Caravana da Castração encerra 1ª etapa com 20 mil animais em 63 municípios
Programa estadual de bem-estar animal atendeu cães e gatos em todo MS e governador Riedel participa do encerramento

Vinte mil cirurgias. Sessenta e três municípios. A Caravana da Castração de Mato Grosso do Sul encerrou sua primeira etapa nesta sexta-feira (10) com números que impressionam — e com o governador Eduardo Riedel (PP) presente na cerimônia de encerramento em Campo Grande. O programa castrou gratuitamente cães e gatos de famílias de baixa renda em 80% dos municípios do estado.
O Que Aconteceu
O encerramento da primeira etapa aconteceu no Centro de Controle de Zoonoses de Campo Grande, com a presença de Riedel, do secretário de Meio Ambiente e de representantes da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). O balanço final: 20.147 animais castrados — 12.890 cães e 7.257 gatos — em 63 dos 79 municípios de MS.
A Caravana começou em outubro de 2025 e percorreu o estado com equipes itinerantes de veterinários. Cada município recebeu a caravana por 3 a 5 dias, com capacidade para realizar entre 150 e 400 cirurgias por passagem. Em Dourados, a equipe operou 410 animais em quatro dias — recorde da primeira etapa. O investimento total foi de R$ 6,2 milhões, integralmente bancado pelo governo estadual.
"Esse programa não é só sobre animais. É sobre saúde pública, sobre dignidade, sobre cuidar de quem não pode pagar um veterinário particular", disse Riedel durante o evento.
A prioridade foi para famílias cadastradas no CadÚnico e para animais comunitários — aqueles sem dono definido que vivem em bairros e são alimentados por moradores. Animais comunitários representaram 28% do total de cirurgias. O custo médio por cirurgia ficou em R$ 310, incluindo anestesia, medicação e acompanhamento pós-operatório.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul tem uma população estimada de 1,2 milhão de cães e 400 mil gatos, segundo a Iagro. Desses, cerca de 180 mil vivem em situação de rua — sem dono, sem vacinação, sem controle reprodutivo. A superpopulação de animais de rua é problema crônico em municípios de todos os portes.
Antes da Caravana, o acesso à castração gratuita era limitado a Campo Grande e Dourados, que mantêm programas municipais. No interior, o custo de uma castração em clínica particular varia de R$ 300 a R$ 800, valor proibitivo para famílias de baixa renda. O resultado: ninhadas indesejadas, abandono e aumento da população de rua. Em Coxim, município de 34 mil habitantes no norte do estado, a zoonoses municipal estima que a população de cães de rua triplicou entre 2018 e 2025 por falta de programa de castração.
A castração é a medida mais eficaz de controle populacional, segundo a OMS. A organização recomenda que pelo menos 70% da população de cães e gatos de uma cidade seja castrada para controle efetivo. Em MS, a estimativa é que apenas 25% dos animais domésticos sejam castrados — muito abaixo do ideal. Campo Grande, que mantém programa municipal desde 2019, alcançou taxa de 38% — a mais alta do estado, mas ainda distante da meta.
Os impactos na saúde pública são diretos. Em 2025, MS registrou 3.200 atendimentos por mordedura de cão em unidades do SUS. A leishmaniose visceral — transmitida por cães infectados — matou 8 pessoas no estado no mesmo ano. O controle da população canina de rua é uma das estratégias de prevenção.
No interior do estado, a situação é mais grave. Em municípios como Corumbá, Aquidauana e Miranda — na porta de entrada do Pantanal — matilhas de cães sem dono circulam pelas ruas de terra e disputam restos de comida nos mercados municipais. Em Corumbá, a zoonoses municipal recolheu 870 animais de rua em 2025, mas só conseguiu castrar 310 por falta de veterinários. A Caravana da Castração passou pela cidade em janeiro e realizou 380 cirurgias em quatro dias — mais do que o município conseguiu fazer em um ano inteiro com recursos próprios.
"Cada animal castrado é uma ninhada a menos na rua. São 6 a 8 filhotes que não vão nascer sem lar, sem vacina, sem comida. A conta é simples", explicou a veterinária coordenadora da Caravana.
Impacto Para a População
O programa beneficiou diretamente milhares de famílias e contribui para a saúde pública do estado.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Animais castrados | 20.147 |
| Cães | 12.890 |
| Gatos | 7.257 |
| Municípios atendidos | 63 de 79 |
| Investimento | R$ 6,2 milhões |
| Custo por cirurgia | R$ 310 |
| Pop. canina estimada em MS | 1,2 milhão |
| Animais de rua | ~180 mil |
| Taxa de castração em MS | ~25% |
| Meta OMS | 70% |
Para as famílias beneficiadas, a castração gratuita elimina um custo que seria impossível de arcar. Uma mãe solo com dois filhos e renda de um salário mínimo não tem R$ 500 para castrar a cadela. Sem castração, a cadela tem filhotes. Sem condições de cuidar, os filhotes vão para a rua. O ciclo se repete.
