Safra de milho safrinha em MS atinge recorde de produtividade e estado consolida posição nacional
Produtores de MS colhem até 120 sacas por hectare em regiões de destaque. Aprosoja estima produção estadual acima de 12 milhões de toneladas. Clima favorável e tecnologia impulsionam resultados.

A safra de milho safrinha 2026 em Mato Grosso do Sul caminha para atingir produtividades recordes em diversas regiões do estado, consolidando MS como o segundo maior produtor de milho do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. Produtores em municípios de referência como Maracaju, Dourados e Caarapó relatam colheitas de até 120 sacas por hectare — número que supera as melhores médias históricas e coloca a safra sul-mato-grossense entre as mais produtivas do país.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS) estima que a produção estadual de milho safrinha em 2026 pode ultrapassar 12 milhões de toneladas, cultivadas em uma área de aproximadamente 2,2 milhões de hectares. Os números representam um crescimento de cerca de 8% em relação à safra anterior.
Fatores que impulsionaram o recorde
O resultado excepcional da safrinha 2026 é atribuído a uma combinação de fatores climáticos favoráveis e avanços tecnológicos:
Chuvas bem distribuídas — A temporada de chuvas 2025/2026 em MS foi marcada por precipitações regulares e bem distribuídas ao longo dos meses de dezembro a março. Diferentemente de safras anteriores, em que veranicos prolongados no período de enchimento de grãos comprometeram a produtividade, este ano as lavouras receberam umidade adequada nos momentos críticos do desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta.
Plantio dentro da janela ideal — A maioria dos produtores de MS conseguiu realizar o plantio do milho safrinha dentro da janela ideal — período que vai de meados de janeiro a meados de fevereiro, dependendo da região. O plantio tardio é um dos maiores riscos da safrinha, pois expõe a lavoura ao período seco, quando a planta mais necessita de água para o enchimento dos grãos. Em 2026, a colheita antecipada da soja (primeira safra) permitiu que os produtores iniciassem o plantio do milho com tempo hábil.
Tecnologia de precisão — A adoção crescente de ferramentas de agricultura de precisão por produtores de MS está se refletindo diretamente nos índices de produtividade. Entre as tecnologias mais utilizadas estão os sistemas de dosagem variável de sementes e fertilizantes, drones para monitoramento fitossanitário, sensores de solo para mapeamento de fertilidade e plataformas digitais de gestão agrícola que permitem tomada de decisões baseada em dados em tempo real.
Genética de elite — Os híbridos de milho plantados em MS em 2026 apresentam ganhos genéticos significativos em relação às cultivares utilizadas cinco anos atrás. As novas variedades combinam alto potencial produtivo com tolerância ao estresse hídrico, resistência a pragas como a cigarrinha-do-milho e adaptação às condições de temperatura e luminosidade do Centro-Oeste.
Produtividades por região
Os resultados de produtividade variam conforme a região do estado, com destaque para as áreas de solos mais férteis do cone sul:
| Região | Produtividade média | Destaque |
|---|---|---|
| Maracaju | 110-120 sc/ha | Recorde estadual registrado |
| Dourados | 100-115 sc/ha | Acima da média histórica |
| Caarapó | 105-118 sc/ha | Forte incremento vs. 2025 |
| Sidrolândia | 95-108 sc/ha | Bom desempenho geral |
| São Gabriel do Oeste | 90-105 sc/ha | Condições favoráveis |
| Naviraí | 85-100 sc/ha | Recuperação após seca em 2025 |
As regiões norte e leste do estado, embora com médias de produtividade inferiores, também registraram desempenho acima da média histórica, contribuindo para o resultado agregado do estado.
Impacto econômico
O milho safrinha é, ao lado da soja, o pilar do agronegócio sul-mato-grossense, que responde por mais de 30% do PIB estadual. Uma safra recorde impacta positivamente toda a cadeia econômica:
Renda dos produtores — Com produtividade acima do esperado e preços relativamente estáveis, a receita bruta dos produtores de milho em MS pode superar R$ 10 bilhões nesta safra, gerando empregos diretos e indiretos na cadeia agrícola.
Indústria de ração — MS possui um dos maiores parques de confinamento de gado do Brasil, e o milho é o principal insumo na produção de ração animal. A safra abundante tende a reduzir o custo de alimentação do rebanho, beneficiando confinadores e, indiretamente, o preço final da carne.
