Colheita de milho safrinha em MS atinge ritmo recorde com clima favorável
Agricultores aproveitam janela de tempo seco para acelerar colheita. Produtividade média supera expectativas e atinge 98 sacas por hectare em algumas regiões.

A colheita do milho safrinha em Mato Grosso do Sul entrou em ritmo acelerado neste final de março, aproveitando uma janela de tempo seco que os agricultores classificam como "ideal" para a operação. Até esta segunda-feira, 31, aproximadamente 8% da área plantada de 2,4 milhões de hectares já havia sido colhida, segundo levantamento da Aprosoja-MS — ritmo 15% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A produtividade nas lavouras colhidas até agora está surpreendendo positivamente. Em regiões como Maracaju, Dourados e São Gabriel do Oeste — que concentram o plantio mais precoce —, as médias têm variado entre 85 e 98 sacas por hectare, superando a projeção inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 82 sacas/ha.
Fatores do bom desempenho
O resultado acima do esperado é atribuído a três fatores principais. Primeiro, a distribuição regular de chuvas durante o período de desenvolvimento das plantas, entre janeiro e fevereiro, garantiu umidade adequada nos estágios críticos de pendoamento e enchimento de grãos. Segundo, a adoção crescente de sementes de alta tecnologia — com tolerância à seca e resistência a pragas — ampliou o teto produtivo. Terceiro, o plantio dentro da janela ideal (até 10 de fevereiro) foi possível graças à colheita antecipada da soja, que liberou as áreas mais cedo.
A Embrapa Agropecuária Oeste, sediada em Dourados, explica que a combinação de temperatura amena noturna (entre 15°C e 18°C) e dias ensolarados durante o enchimento de grãos é o cenário perfeito para maximizar a produtividade do milho. "Essas condições permitem que a planta realize fotossíntese eficiente durante o dia e reduza a perda de energia pela respiração à noite", detalhou o pesquisador responsável.
Mercado e preços
O cenário de preços para o milho safrinha de MS em 2026 está mais favorável que no ano anterior. A saca de 60 kg está cotada a R$ 42,50 na região de Dourados e R$ 44,80 em Campo Grande — valores 18% superiores aos praticados em março de 2025. A alta é sustentada pela demanda internacional aquecida, especialmente da China, que ampliou as importações de milho brasileiro após disputas comerciais com os Estados Unidos.
As tradings que operam em MS já contrataram para exportação aproximadamente 55% da produção estimada, com embarques programados pelo corredor logístico que liga o estado ao Porto de Santos (via ferrovia e rodovia) e ao Porto de Paranaguá. A expansão da Rota Bioceânica, via Porto Murtinho, também começa a atrair interesse de compradores asiáticos que buscam alternativas logísticas mais competitivas.
Gargalos logísticos
Apesar do otimismo com a produção, o setor rodoviário alerta para possíveis gargalos na logística de escoamento. O volume previsto de 12,8 milhões de toneladas de milho safrinha — somado às 14,2 milhões de toneladas de soja ainda em trânsito da safra verão — exigirá capacidade de transporte simultâneo que pressiona estradas, ferrovias e capacidade de armazenamento.
A capacidade estática de armazenagem em MS é de 22 milhões de toneladas, segundo dados da Conab, mas a distribuição geográfica dos armazéns é desigual. Regiões como o norte do estado (Sonora, Pedro Gomes, Coxim) enfrentam déficit de armazenagem e dependem do transporte imediato da safra, aumentando a pressão sobre a BR-163 — já sobrecarregada pelo fluxo de Mato Grosso.
A Aprosoja-MS calcula que o custo logístico representa entre 28% e 35% do preço final da saca de milho de MS, contra uma média de 8% a 12% nos Estados Unidos. "A conta do frete come a margem do produtor. A cada R$ 1 de aumento no diesel, perdemos R$ 0,85 por saca transportada até Santos", resumiu o diretor técnico da entidade.
Perspectivas para o restante da safra
A previsão climatológica para abril e maio — meses de pico da colheita safrinha — indica redução gradual das chuvas, o que é positivo para a operação de colheita. O Cemtec-MS projeta precipitação abaixo da média histórica em abril (40 a 60 mm, contra a média de 85 mm), favorecendo a secagem natural dos grãos no campo e reduzindo custos com secadores artificiais.
A Conab projeta que a safra de milho safrinha de MS em 2025/2026 atingirá 12,8 milhões de toneladas — crescimento de 4,5% em relação à safra anterior. Se confirmada, será a segunda maior safra safrinha da história do estado, atrás apenas do recorde de 2022/2023 (13,1 milhões de toneladas).
Fonte: Aprosoja-MS / Conab / Embrapa
❓ Perguntas Frequentes
A colheita iniciou na segunda quinzena de março em áreas de plantio precoce, como Maracaju e Dourados. O pico está previsto para maio e junho.
A produtividade média estimada é de 88 sacas por hectare, com picos de 98 sacas em áreas com plantio dentro da janela ideal e manejo tecnificado.
MS é o segundo maior produtor, atrás de Mato Grosso. Na safra 2025/2026, a produção estimada é de 12,8 milhões de toneladas em 2,4 milhões de hectares.
Aproximadamente 45% é exportado (principalmente para China, Irã e Egito), 35% segue para a indústria de ração animal e 20% para produção de etanol de milho.
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Fernando Almeida
Repórter
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