Conta de luz sobe 12,11% em MS e ainda ficará percentual para depois
Reajuste da Energisa aprovado pela Aneel entra em vigor nesta semana e impacta 1,1 milhão de unidades consumidoras no estado

A conta de luz em Mato Grosso do Sul vai pesar 12,11% a mais no bolso. O reajuste da Energisa, aprovado pela Aneel, entra em vigor nesta semana e atinge 1,1 milhão de unidades consumidoras. E tem mais: parte do aumento ficou para depois — o que significa que a tarifa pode subir de novo nos próximos meses.
O Que Aconteceu
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou o reajuste tarifário anual da Energisa MS com índice médio de 12,11%. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (14) e entra em vigor a partir do próximo ciclo de faturamento.
O reajuste é composto por dois componentes. O primeiro, de 9,47%, reflete o aumento dos custos de compra de energia, transmissão e encargos setoriais — custos que a distribuidora repassa integralmente ao consumidor. O segundo, de 2,64%, corresponde ao reajuste da parcela da distribuidora (custos operacionais, investimentos em rede, margem de lucro).
A Energisa informou que parte do reajuste será diferida — ou seja, um percentual adicional de 3,2% que deveria ser cobrado agora ficará para os próximos ciclos tarifários. Na prática, isso significa que o consumidor paga 12,11% agora, mas a conta pode subir mais 3,2% no futuro, quando o diferimento for cobrado.
Para o consumidor residencial que gasta 200 kWh por mês (média em MS), o impacto é de aproximadamente R$ 30 a mais na conta mensal. Para quem consome 400 kWh (casa com ar-condicionado), o aumento pode chegar a R$ 60.
"O reajuste é pesado, mas reflete custos reais. A guerra no Irã encareceu o gás natural, as termelétricas foram acionadas e o custo veio na conta", explicou o diretor da Aneel durante a sessão que aprovou o reajuste.
Contexto e Histórico
A Energisa é a única distribuidora de energia elétrica em Mato Grosso do Sul, atendendo todos os 79 municípios do estado. O monopólio natural — característica do setor elétrico — significa que o consumidor não tem alternativa: paga o que a Aneel autorizar.
O reajuste de 12,11% é o maior desde 2023, quando a tarifa subiu 14,3%. Em 2024, o aumento foi de 8,7%, e em 2025, de 6,2%. A escalada reflete a crise energética global provocada pela guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo de US$ 75 para US$ 120 o barril entre 2025 e 2026.
O Brasil depende de hidrelétricas para 65% da geração de energia. Quando os reservatórios estão baixos — como aconteceu no segundo semestre de 2025 — o sistema aciona usinas termelétricas movidas a gás natural e diesel, que são mais caras. O custo adicional é repassado ao consumidor via bandeira tarifária e reajuste anual.
Em MS, o consumo de energia cresceu 7% em 2025, puxado pela expansão industrial (celulose, fertilizantes) e pelo aumento do uso de ar-condicionado residencial. A Energisa investiu R$ 680 milhões em ampliação e manutenção da rede no estado em 2025 — investimento que também é repassado à tarifa.
O Procon-MS informou que vai fiscalizar se a Energisa está aplicando o reajuste corretamente e se os consumidores de baixa renda cadastrados na tarifa social estão recebendo o desconto previsto em lei. A tarifa social garante desconto de até 65% para famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
"O consumidor de MS já paga uma das tarifas mais altas do Centro-Oeste. Com esse reajuste, a conta média residencial passa de R$ 250 para R$ 280. Pra família que ganha um salário mínimo, é quase 20% da renda", calculou o presidente do Procon-MS.
A energia solar fotovoltaica tem crescido como alternativa em MS. O estado é o 5º maior em geração distribuída (painéis solares em telhados), com 85 mil unidades instaladas. Quem tem painel solar sente menos o reajuste, mas o investimento inicial — de R$ 15 mil a R$ 30 mil — é barreira para a maioria das famílias.
