Pular para o conteúdo
quarta-feira, 08 de abril de 2026
🔴 Urgente🏙️ Cidades

Defesa Civil emite alerta de temporais com ventos de até 60 km/h em MS entre segunda e quinta-feira

Ciclone extratropical provoca mudança brusca no tempo. Previsão inclui chuvas intensas, trovoadas e risco de queda de árvores e destelhamentos em todo o estado.

Juliana Mendes7 min de leituraMato Grosso do Sul
Defesa Civil emite alerta de temporais com ventos de até 60 km/h em MS entre segunda e quinta-feira

A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiram alerta de grau laranja (perigo potencial) para temporais com rajadas de vento de até 60 km/h em todo o estado entre os dias 6 e 9 de abril de 2026. A mudança brusca no tempo é provocada pelos efeitos indiretos de um ciclone extratropical em formação na região sul da América do Sul, associado ao avanço de uma frente fria que deve atingir Mato Grosso do Sul a partir da madrugada de segunda-feira.

O alerta foi emitido na tarde deste domingo (5), e a previsão indica que as condições meteorológicas devem se deteriorar progressivamente ao longo dos próximos quatro dias, com pico de intensidade previsto para terça-feira (7 de abril).

Previsão detalhada por dia

A dinâmica atmosférica para os próximos dias em MS, conforme os modelos meteorológicos analisados pelo INMET e pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec):

Segunda-feira (6 de abril) — A instabilidade chega ao estado com o aumento gradual da nebulosidade a partir do período da manhã. As primeiras pancadas de chuva devem ocorrer no final da tarde e início da noite, acompanhadas de rajadas de vento entre 40 e 60 km/h. As regiões sul e sudoeste serão as primeiras afetadas.

Terça-feira (7 de abril) — Considerado o dia mais crítico da sequência. A combinação entre o ciclone extratropical e a frente fria cria condições favoráveis para temporais severos com trovoadas, chuvas fortes e descargas elétricas em todo o estado. Há possibilidade de chuva de granizo localizada em pontos isolados, especialmente na região centro-sul.

Quarta-feira (8 de abril) — A instabilidade permanece, com pancadas de chuva fortes e intermitentes ao longo do dia. Os ventos devem perder intensidade gradualmente, mas ainda podem atingir rajadas de 30 a 50 km/h nos momentos de maiores temporais.

Quinta-feira (9 de abril) — Condições de tempo instável persistem, mas com tendência de melhora ao longo do dia. As chuvas devem ser menos intensas e mais espaçadas, com retorno gradual das condições de tempo aberto a partir da sexta-feira (10).

Causa do fenômeno

O ciclone extratropical responsável pela instabilidade está se formando sobre o Oceano Atlântico Sul, na região entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Sistemas ciclônicos desta natureza são comuns nesta época do ano e resultam do contraste entre massas de ar com temperaturas distintas.

O mecanismo funciona da seguinte forma: o ciclone puxa umidade do interior do continente — incluindo a massa de ar quente e úmida que predomina sobre o Centro-Oeste — e a combina com ar frio proveniente do sul, originário de latitudes polares. Essa colisão entre massas de ar cria condições favoráveis para a formação de tempestades severas, com grande desenvolvimento vertical de nuvens do tipo cumulonimbus.

A frente fria associada ao sistema avança de sudoeste para nordeste, atingindo primeiro as regiões sul e sudoeste de MS antes de se deslocar para o centro e norte do estado. O deslocamento lento da frente é o fator que explica a duração prolongada da instabilidade — quatro dias de condições adversas.

Principais riscos para a população

Os meteorologistas e a Defesa Civil alertam para os seguintes impactos potenciais durante o período de instabilidade:

Queda de árvores — Rajadas de vento acima de 50 km/h são capazes de derrubar árvores de grande porte, especialmente aquelas com sistema radicular comprometido por podas inadequadas ou doenças. As áreas urbanas com arborização densa — como bairros residenciais de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas — são as mais vulneráveis.

Destelhamentos — Estruturas com coberturas metálicas leves, telhas de amianto antigas e construções em fase de acabamento são particularmente suscetíveis a danos por rajadas de vento. O mesmo vale para tapumes de obras, outdoors e estruturas temporárias.

Interrupção do fornecimento de energia elétrica — A queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica é a causa mais frequente de interrupções no fornecimento de energia durante temporais. A Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em MS, informou que equipes de prontidão estarão posicionadas em pontos estratégicos para agilizar os reparos.

