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segunda-feira, 13 de abril de 2026
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Bebê de 1 ano morre dois dias após afogamento em piscina em Costa Rica

Criança foi socorrida em estado grave na quinta-feira e não resistiu aos ferimentos no hospital de Campo Grande

Camila Ferreira6 min de leituraCosta Rica
Bebê de 1 ano morre dois dias após afogamento em piscina em Costa Rica

O bebê de 1 ano socorrido em estado grave após se afogar em uma piscina residencial em Costa Rica, a 330 quilômetros de Campo Grande, não resistiu. A criança morreu na manhã deste sábado (11) no hospital para onde havia sido transferida na capital. Foram dois dias de luta.

O Que Aconteceu

O afogamento aconteceu na tarde de quinta-feira (9), por volta das 15h30, em uma residência no perímetro urbano de Costa Rica. O calor de 37 °C naquela tarde empurrava moradores para quintais e varandas. Segundo o boletim de ocorrência, familiares encontraram o bebê dentro da piscina e iniciaram manobras de reanimação antes da chegada do Samu.

A equipe do Samu chegou ao local em aproximadamente 12 minutos e conseguiu restabelecer os sinais vitais da criança. O bebê foi encaminhado inicialmente ao Hospital Municipal de Costa Rica, onde a equipe de plantão — composta por um clínico geral e uma enfermeira — estabilizou o quadro antes de solicitar a transferência. A gravidade do quadro — parada cardiorrespiratória seguida de edema cerebral — exigiu transferência para um hospital de maior complexidade em Campo Grande.

A criança deu entrada na Santa Casa de Campo Grande na madrugada de sexta-feira (10), já em estado gravíssimo, com comprometimento neurológico severo. Apesar dos esforços da equipe médica, o bebê faleceu na manhã de sábado.

A Polícia Civil de Costa Rica instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do afogamento. A investigação vai determinar se houve negligência na supervisão da criança. Até o momento, ninguém foi preso ou indiciado. O delegado responsável pelo caso ouviu quatro familiares nas primeiras 48 horas e requisitou laudo do IML de Campo Grande.

Contexto e Histórico

Afogamentos em piscinas residenciais são a segunda maior causa de morte acidental de crianças de 1 a 4 anos no Brasil, atrás apenas de acidentes de trânsito. Em Mato Grosso do Sul, o Corpo de Bombeiros registrou 87 óbitos por afogamento em 2025, dos quais 14 envolveram crianças de até 5 anos. Piscinas respondem por 35% dos casos infantis.

Costa Rica, município de 22 mil habitantes no norte de MS, não tem UTI pediátrica. A transferência para Campo Grande — uma viagem de mais de três horas por rodovia — é o protocolo padrão para casos graves. O tempo entre o afogamento e o atendimento especializado é determinante para o prognóstico. Estudos médicos indicam que cada minuto de submersão reduz em 10% as chances de recuperação neurológica completa.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria estima que 16 crianças morrem afogadas por dia durante o verão. A maioria dos casos acontece em ambientes domésticos — piscinas, baldes, tanques — e poderia ser evitada com supervisão adequada. A legislação brasileira não obriga a instalação de cercas em piscinas residenciais em âmbito federal, embora alguns municípios tenham leis locais. Campo Grande, por exemplo, exige cerca de 1,50 metro com portão autotravante em piscinas de condomínios, mas a fiscalização é precária. Em todo o estado, apenas 3 dos 79 municípios possuem legislação específica sobre segurança em piscinas residenciais.

Costa Rica fica encravada no cerrado do norte sul-mato-grossense, onde o calor ultrapassa 38 °C entre setembro e março. Piscinas de fibra e de alvenaria se multiplicaram nos quintais da cidade nos últimos cinco anos — a prefeitura estima que existam cerca de 1.400 piscinas residenciais para uma população de 22 mil habitantes, proporção de uma piscina para cada 16 moradores. O Corpo de Bombeiros local, com efetivo de apenas 18 militares, não dispõe de programa específico de vistoria em piscinas domésticas. A legislação municipal de Costa Rica não exige cerca, alarme ou qualquer dispositivo de segurança em piscinas particulares — lacuna que se repete em 74 dos 79 municípios de MS.

"Bastam 2,5 centímetros de água para uma criança se afogar. Não precisa ser piscina grande. Balde, banheira, tanque — qualquer acúmulo de água é risco", alertou o tenente-coronel do CBMMS durante campanha de prevenção em março.

Impacto Para a População

A morte do bebê em Costa Rica reacende o debate sobre segurança em piscinas residenciais no estado.

