Arquiteta cai de caminhonete e morre atropelada pelo ex na BR-163
Mulher de 34 anos morreu na manhã desta segunda após ser atropelada pela caminhonete conduzida pelo ex-marido na saída de Campo Grande

Ely tinha 34 anos, era arquiteta e morreu na manhã desta segunda-feira (13) na BR-163, na saída de Campo Grande em direção a Jaraguari. Caiu de uma caminhonete em movimento e foi atropelada pelo mesmo veículo. Quem dirigia era o ex-marido. A polícia ouviu o homem, liberou, mas não descartou feminicídio. Busca imagens de câmeras para entender o que aconteceu naquela rodovia.
O Que Aconteceu
O acidente — ou crime — foi registrado por volta das 7h40 no km 518 da BR-163, trecho de pista simples na zona rural de Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a arquiteta estava no banco do passageiro da caminhonete Toyota Hilux conduzida pelo ex-marido, de 37 anos, quando caiu do veículo em movimento. A caminhonete passou por cima da vítima.
O Samu foi acionado e chegou ao local em 22 minutos, mas Ely já estava sem sinais vitais. O corpo apresentava múltiplas fraturas e lesões compatíveis com atropelamento por veículo pesado. A Polícia Rodoviária Federal isolou o trecho e acionou a Polícia Científica.
O ex-marido permaneceu no local e foi conduzido à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro, onde prestou depoimento. Segundo a versão dele, o casal havia se separado há quatro meses, mas mantinha contato por causa dos dois filhos. Naquela manhã, ele teria oferecido carona à ex-mulher até o escritório de arquitetura onde ela trabalhava, na saída norte da cidade.
Ainda conforme o depoimento, durante o trajeto houve uma discussão e Ely teria aberto a porta da caminhonete em movimento, caindo na rodovia. O homem disse que tentou frear, mas não conseguiu evitar o atropelamento.
A Polícia Civil não se convenceu da versão. "Há inconsistências que precisam ser esclarecidas. A dinâmica de uma pessoa abrir a porta e cair de uma caminhonete em velocidade de rodovia não é trivial. Precisamos das imagens", disse o delegado responsável pelo caso.
O ex-marido foi liberado após o depoimento, mas a polícia requisitou imagens de câmeras de segurança da BR-163 e de fazendas próximas ao km 518. O celular da vítima e do suspeito foram apreendidos para análise.
Contexto e Histórico
A BR-163 é a rodovia mais movimentada de Mato Grosso do Sul, com 845 km de extensão cortando o estado de norte a sul. O trecho onde Ely morreu — km 518, saída de Campo Grande — tem pista simples, velocidade permitida de 80 km/h e tráfego intenso de caminhões durante o período de safra.
Mortes de mulheres em circunstâncias envolvendo ex-companheiros são tratadas com atenção redobrada pela Polícia Civil de MS desde 2020, quando o estado criou o protocolo de investigação de feminicídio. O protocolo determina que toda morte de mulher em contexto de violência doméstica ou envolvendo companheiro/ex-companheiro deve ser investigada inicialmente como feminicídio, até que se prove o contrário.
Em 2025, 34 mulheres foram assassinadas em MS. Dessas, 28 foram classificadas como feminicídio — em 82% dos casos, o autor era companheiro ou ex-companheiro. A BR-163 já foi cenário de outros casos suspeitos. Em 2024, uma mulher foi encontrada morta às margens da rodovia em Dourados, e o ex-namorado foi preso três meses depois.
"Quando uma mulher morre e o ex-marido está presente, a investigação começa pelo feminicídio. Não é presunção de culpa, é protocolo. A gente investiga pra confirmar ou descartar", explicou a delegada da DEAM de Campo Grande.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais de Campo Grande. Colegas de profissão de Ely publicaram homenagens e pediram justiça. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de MS (CAU-MS) emitiu nota lamentando a morte e pedindo "apuração rigorosa das circunstâncias".
A comunidade de arquitetos de Campo Grande é relativamente pequena — cerca de 2.800 profissionais registrados no CAU-MS. Ely era conhecida por projetos residenciais na região do Jardim dos Estados e do Rita Vieira. "Era uma profissional competente, mãe dedicada. A gente não aceita que isso tenha sido acidente", disse uma colega ao Campo Grande News.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que, entre janeiro e março de 2026, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande registrou 1.347 boletins de ocorrência por violência doméstica — média de quase 15 por dia. Do total, 412 envolviam ex-companheiros. O número representa alta de 9% frente ao mesmo período de 2025. Na capital sul-mato-grossense, o calor de quase 38 °C que castigava a cidade naquela segunda-feira contrastava com o silêncio dos colegas de Ely reunidos na calçada do escritório onde ela trabalhava, no cruzamento da Rua Ceará com a Avenida Afonso Pena.