Alagamentos pontuais — Regiões com sistema de drenagem deficiente ou com ocupação irregular de áreas de várzea podem sofrer alagamentos durante as chuvas mais intensas. Em Campo Grande, os bairros localizados nas proximidades dos córregos Prosa, Segredo e Anhanduí são historicamente os mais afetados.

Descargas elétricas — Raios representam risco real à vida, especialmente em áreas rurais e em atividades ao ar livre. Mato Grosso do Sul é um dos estados com maior incidência de raios no Brasil, registrando milhares de descargas atmosféricas por ano.

Recomendações da Defesa Civil

A Defesa Civil de MS publicou uma lista de recomendações para que a população se proteja durante o período de instabilidade:

  • Não se abrigue debaixo de árvores ou estruturas frágeis durante as rajadas de vento e tempestades
  • Recolha objetos soltos em quintais e varandas que possam ser arremessados pelo vento, como vasos, cadeiras e ferramentas
  • Desligue aparelhos eletrônicos da tomada durante tempestades com raios para evitar danos por surtos elétricos
  • Evite transitar em áreas alagadas — bastam 30 centímetros de água corrente para arrastar um veículo e 15 centímetros para derrubar um pedestre
  • Não tente atravessar pontes submersas ou estradas com acúmulo de água, mesmo em veículos altos
  • Mantenha distância de postes e fios caídos — eles podem estar energizados mesmo parecendo inativos
  • Acompanhe as atualizações da Defesa Civil (199), INMET e portais de notícias locais

Impacto nas rodovias

As condições climáticas adversas exigem atenção redobrada nas rodovias federais e estaduais que cortam o estado. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alertou para os seguintes riscos nas estradas:

  • Aquaplanagem — Pistas molhadas reduzem drasticamente a aderência dos pneus, especialmente nos primeiros minutos de chuva quando o asfalto está com acúmulo de óleo
  • Redução de visibilidade — Chuvas fortes podem reduzir a visibilidade para menos de 50 metros, tornando ultrapassagens extremamente perigosas
  • Ventos laterais — Rajadas de vento podem desestabilizar veículos altos, como caminhões e ônibus, especialmente em trechos com viadutos, pontes e passagens abertas

A PRF e a Polícia Militar Rodoviária devem intensificar o patrulhamento nos principais corredores rodoviários do estado, incluindo as BRs 163, 262 e 267, que concentram o maior volume de tráfego pesado.

Agricultura em alerta

O setor agropecuário de MS também deve sentir os efeitos dos temporais. Produtores rurais foram orientados pelo governo estadual a proteger maquinários, reforçar instalações rurais e acompanhar a previsão do tempo antes de iniciar operações de colheita.

A safra de milho safrinha, que está em fase de desenvolvimento vegetativo na maior parte do estado, pode ser afetada por ventos fortes que causam o acamamento das plantas — quando os caules são dobrados pela força do vento, reduzindo a capacidade produtiva.

As informações desta reportagem foram apuradas com base em boletins oficiais do INMET, Defesa Civil de MS e Cemtec, além de reportagens do Campo Grande News, Primeira Página, A Crítica e Jornal da Nova.

Canais de informação e telefones úteis

A Defesa Civil disponibiliza os seguintes canais para a população durante o período de instabilidade atmosférica: telefone 199 (Defesa Civil Municipal), 193 (Corpo de Bombeiros), 0800 642 0120 (Energisa — falta de energia) e o aplicativo Defesa Civil Alerta para celulares Android e iOS. O INMET mantém atualização constante dos alertas meteorológicos pelo site oficial e pelo aplicativo INMET, com notificações push para regiões em risco. A população também pode acompanhar as condições do tempo em tempo real pelo portal do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS). A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil está em regime de prontidão e coordena ações com todas as defesas civis municipais.

💰 O que esperar dos temporais

1

Rajadas de vento

40 a 60 km/h

2

Período crítico

6 a 9 de abril

3

Dia mais severo

Terça-feira (7)

4

Risco principal

Queda de árvores e destelhamentos

Fonte: Campo Grande News / INMET / Primeira Página / A Crítica / Jornal da Nova

❓ Perguntas Frequentes

A instabilidade começa na segunda-feira (6 de abril). O dia mais crítico está previsto para terça-feira (7), com riscos persistindo até quinta-feira (9).

Chuvas intensas, rajadas de vento de 40 a 60 km/h, queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Todo o estado está em alerta, com maior intensidade prevista para a região sul e centro-sul, onde a frente fria chegará primeiro.

#cidades#temporal#alerta#Defesa Civil#ventos#chuvas#MS#clima
Compartilhar:f𝕏watg
JM

Juliana Mendes

Repórter