Emergência ambiental: Governo Federal declara estado de alerta no Pantanal e Bombeiros ativam Operação 2026
Ministério do Meio Ambiente decreta emergência de abril a dezembro no bioma. CBMMS antecipa preparação com drones, bases avançadas e R$ 24 milhões em equipamentos

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) declarou estado de emergência ambiental para o Pantanal de Mato Grosso do Sul pelo período de abril a dezembro de 2026, em resposta ao cenário de alto risco de incêndios florestais que ameaça o maior bioma de área alagável do planeta. Paralelamente, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) antecipou a ativação da Operação Pantanal 2026, mobilizando tropas, equipamentos e tecnologia de ponta para enfrentar uma temporada de incêndios que promete ser uma das mais desafiadoras da última década.
A decisão do governo federal veio após a análise de indicadores climáticos e hidrológicos que apontam para um cenário preocupante: o fenômeno El Niño continua influenciando o regime de chuvas na região, provocando temperaturas acima da média e irregularidade pluviométrica. Somado a isso, o nível do Rio Paraguai — principal curso d'água do Pantanal — registrou marcas abaixo da média histórica para o início do ano, o que aumenta a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.
Janeiro de 2026: o pior da década
Os sinais de alerta surgiram cedo. O mês de janeiro de 2026 foi classificado como o pior janeiro da última década para incêndios florestais em Mato Grosso do Sul. Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) revelaram que entre 1º e 27 de janeiro foram queimados quase 50 mil hectares de vegetação no estado — uma área superior ao dobro da registrada no mesmo período de 2024, quando o Pantanal viveu uma de suas piores crises ambientais.
Focos de incêndio foram identificados em regiões como o Pantanal da Nabileque, a Baia do Tuiuiú e áreas adjacentes ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, exigindo a mobilização imediata de equipes de combate do CBMMS e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama/Prevfogo).
A vegetação acumulada de anos anteriores — resultado direto da seca prolongada que atingiu o bioma em 2024 e 2025 — funciona como combustível natural, amplificando a propagação do fogo e dificultando o controle dos incêndios. Especialistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) alertaram que a carga de material combustível no Pantanal sul-mato-grossense está em níveis críticos para 2026.
R$ 24 milhões em equipamentos e preparação
Para fortalecer a capacidade de resposta do estado contra a temporada de seca, o governo federal anunciou o repasse de aproximadamente R$ 24 milhões ao Mato Grosso do Sul, por meio do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais. Os recursos estão sendo utilizados para a aquisição de equipamentos estratégicos para o CBMMS:
| Equipamento | Quantidade | Finalidade |
|---|---|---|
| Caminhões Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF) | 6 unidades | Combate direto em áreas rurais |
| Mochilas de combate a incêndio | 200 unidades | Brigadas de solo |
| Sopradores térmicos | 80 unidades | Criação de aceiros |
| EPIs especializados | 300 conjuntos | Proteção dos bombeiros |
| GPS de mão | 50 unidades | Navegação em áreas remotas |
Os caminhões ABTF são considerados essenciais para o combate em terrenos de difícil acesso, como as estradas de chão batido que cortam as fazendas pantaneiras. Com capacidade de 6 mil litros de água e sistema de jato de longo alcance, os veículos permitem ações rápidas de contenção antes que o fogo se alastre para extensas áreas de vegetação nativa.
Drones com sensores de calor: nova tecnologia
Uma das apostas do CBMMS para 2026 é o uso de drones equipados com sensores de calor (câmeras termais), que permitem identificar focos de incêndio com maior agilidade — inclusive focos subterrâneos, que ardem sob a camada de matéria orgânica do solo pantaneiro e podem deflagrar novos incêndios dias após o combate aparente ter sido concluído.
A corporação adquiriu oito drones com autonomia de voo de até 45 minutos e alcance de 7 quilômetros, capazes de cobrir extensas áreas em curto espaço de tempo. Os equipamentos transmitem imagens em tempo real para centros de comando, permitindo que os oficiais coordenem a alocação de tropas e veículos com precisão cirúrgica.
A tecnologia já foi testada com sucesso em operações realizadas no início de 2026, quando drones identificaram focos de incêndio em estágio inicial na região do Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, permitindo que as equipes de combate chegassem ao local antes que o fogo se espalhasse para além do ponto de origem.
