Conselheira Carol Zamboni: 'Denúncia poderia ter evitado caso de bebê em Campo Grande'
A conselheira tutelar Carol Zamboni reforça a importância da denúncia após bebê de 1 ano e 8 meses ser internado em estado grave com sinais de abuso e maus-tratos na Vila Santa Luzia.

Conselheira Carol Zamboni alerta: "Denúncia poderia ter evitado caso de bebê vítima de maus-tratos em Campo Grande"
A conselheira tutelar Carol Marques Zamboni, da Região Norte de Campo Grande, fez um apelo público contundente à população sul-mato-grossense após o caso que chocou a capital: um bebê de apenas 1 ano e 8 meses foi internado em estado grave na Santa Casa com sinais de maus-tratos e abuso sexual. A mãe, de 31 anos, e o padrasto, de 21, foram presos em flagrante pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) na manhã de terça-feira (28 de abril de 2026), no bairro Vila Santa Luzia.
Segundo a conselheira, não havia denúncias anteriores nem registros sobre a família antes da internação. Para ela, uma denúncia feita antes poderia ter permitido atendimento precoce e evitado o agravamento do caso.
"Nós, conselheiros tutelares, fomos escolhidos pela sociedade para defender os direitos das crianças e adolescentes. Mas a sociedade também precisa fazer a parte dela, que é denunciar", afirmou Carol Zamboni ao g1 MS.
O caso que chocou Campo Grande
Na manhã de terça-feira, 28 de abril de 2026, a DEPCA foi acionada via COPOM, por volta das 7 horas, após uma ocorrência envolvendo uma criança que sofreu colapso cardiorrespiratório no bairro Vila Santa Luzia, em Campo Grande.
Segundo a Polícia Civil, a criança havia ficado sob os cuidados do padrasto enquanto a mãe saiu de casa por volta das 6 horas da manhã. Aproximadamente às 6h40, o homem teria constatado que o bebê apresentava sinais de parada cardiorrespiratória e ligou para a mãe dizendo que a criança não respirava.
Uma guarnição da Polícia Militar chegou ao local e iniciou manobras de reanimação pulmonar, que foram continuadas pela equipe do SAMU. Os socorristas conseguiram reanimar a criança, que foi encaminhada em estado grave à Santa Casa de Campo Grande, onde permaneceu internada.
O que os profissionais de saúde encontraram
Durante o atendimento hospitalar, a equipe médica constatou a gravidade da situação:
- Múltiplos hematomas espalhados pelo corpo da vítima
- Lesões na região da cabeça, estendendo-se até a área ocular
- Indícios de possível abuso sexual
- Vestígios de sangue foram encontrados na coberta e na cama do casal
Diante das evidências, a polícia judiciária foi acionada e uma perícia forense completa foi requisitada no local onde a criança residia com a mãe e o padrasto.
A prisão dos suspeitos
O padrasto foi autuado em flagrante delito pelos seguintes crimes:
- Maus-tratos majorado (art. 136, § 3º, do Código Penal)
- Estupro de vulnerável com causa de aumento de pena (art. 217-A c/c art. 226, II, do Código Penal)
A Polícia Civil ainda representou pela prisão preventiva do suspeito ao Poder Judiciário, em razão da "excepcional gravidade dos fatos e do risco concreto à ordem pública e à instrução criminal".
A mãe foi autuada em flagrante pelo crime de maus-tratos majorado (art. 136, § 3º, do Código Penal). Ambos aguardam audiência de custódia.
"Coloco a mão no fogo pelo meu marido"
Antes de ser presa, ainda no hospital, a mãe conversou com o Conselho Tutelar. Segundo o g1 MS, ela negou as agressões e defendeu o companheiro, afirmando que ele "amava o menino como um filho" e que "colocava a mão no fogo pelo marido".
A postura da genitora reforça, segundo especialistas em proteção à infância, o padrão de conivência e omissão que frequentemente acompanha casos de violência doméstica contra crianças, em que o agressor é protegido por outros membros da família, enquanto a vítima permanece invisível e desprotegida.
O alerta de Carol Zamboni: denunciar é dever de todos
A conselheira Carol Zamboni utilizou o caso para reforçar uma mensagem que considera essencial: a proteção da criança é responsabilidade de toda a sociedade.
Citando o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Zamboni destacou que "é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público, a defesa e proteção da criança e do adolescente".
Segundo a conselheira, muitas situações de risco poderiam ser identificadas a tempo se vizinhos, parentes, professores ou pessoas próximas procurassem ajuda ao perceber sinais de violência.