Para os municípios, a redução da população de animais de rua diminui gastos com centros de zoonoses, atendimentos por mordedura e controle de doenças. O retorno estimado é de R$ 3 para cada R$ 1 investido em castração, segundo estudo da UFMS. Em Naviraí, onde a Caravana castrou 290 animais em dezembro de 2025, a zoonoses municipal registrou queda de 18% nas queixas de moradores sobre cães soltos nos três meses seguintes.
O Que Dizem os Envolvidos
Riedel anunciou que a segunda etapa da Caravana vai atender os 16 municípios que ficaram de fora e ampliar o número de cirurgias nos municípios já atendidos. "A meta é chegar a 40 mil castrações até o final de 2026. Vamos dobrar o investimento."
A Iagro informou que a logística da segunda etapa está em planejamento, com previsão de início em agosto. Os municípios que ainda não foram atendidos — entre eles Bonito, Jardim e Bela Vista — terão prioridade.
Protetores de animais de Campo Grande elogiaram o programa, mas pediram ampliação. "Vinte mil é muito, mas a demanda é de 200 mil. Precisamos de continuidade, não de ação pontual", disse a presidente de uma ONG de proteção animal da capital.
Próximos Passos
A segunda etapa da Caravana da Castração está prevista para agosto de 2026, com investimento adicional de R$ 6,5 milhões. A meta é castrar mais 20 mil animais, totalizando 40 mil no ano.
O governo de MS também estuda a criação de um programa permanente de castração subsidiada, em parceria com clínicas veterinárias privadas. O modelo prevê que o estado pague 50% do custo da cirurgia para famílias com renda de até três salários mínimos.
A Iagro vai publicar o calendário da segunda etapa até junho, com datas e municípios confirmados.
Fechamento
Vinte mil animais castrados em 63 municípios. O número é expressivo, mas representa apenas 1,25% da população estimada de cães e gatos de MS. A Caravana é um começo — bom, necessário, mas insuficiente se não virar política permanente. Informações sobre castração gratuita podem ser obtidas nas secretarias de saúde ou meio ambiente dos municípios, ou pelo site da Iagro (iagro.ms.gov.br).
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Governo de MS (ms.gov.br)
- Iagro — Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (iagro.ms.gov.br)
- OMS — Organização Mundial da Saúde (who.int)
💰 Castração em números
Animais atendidos
20 mil
Municípios
63 de 79
Investimento
R$ 6,2 milhões
Custo por animal
R$ 310 (gratuito)
Fonte: Campo Grande News / Governo de MS
❓ Perguntas Frequentes
A primeira etapa da Caravana da Castração de Mato Grosso do Sul atendeu aproximadamente 20 mil animais — entre cães e gatos — em 63 dos 79 municípios do estado. O programa, coordenado pela Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) em parceria com prefeituras, ofereceu castração gratuita para animais de famílias cadastradas no CadÚnico e para animais comunitários. O investimento total da primeira etapa foi de R$ 6,2 milhões, com recursos do governo estadual. A segunda etapa está prevista para o segundo semestre de 2026, com meta de atender os 16 municípios restantes e ampliar o número de cirurgias.
Para inscrever seu animal na Caravana da Castração, é necessário procurar a secretaria de saúde ou de meio ambiente do seu município e verificar se há vagas disponíveis. A prioridade é para famílias cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais), mas animais comunitários (sem dono definido) também são atendidos. O tutor deve apresentar RG, CPF, comprovante de residência e carteira de vacinação do animal. Cães e gatos a partir de 6 meses de idade podem ser castrados. O procedimento é gratuito e inclui anestesia, cirurgia, medicação pós-operatória e acompanhamento veterinário.
A castração de cães e gatos é uma medida fundamental de saúde pública por diversos motivos. Primeiro, controla a superpopulação de animais de rua, que são vetores de doenças como raiva, leishmaniose e leptospirose. Segundo, reduz o número de ataques de cães a pessoas — em MS, foram registrados mais de 3.200 atendimentos por mordedura de cão em 2025. Terceiro, diminui o abandono de filhotes, que sobrecarrega abrigos e centros de zoonoses. Quarto, a castração previne doenças nos próprios animais, como tumores mamários e infecções uterinas. A OMS recomenda que pelo menos 70% da população de cães e gatos de uma cidade seja castrada para controle efetivo.
Patrícia Souza
Repórter
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