Chuvas fortes causam alagamentos e deixam 3 mil sem energia em Três Lagoas
Temporal de 80 mm em duas horas inundou ruas do centro e bairros baixos. Defesa Civil registrou 14 chamados. Energisa trabalha para restabelecer rede elétrica.

Um temporal de forte intensidade atingiu Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, na madrugada desta segunda-feira, 31 de março, causando alagamentos em pelo menos 12 ruas do centro e bairros da região baixa da cidade. A precipitação acumulada em duas horas alcançou 80 milímetros, segundo estação meteorológica do Inmet instalada no município — volume equivalente a 40% da média histórica de chuva para todo o mês de março.
A Defesa Civil municipal registrou 14 chamados de emergência entre 2h30 e 6h da manhã, incluindo pedidos de resgate de moradores ilhados, remoção de árvores caídas e atendimento a pontos de deslizamento de terra. Não houve registro de feridos graves, mas três pessoas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com escoriações e sintomas de hipotermia.
Bairros mais atingidos
A Vila Piloto, bairro mais antigo e de topografia mais baixa, foi a área mais castigada. A água invadiu 38 residências e quatro estabelecimentos comerciais, atingindo até 60 centímetros em alguns pontos. Moradores da rua Getúlio Vargas relataram que "o córrego que corta o bairro transbordou em menos de 30 minutos", arrastando lixo, entulho e veículos estacionados.
No Jardim Alvorada, a enxurrada desceu pela avenida principal e invadiu o pátio da Escola Estadual Padre João Tomes, causando danos ao depósito de merenda escolar. A direção da escola informou que as aulas da manhã foram suspensas e que o prejuízo em alimentos e materiais pedagógicos está sendo calculado.
O centro comercial de Três Lagoas também foi afetado. Lojistas da rua Antônio Trajano registraram água dentro dos estabelecimentos e acionaram seguros comerciais. A Associação Comercial estimou prejuízos preliminares na ordem de R$ 800 mil, considerando mercadorias danificadas, equipamentos e tempo de paralisação das atividades.
Queda de energia e resposta da Energisa
O temporal provocou a queda de três transformadores de rede e a ruptura de cabos de energia em sete pontos da cidade, deixando aproximadamente 3 mil consumidores sem fornecimento elétrico. A Energisa Mato Grosso do Sul mobilizou 12 equipes de campo para os reparos e informou que 90% dos pontos afetados tiveram a energia restabelecida até as 22h de segunda-feira.
Os pontos mais críticos — localizados em áreas com árvores de grande porte que caíram sobre a rede — levaram até 18 horas para serem normalizados. A concessionária afirmou que investiu R$ 47 milhões em manutenção preventiva da rede de Três Lagoas em 2025, incluindo a poda de 4.800 árvores em área de servidão de rede, mas reconheceu que "eventos climáticos de extrema intensidade superam a capacidade de qualquer sistema de distribuição".
Infraestrutura e drenagem deficiente
Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que os alagamentos recorrentes em Três Lagoas são resultado da combinação de urbanização acelerada, impermeabilização excessiva do solo e sistema de drenagem que não acompanhou o crescimento populacional da cidade — que saltou de 85 mil para 130 mil habitantes nos últimos 15 anos, impulsionado pela indústria de celulose.
O engenheiro civil Marcos Paranaíba, professor da UFMS campus de Três Lagoas, explicou que o sistema de micro e macrodrenagem da cidade foi dimensionado para uma população de 80 mil habitantes. "A cidade cresceu 53% e o sistema de drenagem não foi ampliado proporcionalmente. As galerias pluviais do centro têm capacidade para absorver até 40 mm por hora. Quando chove 80 mm em duas horas, o excedente simplesmente vai para as ruas."
A Prefeitura de Três Lagoas reconheceu o problema e informou que um projeto de ampliação do sistema de macrodrenagem — orçado em R$ 120 milhões — está em fase de licitação, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é que as obras comecem no segundo semestre de 2026 e durem três anos.
Famílias desalojadas e assistência
A Secretaria de Assistência Social do município informou que 22 famílias foram removidas preventivamente de áreas de risco e encaminhadas ao Centro de Convivência Municipal, onde receberam colchões, kits de higiene e alimentação. Seis famílias cuja residência teve danos estruturais foram encaminhadas ao programa de aluguel social enquanto os imóveis são avaliados pela Defesa Civil.
A Prefeitura decretou situação de emergência por 90 dias, o que permite a contratação de serviços e aquisição de materiais sem licitação para as ações de resposta ao desastre. O Corpo de Bombeiros manteve equipes de plantão durante todo o dia para monitorar novos pontos de risco, em razão da previsão do Inmet de novas pancadas de chuva na região até quarta-feira.
Fonte: Defesa Civil / Energisa / Prefeitura de Três Lagoas
❓ Perguntas Frequentes
Os bairros Vila Piloto, Jardim Alvorada e centro comercial foram os mais atingidos, com água chegando a 60 cm nas ruas.
22 famílias foram removidas preventivamente e encaminhadas ao Centro de Convivência Municipal.
A Energisa informou que 90% dos pontos afetados tiveram energia restabelecida até as 22h do mesmo dia, mas alguns pontos isolados levaram até 18 horas.
A combinação de chuva intensa (80 mm em 2h), sistema de drenagem subdimensionado e impermeabilização excessiva do solo urbano.
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O que deve ser prioridade para evitar alagamentos em Três Lagoas?
Ana Carolina Ribeiro
Repórter
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