Sinais de alerta que a população deve observar
Carol Zamboni listou comportamentos e situações que devem gerar alerta:
- Choro frequente e inconsolável da criança, especialmente em horários atípicos
- Movimentação estranha na residência, como brigas ou gritos constantes
- Mudanças bruscas de comportamento da criança, como medo excessivo, retraimento ou agressividade
- Sinais visíveis de negligência, como desnutrição, falta de higiene ou roupas inadequadas
- Marcas no corpo da criança, como hematomas, queimaduras ou cortes
- Isolamento social forçado — criança que não frequenta escola ou não tem contato com outras pessoas
- Relatos da própria criança sobre violência ou situações de desconforto
"Não é preciso ter provas para denunciar. Basta ter suspeita. Choro frequente, movimentação estranha, mudanças bruscas de comportamento ou sinais de negligência já são motivos para acionar os órgãos responsáveis", reforçou Zamboni ao g1.
O papel do Conselho Tutelar: proteção, não punição
A conselheira fez questão de esclarecer um equívoco comum que impede muitas pessoas de denunciar: o medo de que a denúncia resulte na punição imediata da família.
"O Conselho não existe para punir. Primeiro, a gente orienta, conversa, entende a situação e acompanha a família. Se houver indícios reais de crime, aí o caso é encaminhado para a polícia e para o Ministério Público", explicou Zamboni.
O fluxo de atendimento do Conselho Tutelar funciona da seguinte forma:
- Recebimento da denúncia (anônima ou identificada)
- Visita e verificação da situação da criança
- Orientação e acompanhamento familiar, quando a situação permite
- Medidas protetivas, como encaminhamento para abrigo, se necessário
- Comunicação à autoridade policial e ao Ministério Público, quando há indícios de crime
Como denunciar: canais disponíveis
As denúncias de maus-tratos, abuso sexual, negligência ou qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelos seguintes canais, com garantia de anonimato:
| Canal | Contato | Funcionamento |
|---|---|---|
| Disque 100 | Ligação gratuita | 24 horas, todos os dias |
| Polícia Militar | 190 | 24 horas, todos os dias |
| DEPCA | (67) 3323-2500 | Horário comercial |
| Conselho Tutelar | Polos regionais de CG | Comercial + plantão |
| Plantão Conselho | Telefone de plantão | Dias úteis 17h30-7h30, finais de semana e feriados |
O silêncio que mata
A conselheira encerrou seu apelo com uma mensagem direta à população: "A população não precisa ter medo. Suspeitou, pode denunciar. Uma denúncia pode salvar uma vida", finalizou Zamboni ao g1 MS.
O caso do bebê da Vila Santa Luzia é mais um lembrete doloroso de que a violência contra crianças acontece dentro de casa, longe dos olhos da sociedade. E que, muitas vezes, um telefonema anônimo pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Dados sobre violência infantil no Brasil
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra dezenas de milhares de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes por ano. Na maioria esmagadora dos casos, o agressor é alguém do convívio familiar — pais, padrastos, tios ou avós.
Em Mato Grosso do Sul, a DEPCA é a delegacia especializada responsável por investigar crimes contra menores de 18 anos em Campo Grande. No interior do estado, as delegacias de Polícia Civil possuem núcleos de atendimento especializados.
A proteção integral da criança é garantida pelo ECA (Lei nº 8.069/1990), que determina que nenhuma informação que permita a identificação da vítima seja divulgada — razão pela qual este artigo não menciona nomes, endereços ou qualquer dado que possa identificar o bebê.
Se você conhece ou suspeita de alguma situação de violência contra criança ou adolescente, denuncie. Ligue para o Disque 100 ou para o 190. Sua denúncia é anônima e pode salvar uma vida.
Fontes e Referências
- Polícia Civil de Mato Grosso do Sul — DEPCA (pc.ms.gov.br)
- G1 MS / TV Morena (g1.globo.com/ms)
- Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande
- Estatuto da Criança e do Adolescente — Lei nº 8.069/1990 (planalto.gov.br)
- Código Penal Brasileiro — arts. 136, § 3º e 217-A c/c 226, II (planalto.gov.br)
- Disque Direitos Humanos — Disque 100 (gov.br/mdh)
- Perfil oficial da conselheira Carol Marques Zamboni — @carol_marquez33 (instagram.com)
💰 Proteção à Criança
Vítima
Bebê de 1 ano e 8 meses
Presos
Mãe e padrasto (flagrante)
Denúncia
Disque 100 ou ligue 190
Fonte: Polícia Civil de MS / G1 MS / Conselho Tutelar da Região Norte
❓ Perguntas Frequentes
A conselheira tutelar da Região Norte afirmou que não havia denúncias anteriores sobre a família e que uma comunicação prévia ao Conselho Tutelar poderia ter protegido a criança antes do agravamento.
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 (Direitos Humanos), pelo 190 (Polícia Militar), diretamente ao Conselho Tutelar da região ou à DEPCA pelo telefone (67) 3323-2500. A identidade do denunciante é preservada.
Não. Segundo a conselheira Carol Zamboni, basta haver suspeita. Choro frequente, movimentação estranha, mudanças bruscas de comportamento ou sinais de negligência já são motivos para acionar os órgãos responsáveis.
Redação Foco do Estado
Repórter
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