Aspecto Detalhe
Vítima Bebê de 1 ano
Local Piscina residencial, Costa Rica-MS
Data do afogamento 9 de abril de 2026
Data do óbito 11 de abril de 2026
Distância até hospital especializado 330 km (Campo Grande)
Afogamentos em MS (2025) 87 óbitos
Crianças até 5 anos (2025) 14 óbitos
Piscinas nos casos infantis 35%

Para famílias do interior de MS, a distância dos centros de referência médica agrava qualquer emergência. Costa Rica não tem UTI pediátrica, e a transferência aérea — que poderia reduzir o tempo de deslocamento — depende de disponibilidade de aeronave e condições meteorológicas. O helicóptero do Samu Aéreo de MS, baseado em Campo Grande, atende todo o estado, mas a demanda supera a capacidade. Em 2025, o Samu Aéreo realizou 312 transferências, porém recusou outras 187 por indisponibilidade de aeronave ou condições climáticas desfavoráveis. Para famílias de municípios como Costa Rica, Coxim e Porto Murtinho, a viagem terrestre de três a cinco horas até a capital continua sendo a regra — e cada minuto perdido reduz as chances de sobrevivência em emergências pediátricas.

O Que Dizem os Envolvidos

A prefeitura de Costa Rica emitiu nota lamentando o falecimento da criança e informou que a Secretaria Municipal de Saúde acompanhou o caso desde o primeiro atendimento. "Toda a equipe do Samu e do hospital municipal se empenhou para estabilizar a criança e viabilizar a transferência no menor tempo possível", diz o comunicado.

O Corpo de Bombeiros de MS reforçou as orientações de prevenção. "Criança perto de água exige olho no olho, o tempo todo. Não é pra ficar olhando celular. Não é pra ir atender o telefone. É supervisão direta, sem distração", disse o capitão do CBMMS em entrevista ao Campo Grande News.

A família da criança não se manifestou publicamente.

Próximos Passos

A Polícia Civil de Costa Rica deve concluir o inquérito em até 30 dias. A investigação vai ouvir familiares e testemunhas para determinar as circunstâncias exatas do afogamento.

O CBMMS anunciou que vai intensificar as campanhas de prevenção a afogamentos nos municípios do interior durante o mês de abril, com foco em escolas e unidades de saúde. O material educativo inclui orientações sobre cercamento de piscinas, supervisão de crianças e primeiros socorros em caso de afogamento.

Na Câmara Municipal de Campo Grande, um projeto de lei que obriga a instalação de alarmes sonoros em piscinas residenciais está em tramitação desde 2025, mas ainda não foi votado.

Fechamento

Um ano de vida. Dois dias de luta. A morte do bebê em Costa Rica é o tipo de tragédia que não deveria acontecer, mas acontece com frequência assustadora. Piscina sem cerca, criança sem supervisão, hospital especializado a 330 quilômetros. A equação é conhecida. A solução também. Falta aplicar. Quem precisar de orientações sobre prevenção a afogamentos pode ligar para o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • CBMMS — Corpo de Bombeiros Militar de MS (cbm.ms.gov.br)
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (sbp.com.br)

💰 Afogamentos em MS

1

Vítima

Bebê de 1 ano

2

Local

Piscina residencial

3

Cidade

Costa Rica-MS

4

Afogamentos em MS (2025)

87 óbitos

Fonte: Campo Grande News / Midiamax

❓ Perguntas Frequentes

Um bebê de 1 ano foi socorrido em estado grave após se afogar em uma piscina residencial na tarde de quinta-feira (9), em Costa Rica, município a cerca de 330 quilômetros de Campo Grande. A criança foi encontrada na água por familiares e recebeu os primeiros socorros no local antes da chegada do Samu. Transferida para um hospital de Campo Grande, a criança não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã de sábado (11). As circunstâncias do afogamento estão sendo investigadas pela Polícia Civil.

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul recomenda uma série de medidas para prevenir afogamentos infantis em piscinas residenciais. A principal é nunca deixar crianças menores de 5 anos sem supervisão direta de um adulto, mesmo em piscinas rasas ou infláveis. Cercas com no mínimo 1,20 metro de altura e portão com trava automática devem isolar a área da piscina. Capas de proteção rígidas também são recomendadas quando a piscina não está em uso. Boias e coletes salva-vidas não substituem a supervisão de um adulto. Em caso de emergência, ligar imediatamente para o 193 (Bombeiros) ou 192 (Samu).

Segundo dados do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, o estado registrou 87 óbitos por afogamento em 2025, dos quais 14 envolveram crianças de até 5 anos. Piscinas residenciais respondem por cerca de 35% dos afogamentos infantis no estado, seguidas por rios e córregos. O período de outubro a março concentra o maior número de ocorrências, coincidindo com o calor intenso e as férias escolares. O CBMMS mantém campanhas permanentes de prevenção e oferece cursos gratuitos de primeiros socorros em parceria com escolas e associações de moradores.

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CF

Camila Ferreira

Repórter