Impacto Para a População
O caso levanta questões sobre a segurança de mulheres em situações de separação e sobre a investigação de mortes suspeitas em rodovias.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Vítima | Arquiteta, 34 anos |
| Suspeito | Ex-marido, 37 anos |
| Local | Km 518, BR-163, Campo Grande |
| Horário | Aproximadamente 7h40 |
| Veículo | Toyota Hilux |
| Versão do ex-marido | Queda acidental da caminhonete |
| Posição da polícia | Feminicídio não descartado |
| Filhos do casal | 2 |
| Separação | 4 meses |
| Feminicídios em MS (2025) | 34 |
Para os dois filhos do casal — cujas idades não foram divulgadas — a perda da mãe é devastadora. Se o pai for indiciado por feminicídio, as crianças perdem ambos os pais de uma vez. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar a situação dos menores.
Para as mulheres de MS que vivem processos de separação conflituosos, o caso é um alerta. A Rede de Proteção à Mulher orienta que, em situações de risco, a mulher evite ficar sozinha com o ex-companheiro e comunique a familiares e amigos sobre deslocamentos. Medidas protetivas podem ser solicitadas mesmo sem registro de agressão física prévia.
O Que Dizem os Envolvidos
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado como "morte a esclarecer" e que a investigação está em andamento. "O ex-marido foi ouvido e liberado, mas não está descartado como suspeito. Aguardamos as imagens das câmeras e o laudo pericial", disse o delegado.
A PRF confirmou que o trecho do km 518 da BR-163 tem câmeras de monitoramento e que as imagens foram requisitadas pela Polícia Civil.
O CAU-MS emitiu nota: "Lamentamos profundamente a morte da arquiteta Ely e pedimos que as autoridades apurem com rigor as circunstâncias. A comunidade de arquitetos de MS está em luto."
O advogado do ex-marido disse que seu cliente "está colaborando com a investigação e que a morte foi um acidente trágico".
Próximos Passos
A Polícia Civil aguarda as imagens das câmeras de segurança da BR-163, que devem ser entregues pela concessionária CCR MSVia em até 48 horas. A análise dos celulares apreendidos pode revelar mensagens e ligações que ajudem a esclarecer a dinâmica dos fatos.
O laudo da Polícia Científica — incluindo a perícia no veículo e no local — deve ser concluído em até 30 dias. Se as evidências apontarem para feminicídio, o ex-marido será indiciado e poderá ter a prisão preventiva decretada.
O corpo de Ely foi liberado pelo Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e o velório acontece nesta terça-feira (14) em Campo Grande.
Fechamento
Uma arquiteta de 34 anos. Mãe de dois filhos. Morta na BR-163, atropelada pela caminhonete do ex-marido. Acidente ou feminicídio — a resposta está nas câmeras que a polícia ainda não viu. Enquanto isso, mais uma mulher de MS é enterrada e mais duas crianças ficam sem mãe. Denúncias de violência doméstica: 190 (PM), 180 (Central da Mulher). Informações sobre o caso: Depac Centro (67) 3411-3700.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Midiamax (midiamax.com.br)
- PRF — Polícia Rodoviária Federal (gov.br/prf)
- CAU-MS — Conselho de Arquitetura e Urbanismo de MS (caums.gov.br)
💰 Morte na BR-163
Vítima
Arquiteta, 34 anos
Local
BR-163, saída de CG
Investigação
Feminicídio não descartado
Feminicídios em MS (2026)
11 no 1º trimestre
Fonte: Campo Grande News / Midiamax
❓ Perguntas Frequentes
Uma arquiteta de 34 anos, identificada como Ely, morreu na manhã desta segunda-feira (13) após cair de uma caminhonete em movimento e ser atropelada pelo mesmo veículo na BR-163, na saída de Campo Grande em direção a Jaraguari. A caminhonete era conduzida pelo ex-marido da vítima. A Polícia Civil ouviu o ex-marido e o liberou, mas não descarta a hipótese de feminicídio. A investigação busca imagens de câmeras de segurança da rodovia para esclarecer a dinâmica do acidente. O caso foi registrado inicialmente como morte a esclarecer.
A Polícia Civil de Campo Grande informou que não descarta a hipótese de feminicídio no caso da arquiteta que morreu na BR-163. O ex-marido foi ouvido na delegacia e liberado após prestar depoimento, mas permanece como investigado. A polícia busca imagens de câmeras de segurança instaladas ao longo da rodovia e de propriedades rurais próximas ao local do acidente para determinar se a queda da caminhonete foi acidental ou provocada. Testemunhas que trafegavam pela rodovia no momento do acidente também estão sendo procuradas. O laudo da perícia deve ser concluído em até 30 dias.
Feminicídio é o homicídio de uma mulher praticado em razão da condição de sexo feminino, tipificado no artigo 121, parágrafo 2º-A do Código Penal brasileiro desde 2015. Configura-se feminicídio quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena é de 12 a 30 anos de reclusão, mais grave que o homicídio simples (6 a 20 anos). Agravantes incluem presença de filhos menores, gravidez e crime cometido por cônjuge ou ex-cônjuge. No caso da BR-163, a relação entre vítima e suspeito (ex-marido) é o elemento que mantém a hipótese de feminicídio aberta na investigação.
Camila Ferreira
Repórter
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