outra planta da mesma empresa em Sidrolândia entrou em operação em 2024 e ampliou a capacidade instalada do estado. O modelo é atraente porque aproveita o milho safrinha colhido entre junho e agosto, período em que as usinas de cana estão em entressafra, mantendo a cadeia produtiva ativa o ano inteiro.

A Suzano, por sua vez, anunciou em 2023 o projeto Cerrado, que adicionou uma terceira linha de produção à fábrica de Três Lagoas. O investimento de R$ 22,2 bilhões elevou a capacidade da unidade para 5,55 milhões de toneladas anuais de celulose, consolidando Três Lagoas como a capital mundial do setor. A expansão gerou 10 mil empregos diretos durante a fase de obras e mantém cerca de 3.500 postos fixos na operação. O impacto no PIB municipal é visível: Três Lagoas saltou de uma economia baseada em pecuária para o quinto maior PIB de Mato Grosso do Sul.

A citricultura é o segmento mais recente. Empresas do setor de suco de laranja começaram a plantar pomares no sul do estado, atraídas pelo custo da terra e pelas condições climáticas favoráveis. A Citrosuco e a Louis Dreyfus Company já mapearam áreas em municípios como Ivinhema, Naviraí e Nova Andradina. A estimativa do setor é que MS tenha 18 mil hectares de citros plantados até 2028, produzindo laranja para suco concentrado destinado à exportação. "O cinturão citrícola de São Paulo está envelhecendo e enfrentando o greening. MS aparece como alternativa natural", disse um executivo do setor durante painel na Expogrande.

Impacto Para a População

A diversificação do agro gera empregos e renda em municípios que antes dependiam exclusivamente da pecuária ou da soja.

Setor Destaque em MS Impacto
Soja 12,8 mi ton (safra 25/26) Base da exportação
Milho safrinha 11,2 mi ton Matéria-prima para etanol
Celulose Maior fábrica do mundo (Três Lagoas) R$ 22 bi investidos
Etanol de milho Crescimento de 340% (2020-2025) Empregos industriais
Citricultura Expansão no sul do estado Diversificação
Pecuária ~20 milhões de cabeças Tradição mantida

Para o trabalhador, a industrialização do agro significa vagas que pagam mais do que o trabalho no campo. Uma usina de etanol ou uma fábrica de celulose gera empregos com carteira assinada, benefícios e salários acima da média regional.

O efeito multiplicador é visível nos municípios. Em Maracaju, onde a Inpasa opera usina de etanol de milho, o comércio local cresceu 17% em faturamento entre 2022 e 2025, segundo a Associação Comercial do município. Três Lagoas, impulsionada pela Suzano, viu sua arrecadação de ICMS saltar 42% no mesmo período. A citricultura, ainda incipiente, já movimenta viveiros de mudas e serviços de preparo de solo no sul do estado. O agro de MS está deixando de exportar matéria-prima bruta para processar, embalar e agregar valor dentro das próprias fronteiras.

O Que Dizem os Envolvidos

Gerson Claro foi enfático: "O agro é gigante no mundo inteiro." E completou que a modernização do setor está "diretamente ligada à capacidade de adaptação às demandas do mercado".

Flávio Bolsonaro, presente no mesmo evento, reforçou a pauta. "Podem ter certeza que eu vou me empenhar ao máximo para dar celeridade e resolver os problemas do agro", disse, citando segurança jurídica, demarcações de terras indígenas e infraestrutura como entraves. A presença do senador fluminense na Expogrande não é casual: MS é base eleitoral do PL, e o agro é o público que o partido mais corteja no estado.

Próximos Passos

A Expogrande segue até o próximo fim de semana com programação de leilões, palestras técnicas e shows. O setor agro deve dominar a pauta legislativa da ALEMS nos próximos meses, com projetos voltados à infraestrutura logística e incentivos fiscais para agroindústrias. A Ferroeste — ferrovia que ligaria Dourados ao porto de Paranaguá, no Paraná — é uma das demandas mais antigas do setor e voltou à mesa de negociações em 2026, com promessa de licitação federal ainda no primeiro semestre.

A próxima grande feira do setor em MS é a Expoagro de Dourados, em maio, onde as discussões sobre etanol de milho e celulose devem ganhar ainda mais destaque.

Fechamento

O agro de Mato Grosso do Sul deixou de ser só boi e soja. Etanol de milho, celulose e citricultura estão redesenhando a economia do estado. Se a transformação vai se traduzir em desenvolvimento para além dos grandes produtores — chegando ao trabalhador rural, ao pequeno município, ao jovem que precisa de emprego — depende de políticas públicas que ainda estão no papel. O que não falta é potencial. O que falta é distribuição.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Conab — Companhia Nacional de Abastecimento
  • Suzano S.A. — Relatório Anual
  • Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol de MS

💰 Agro em transformação

1

Setor

Principal motor do PIB de MS

2

Destaque industrial

Etanol de milho e celulose

3

Evento

86ª Expogrande

4

Novo segmento

Citricultura em expansão

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, afirmou durante a 86ª Expogrande que o agronegócio de MS está passando por uma transformação que vai além da produção primária. Segundo ele, o setor incorpora tecnologia, inovação e integração com a indústria, ampliando o valor agregado e diversificando as cadeias produtivas. Os destaques são a produção de etanol a partir do milho, a expansão da indústria de celulose e o avanço da citricultura, que consolidam o estado como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

O etanol de milho representa uma das principais transformações do agronegócio sul-mato-grossense nos últimos anos. O aproveitamento do milho safrinha, que antes era exportado como commodity com baixo valor agregado, para a produção de biocombustível fortalece a agroindústria local, gera empregos e amplia o impacto econômico no estado. Mato Grosso do Sul já conta com usinas de etanol de milho em operação e em construção, posicionando-se como um dos líderes nacionais nesse segmento, ao lado de Mato Grosso e Goiás.

A indústria de celulose é um dos setores que mais crescem em Mato Grosso do Sul. A Suzano, maior produtora de celulose do mundo, opera a maior fábrica do planeta em Três Lagoas e anunciou expansão que vai ampliar a capacidade produtiva. O setor florestal gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado e atrai investimentos bilionários. A expansão da celulose, somada ao etanol de milho e à citricultura, indica uma diversificação da matriz econômica de MS para além da pecuária e das lavouras tradicionais.

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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter