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sexta-feira, 03 de abril de 2026
🏙️ Cidades

Chuvas fortes causam alagamentos e deixam 3 mil sem energia em Três Lagoas

Temporal de 80 mm em duas horas inundou ruas do centro e bairros baixos. Defesa Civil registrou 14 chamados. Energisa trabalha para restabelecer rede elétrica.

Ana Carolina Ribeiro5 min de leituraTrês Lagoas
Chuvas fortes causam alagamentos e deixam 3 mil sem energia em Três Lagoas

Um temporal de forte intensidade atingiu Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, na madrugada desta segunda-feira, 31 de março, causando alagamentos em pelo menos 12 ruas do centro e bairros da região baixa da cidade. A precipitação acumulada em duas horas alcançou 80 milímetros, segundo estação meteorológica do Inmet instalada no município — volume equivalente a 40% da média histórica de chuva para todo o mês de março.

A Defesa Civil municipal registrou 14 chamados de emergência entre 2h30 e 6h da manhã, incluindo pedidos de resgate de moradores ilhados, remoção de árvores caídas e atendimento a pontos de deslizamento de terra. Não houve registro de feridos graves, mas três pessoas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com escoriações e sintomas de hipotermia.

Bairros mais atingidos

A Vila Piloto, bairro mais antigo e de topografia mais baixa, foi a área mais castigada. A água invadiu 38 residências e quatro estabelecimentos comerciais, atingindo até 60 centímetros em alguns pontos. Moradores da rua Getúlio Vargas relataram que "o córrego que corta o bairro transbordou em menos de 30 minutos", arrastando lixo, entulho e veículos estacionados.

No Jardim Alvorada, a enxurrada desceu pela avenida principal e invadiu o pátio da Escola Estadual Padre João Tomes, causando danos ao depósito de merenda escolar. A direção da escola informou que as aulas da manhã foram suspensas e que o prejuízo em alimentos e materiais pedagógicos está sendo calculado.

O centro comercial de Três Lagoas também foi afetado. Lojistas da rua Antônio Trajano registraram água dentro dos estabelecimentos e acionaram seguros comerciais. A Associação Comercial estimou prejuízos preliminares na ordem de R$ 800 mil, considerando mercadorias danificadas, equipamentos e tempo de paralisação das atividades.

Queda de energia e resposta da Energisa

O temporal provocou a queda de três transformadores de rede e a ruptura de cabos de energia em sete pontos da cidade, deixando aproximadamente 3 mil consumidores sem fornecimento elétrico. A Energisa Mato Grosso do Sul mobilizou 12 equipes de campo para os reparos e informou que 90% dos pontos afetados tiveram a energia restabelecida até as 22h de segunda-feira.

Os pontos mais críticos — localizados em áreas com árvores de grande porte que caíram sobre a rede — levaram até 18 horas para serem normalizados. A concessionária afirmou que investiu R$ 47 milhões em manutenção preventiva da rede de Três Lagoas em 2025, incluindo a poda de 4.800 árvores em área de servidão de rede, mas reconheceu que "eventos climáticos de extrema intensidade superam a capacidade de qualquer sistema de distribuição".

Infraestrutura e drenagem deficiente

Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que os alagamentos recorrentes em Três Lagoas são resultado da combinação de urbanização acelerada, impermeabilização excessiva do solo e sistema de drenagem que não acompanhou o crescimento populacional da cidade — que saltou de 85 mil para 130 mil habitantes nos últimos 15 anos, impulsionado pela indústria de celulose.

O engenheiro civil Marcos Paranaíba, professor da UFMS campus de Três Lagoas, explicou que o sistema de micro e macrodrenagem da cidade foi dimensionado para uma população de 80 mil habitantes. "A cidade cresceu 53% e o sistema de drenagem não foi ampliado proporcionalmente. As galerias pluviais do centro têm capacidade para absorver até 40 mm por hora. Quando chove 80 mm em duas horas, o excedente simplesmente vai para as ruas."

A Prefeitura de Três Lagoas reconheceu o problema e informou que um projeto de ampliação do sistema de macrodrenagem — orçado em R$ 120 milhões — está em fase de licitação, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é que as obras comecem no segundo semestre de 2026 e durem três anos.

Famílias desalojadas e assistência

A Secretaria de Assistência Social do município informou que 22 famílias foram removidas preventivamente de áreas de risco e encaminhadas ao Centro de Convivência Municipal, onde receberam colchões, kits de higiene e alimentação. Seis famílias cuja residência teve danos estruturais foram encaminhadas ao programa de aluguel social enquanto os imóveis são avaliados pela Defesa Civil.

A Prefeitura decretou situação de emergência por 90 dias, o que permite a contratação de serviços e aquisição de materiais sem licitação para as ações de resposta ao desastre. O Corpo de Bombeiros manteve equipes de plantão durante todo o dia para monitorar novos pontos de risco, em razão da previsão do Inmet de novas pancadas de chuva na região até quarta-feira.

Fonte: Defesa Civil / Energisa / Prefeitura de Três Lagoas

❓ Perguntas Frequentes

Os bairros Vila Piloto, Jardim Alvorada e centro comercial foram os mais atingidos, com água chegando a 60 cm nas ruas.

22 famílias foram removidas preventivamente e encaminhadas ao Centro de Convivência Municipal.

A Energisa informou que 90% dos pontos afetados tiveram energia restabelecida até as 22h do mesmo dia, mas alguns pontos isolados levaram até 18 horas.

A combinação de chuva intensa (80 mm em 2h), sistema de drenagem subdimensionado e impermeabilização excessiva do solo urbano.

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AC

Ana Carolina Ribeiro

Repórter