Impacto Para a População
O reajuste de 12,11% atinge todos os consumidores de MS — residenciais, comerciais e industriais.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Reajuste médio | 12,11% |
| Diferimento (cobrança futura) | 3,2% adicional |
| Consumidores afetados | 1,1 milhão |
| Impacto residencial (200 kWh) | ~R$ 30/mês a mais |
| Impacto residencial (400 kWh) | ~R$ 60/mês a mais |
| Maior reajuste desde | 2023 (14,3%) |
| Investimento Energisa (2025) | R$ 680 milhões |
| Tarifa social | Desconto até 65% |
| Painéis solares em MS | 85 mil unidades |
Para famílias de baixa renda, o reajuste é proporcionalmente mais pesado. A conta de luz é despesa fixa que não pode ser cortada — diferente de alimentação ou lazer, onde é possível ajustar. O Procon-MS orienta que famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa se cadastrem na tarifa social pelo site da Energisa ou nos CRAS municipais.
Para o comércio e a indústria, o reajuste aumenta o custo de operação e pode ser repassado aos preços dos produtos e serviços — gerando efeito cascata na inflação local.
O Que Dizem os Envolvidos
A Energisa informou que "o reajuste foi aprovado pela Aneel seguindo a metodologia regulatória" e que "a empresa investiu R$ 680 milhões em MS em 2025 para melhorar a qualidade do serviço".
A Aneel disse que "o reajuste reflete custos reais do setor elétrico" e que "o diferimento de 3,2% foi concedido para suavizar o impacto ao consumidor".
O Procon-MS afirmou que "vai fiscalizar a aplicação do reajuste" e orientou consumidores a "verificarem se o percentual cobrado na conta está correto".
Próximos Passos
O reajuste entra em vigor no próximo ciclo de faturamento da Energisa, a partir desta semana.
O diferimento de 3,2% será cobrado nos próximos ciclos tarifários — a data exata depende de decisão da Aneel.
O Procon-MS vai realizar mutirão de atendimento para orientar consumidores sobre tarifa social e direitos do consumidor de energia.
Fechamento
Doze vírgula onze por cento. E mais 3,2% que ficaram pra depois. A conta de luz em MS sobe de novo, e o consumidor que já apertava o cinto vai ter que apertar mais. Quem gasta 200 kWh paga R$ 30 a mais por mês. Quem tem ar-condicionado, R$ 60. A alternativa é o painel solar — mas custa R$ 15 mil que a maioria não tem. Informações sobre tarifa social: Energisa (67) 3311-5000 ou CRAS do seu município.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Aneel — Agência Nacional de Energia Elétrica (aneel.gov.br)
- Energisa MS (energisa.com.br)
- Procon-MS (procon.ms.gov.br)
💰 Reajuste da conta de luz
Reajuste
12,11%
Distribuidora
Energisa MS
Consumidores afetados
1,1 milhão
Vigência
Abril de 2026
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
A conta de luz em Mato Grosso do Sul terá reajuste médio de 12,11%, aprovado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para a Energisa MS. O aumento entra em vigor nesta semana e impacta 1,1 milhão de unidades consumidoras no estado, incluindo residências, comércios e indústrias. Para o consumidor residencial, o impacto médio é de R$ 25 a R$ 40 a mais por mês, dependendo do consumo. A Energisa informou que parte do reajuste será diferida — ou seja, um percentual adicional ficará para ser cobrado nos próximos ciclos tarifários, o que significa que a conta pode subir ainda mais no futuro.
O reajuste de 12,11% reflete o aumento dos custos de geração e transmissão de energia, a inflação acumulada no período e os encargos setoriais cobrados na tarifa. A guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo e do gás natural, impactou o custo da energia termelétrica — usinas que são acionadas quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos. A bandeira tarifária vermelha, vigente nos últimos meses, também contribuiu para o aumento. A Aneel aprovou o repasse integral dos custos à tarifa do consumidor, sem absorção pela distribuidora.
Para reduzir o impacto do reajuste na conta de luz, especialistas recomendam: trocar lâmpadas incandescentes por LED (economia de até 80%), desligar aparelhos da tomada quando não estiverem em uso (o modo standby consome energia), usar o ar-condicionado na temperatura de 23°C (cada grau a menos aumenta o consumo em 7%), lavar roupas acumuladas na máquina (evitar lavagens com pouca roupa), usar o chuveiro elétrico na posição verão quando possível e verificar se a geladeira está com a borracha de vedação em bom estado. A Energisa oferece programa de troca de geladeiras antigas por modelos eficientes para famílias de baixa renda.
Thiago Oliveira
Repórter
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