Câmara de Campo Grande vota revisão do Plano Diretor com polêmicas sobre verticalização
Projeto altera regras de gabarito para permitir prédios mais altos em bairros residenciais; vereadores da oposição pedem audiência pública extra

Prédios de 20 andares em bairros residenciais. Essa é a principal polêmica da revisão do Plano Diretor de Campo Grande, que será votada pela Câmara Municipal nesta segunda-feira, 20 de abril. O projeto da Prefeitura propõe elevar o gabarito máximo de construção em 12 bairros da capital, permitindo edifícios mais altos onde hoje o limite é de 8 pavimentos.
O Que Está em Jogo
O projeto de lei complementar encaminhado pela Prefeitura propõe a revisão do Plano Diretor vigente (Lei Complementar nº 341/2018) com foco em três eixos:
- Verticalização: elevação do gabarito de 8 para até 20 pavimentos em 12 bairros localizados ao longo de corredores de transporte coletivo
- Uso misto: permissão para atividades comerciais em áreas atualmente classificadas como exclusivamente residenciais
- Estacionamento: redução da exigência mínima de vagas de garagem em empreendimentos próximos a terminais de ônibus
A Prefeitura argumenta que a verticalização é necessária para adensar a cidade ao longo dos eixos de transporte, reduzir o custo da infraestrutura urbana e conter o espraiamento que encarece serviços públicos como coleta de lixo, transporte e saneamento.
A Polêmica
Vereadores da oposição protocolaram pedido de audiência pública extraordinária antes da votação, argumentando que as três audiências já realizadas — em janeiro, fevereiro e março — não foram suficientes para ouvir os moradores dos bairros diretamente afetados.
"Não se muda a cara de uma cidade sem ouvir quem mora nela. Moradores do Jardim dos Estados, do Monte Castelo e do Amambaí vão acordar com prédios de 20 andares na porta de casa e ninguém perguntou se eles querem isso", argumentou o vereador líder da oposição durante sessão preparatória.
A bancada governista defende a votação na data prevista. "Já fizemos três audiências públicas, recebemos mais de 400 contribuições da sociedade civil, e o projeto incorporou 67 dessas sugestões. Adiar mais uma vez é atrasar o desenvolvimento da cidade", respondeu o líder do governo na Câmara.
Os Bairros Afetados
Os 12 bairros identificados para a ampliação do gabarito ficam ao longo dos principais corredores viários:
- Corredor Afonso Pena: Jardim dos Estados, Monte Castelo, Amambaí
- Corredor Fernando Corrêa: São Francisco, Tiradentes, Cabreúva
- Corredor Júlio de Castilho: Itanhangá Park, Taveirópolis
- Corredor Mato Grosso: Santo Amaro, Jardim Paulista, Vila Progresso, Pioneiros
A verticalização seria permitida apenas em terrenos com frente para avenidas de mais de 20 metros de largura, mantendo as restrições atuais para ruas internas dos bairros.
O Que Dizem os Especialistas
Urbanistas ouvidos pela reportagem têm posições divididas. Defensores argumentam que a verticalização reduz o preço do metro quadrado ao aumentar a oferta de unidades habitacionais em áreas já servidas por infraestrutura. Críticos alertam que, sem investimento proporcional em saneamento e mobilidade, os prédios altos vão sobrecarregar a infraestrutura existente e piorar problemas como alagamentos e congestionamentos.
A votação está prevista para as 9h desta segunda-feira, em sessão ordinária da Câmara Municipal.
💰 Revisão do Plano Diretor
Gabarito atual
Até 8 pavimentos (bairros)
Gabarito proposto
Até 20 pavimentos
Bairros afetados
12 bairros residenciais
Audiências públicas
3 realizadas + 1 pedida
Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande / Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
A principal alteração é a elevação do gabarito máximo de construção em 12 bairros residenciais de Campo Grande. Atualmente, esses bairros permitem prédios de até 8 pavimentos. Com a revisão, o limite sobe para até 20 pavimentos em áreas próximas a corredores de transporte coletivo e zonas de uso misto. A mudança visa adensar a cidade ao longo dos eixos de transporte, reduzindo o espraiamento urbano e otimizando a infraestrutura existente. Outras alterações incluem regras para estacionamento em novos empreendimentos, áreas de permeabilidade e exigências ambientais.
Os 12 bairros identificados no projeto são: Jardim dos Estados, Monte Castelo, Amambaí, São Francisco, Tiradentes, Cabreúva, Itanhangá Park, Taveirópolis, Santo Amaro, Jardim Paulista, Vila Progresso e Pioneiros. Todos ficam próximos aos corredores das avenidas Afonso Pena, Fernando Corrêa da Costa, Júlio de Castilho e Mato Grosso, que são eixos de transporte coletivo. A verticalização seria permitida apenas em terrenos com frente para avenidas de mais de 20 metros de largura, mantendo as restrições de gabarito para ruas internas dos bairros.
Os vereadores de oposição argumentam que a verticalização sem planejamento adequado pode causar sobrecarga na infraestrutura de saneamento e abastecimento de água, aumento do trânsito em ruas que não foram projetadas para alto volume, descaracterização de bairros tradicionais com identidade residencial, valorização imobiliária que expulsa moradores de baixa renda, e sombreamento excessivo em imóveis vizinhos. Eles pedem uma audiência pública adicional antes da votação, alegando que as três já realizadas não foram suficientes para ouvir todos os moradores afetados.
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Marcos Vinícius Borges
Repórter
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