Bases avançadas e queimas prescritas
O planejamento do CBMMS para a Operação Pantanal 2026 inclui a reativação de bases avançadas em regiões estratégicas do bioma, garantindo tempo de resposta reduzido. As bases, que funcionam como postos operacionais temporários equipados com alojamento, comunicação via satélite e estoque de água e insumos, estão sendo instaladas em pontos como:
- Fazenda San Francisco (Porto Murtinho)
- Base Miranda (Miranda)
- Estrada Parque Pantanal (Corumbá)
- Rio Negro (Aquidauana)
A corporação também prevê a realização de queimas prescritas — técnica de manejo florestal que consiste na queima controlada de vegetação seca em condições meteorológicas favoráveis — em unidades de conservação como o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e o Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari. A prática, adotada com sucesso na Austrália e nos Estados Unidos, reduz a carga de combustível vegetal e cria barreiras naturais contra a propagação de incêndios descontrolados.
Brigadas comunitárias e prevenção
Além das ações diretas de combate, o CBMMS investe no fortalecimento de brigadas de incêndio em propriedades rurais, capacitando fazendeiros, peões e comunidades ribeirinhas com técnicas básicas de prevenção e contenção. O programa, que já formou mais de 800 brigadistas voluntários em 2025, será ampliado em 2026 com meta de atingir 1.200 participantes até o início da temporada seca em junho.
A integração entre órgãos estaduais, federais e municipais é apontada como fundamental para a eficácia da resposta. O CBMMS opera em conjunto com o Ibama, a Polícia Militar Ambiental, o Exército Brasileiro e organizações não governamentais como o SOS Pantanal, que contribui com monitoramento via satélite e apoio logístico em operações de campo.
O Pantanal é o menor bioma brasileiro em extensão territorial — com aproximadamente 150 mil km² — mas abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, com mais de 2.000 espécies de plantas, 580 de aves, 270 de peixes e 130 de mamíferos. Os incêndios de 2020, que devastaram 30% da área total do bioma, representaram a pior catástrofe ambiental já registrada na região e serviram como alerta para a necessidade de investimentos permanentes em prevenção e combate.
Como denunciar queimadas
A população de Mato Grosso do Sul pode contribuir ativamente para a prevenção de incêndios denunciando queimadas irregulares e focos de fumaça por meio dos seguintes canais:
- Linha Verde do Ibama: 0800-618-080 (24 horas, gratuito)
- CBMMS: 193 (emergências)
- Polícia Militar Ambiental (PMA): (67) 3326-1170
- Aplicativo SOS Queimadas (Semadesc): disponível para Android e iOS
As queimadas sem autorização do órgão ambiental competente configuram crime ambiental (artigo 41 da Lei 9.605/1998), com pena de 2 a 4 anos de reclusão e multa. Quando a queimada atinge unidades de conservação ou terras indígenas, a pena é aumentada em um terço. Em 2025, a Polícia Militar Ambiental de MS lavrou 320 autos de infração por queimadas ilegais, com multas que totalizaram mais de R$ 45 milhões — valores destinados ao Fundo de Defesa e Reparação de Interesses Difusos Lesados do estado.
O comandante do CBMMS reforçou que a prevenção começa na propriedade rural e nas cidades: manter terrenos limpos, não queimar lixo e criar aceiros nas divisas de pastagens são medidas simples que podem evitar catástrofes de proporções incalculáveis para o Pantanal.
Fonte: Corpo de Bombeiros Militar de MS (bombeiros.ms.gov.br), Agência de Notícias do Governo de MS, Campo Grande News, Semadesc
💰 Números da crise ambiental
Investimento federal
R$ 24 milhões
Emergência declarada
Abril a dezembro 2026
Hectares queimados (jan)
~50 mil
Focos janeiro 2026
Pior da década
Fonte: CBMMS / bombeiros.ms.gov.br / MMA
❓ Perguntas Frequentes
O Ministério do Meio Ambiente declarou estado de emergência de abril a dezembro de 2026 devido ao alto risco de incêndios florestais, agravado pelo fenômeno El Niño, temperaturas acima da média e nível do Rio Paraguai abaixo da média histórica.
Foram anunciados R$ 24 milhões em repasses ao estado, destinados à aquisição de caminhões Auto Bomba Tanque Florestal, mochilas de combate, sopradores, EPIs e GPS de mão.
Juliana Mendes
Repórter
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