Exportações — O milho excedente é escoado pela malha rodoviária e ferroviária até os portos de Santos, Paranaguá e pelo corredor Centro-Norte até o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), contribuindo para a balança comercial do estado.
Logística e transporte — A movimentação de uma safra de 12 milhões de toneladas exige milhares de viagens de caminhões graneleiros, gerando atividade para transportadoras, postos de combustíveis e oficinas mecânicas ao longo das rodovias estaduais e federais.
Desafios remanescentes
Apesar do cenário favorável, a safra de milho safrinha em MS ainda enfrenta desafios que exigem atenção dos produtores nas semanas finais:
Cigarrinha-do-milho — A praga continua sendo uma das principais ameaças fitossanitárias para o milho no Centro-Oeste. A cigarrinha é vetora do complexo de enfezamentos, doença que pode causar perdas de até 70% na produtividade em lavouras não protegidas. O manejo integrado com tratamento de sementes e aplicações foliares de inseticidas é fundamental.
Risco de geada — Embora ainda distante, o início do período de risco de geadas (maio-julho) coincide com a fase final de maturação das lavouras de milho plantadas mais tardiamente. Uma geada severa no mês de maio poderia comprometer a qualidade dos grãos das lavouras em enchimento.
Logística de escoamento — A concentração da colheita em um período curto (abril-junho) gera gargalos logísticos nos armazéns e nas rodovias, com filas de caminhões nos silos e nos terminais de transbordo. A ampliação da capacidade de armazenagem no estado é uma das demandas permanentes do setor.
Posição nacional
Mato Grosso do Sul é o segundo maior produtor de milho safrinha do Brasil, respondendo por aproximadamente 15% da produção nacional. O estado só perde para Mato Grosso, que concentra mais de 40% da safra brasileira.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a safra brasileira total de milho safrinha em 2026 deve alcançar cerca de 95 milhões de toneladas, e a contribuição de MS será fundamental para atingir esse número.
As informações foram apuradas com base em dados da Aprosoja-MS, Conab, Famasul e em reportagens do Campo Grande News e Capital News.
Perspectivas para a segunda safra e mercado internacional
O mercado internacional de milho apresenta perspectivas favoráveis para os produtores de MS em 2026. A demanda aquecida da China e de países do Oriente Médio, combinada com a expectativa de safra menor nos Estados Unidos — principal concorrente do Brasil —, sustenta preços que remuneram adequadamente o produtor sul-mato-grossense. A Bolsa de Chicago (CBOT) registra cotações estáveis em torno de US$ 4,50 por bushel, nível considerado satisfatório pelo setor. A Aprosoja-MS destaca que a rentabilidade da safrinha 2026 pode ser a melhor dos últimos três anos, considerando a combinação de produtividade recorde com preços estáveis e custos de insumos ligeiramente menores do que na safra anterior. A entidade orienta os produtores a diversificarem as estratégias de comercialização, fixando preços antecipadamente para parte da produção como proteção contra volatilidade.
Sustentabilidade e práticas de conservação do solo
Um elemento frequentemente negligenciado nas discussões sobre produtividade recorde é a importância da conservação do solo e das práticas sustentáveis que viabilizam esses resultados. Produtores de MS têm adotado de forma crescente o plantio direto na palha, a rotação de culturas sistematizada e a cobertura permanente do solo como ferramentas de manutenção da fertilidade de longo prazo. A Embrapa Agropecuária Oeste, sediada em Dourados, alerta que safras recordes extraem volumes significativos de nutrientes do solo e que a reposição inadequada pode comprometer a sustentabilidade produtiva em ciclos futuros. A recomendação é que os produtores reinvistam parte dos lucros da safra excepcional em análises de solo detalhadas e em programas de fertilidade corretiva que garantam a manutenção dos índices de produtividade alcançados em 2026.
💰 Safra de milho safrinha 2026 em MS
Produção estimada
12+ milhões de toneladas
Produtividade recorde
Até 120 sc/ha
Área plantada
2,2 milhões de hectares
Posição nacional
2o maior produtor
Fonte: Aprosoja-MS / Conab / Famasul / Campo Grande News / Capital News
❓ Perguntas Frequentes
Produtores em regiões de destaque como Maracaju, Dourados e Caarapó registraram produtividades de até 120 sacas por hectare.
A Aprosoja-MS estima produção estadual acima de 12 milhões de toneladas de milho safrinha.
A combinação de chuvas bem distribuídas no período inicial, plantio dentro da janela ideal e adoção crescente de tecnologias de precisão.
Thiago Oliveira
Repórter
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