MS assina empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial para rodovias na terça
Financiamento vai recuperar 1,8 mil km de estradas estaduais com manutenção por 10 anos dentro do Programa Rodar MS

A ligação chegou por volta das 18h30 de sexta-feira (10). A Casa Civil da Presidência da República confirmou ao deputado federal Vander Loubet (PT) o que Mato Grosso do Sul esperava há 18 meses: o governo federal autorizou o financiamento de US$ 200 milhões junto ao Banco Mundial para recuperação de rodovias estaduais. A assinatura do contrato está marcada para terça-feira (14), às 16h, em Brasília, com a presença do governador Eduardo Riedel (PP).
O Que Aconteceu
O recurso integra o Programa Rodar MS, que prevê recuperação de 1.800 quilômetros de estradas estaduais e manutenção garantida por até 10 anos. O modelo é diferente de obras convencionais: além de recapear e pavimentar, o contrato inclui conservação contínua, o que evita que as rodovias voltem a se deteriorar em poucos anos.
"Acabei de receber a ligação da Casa Civil confirmando o financiamento de 200 milhões de dólares junto ao Banco Mundial para recuperação das rodovias e manutenção por 10 anos", disse Vander Loubet ao Campo Grande News.
O deputado relatou que Riedel já havia sido avisado sobre a necessidade de participar do ato em Brasília. "O governador me falou que poderia suspender qualquer agenda para estar lá, isso é prioridade", afirmou.
O financiamento encerra um processo que começou em outubro de 2024, quando o governo estadual enviou à ALEMS o pedido de autorização para contratar o empréstimo com garantia da União. Em novembro de 2024, os deputados aprovaram a proposta por 18 votos a 2, após debate sobre a contratação de crédito em moeda estrangeira.
Contexto e Histórico
Mato Grosso do Sul tem 49.600 quilômetros de malha rodoviária, dos quais cerca de 10.800 km são de rodovias estaduais. A condição dessas estradas é um problema crônico. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de 2025 classificou 38% das rodovias estaduais de MS como regulares, ruins ou péssimas.
O Programa Rodar MS já havia iniciado obras com recursos próprios do estado — cerca de R$ 340 milhões — em trechos das rodovias MS-357 e MS-456, em Ribas do Rio Pardo, onde 35 quilômetros receberam melhorias. O empréstimo do Banco Mundial multiplica a capacidade de investimento e permite atacar trechos críticos em municípios como Água Clara, Amambai, Aquidauana, Coxim, Maracaju, Porto Murtinho, Terenos e Três Lagoas.
O modelo de financiamento com manutenção por 10 anos é uma exigência do Banco Mundial. A lógica é simples: não adianta pavimentar se não houver conservação. O contrato prevê adequação à resiliência climática e melhoria da segurança viária — dois pontos que o Bird (braço do Banco Mundial para empréstimos) considera prioritários em países tropicais.
A articulação política envolveu a bancada federal de MS, com Vander Loubet atuando como ponte entre o governo estadual e a Casa Civil. O deputado é do PT, e Riedel é do PP — a cooperação entre oposição e situação no nível federal para beneficiar o estado é um dado político relevante.
O programa também inclui adequação à resiliência climática, um requisito do Banco Mundial que ganha importância num estado onde chuvas intensas e secas prolongadas danificam estradas com frequência. Em 2025, temporais destruíram trechos de pelo menos 12 rodovias estaduais, segundo a Agesul, gerando custos emergenciais de mais de R$ 45 milhões em reparos.
A manutenção por 10 anos é o ponto que diferencia o Rodar MS de programas anteriores. Historicamente, rodovias estaduais em MS são pavimentadas e abandonadas — em três a cinco anos, os buracos voltam. O contrato com o Banco Mundial obriga o estado a manter as estradas em condições adequadas durante toda a vigência, sob pena de descumprimento contratual.
Para o setor produtivo, a recuperação das rodovias tem impacto direto no custo do frete. Estradas ruins aumentam o tempo de viagem, o consumo de combustível e o desgaste dos veículos. Segundo a CNT, o custo logístico em rodovias ruins é até 30% maior do que em estradas em boas condições. Para um estado que exporta milhões de toneladas de soja e milho por ano, essa diferença se traduz em bilhões de reais.
Impacto Para a População
O empréstimo afeta diretamente quem depende das estradas estaduais para trabalhar, escoar produção e se deslocar.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Valor do empréstimo | US$ 200 milhões (~R$ 1,14 bilhão) |
| Programa | Rodar MS |
| Km a recuperar | 1.800 km |
| Manutenção | 10 anos garantidos |
| Recursos próprios já investidos | R$ 340 milhões |
| Aprovação na ALEMS | 18 votos a 2 (nov/2024) |
| Assinatura | 14/04/2026, 16h, Brasília |
| Rodovias prioritárias | MS-357, MS-456, MS-340, MS-338, MS-324 |
Para o produtor rural do interior, a recuperação das estradas significa menos custo de frete e menos perda de carga. Para o motorista comum, menos buracos e menos acidentes. A manutenção por 10 anos é o diferencial: evita o ciclo vicioso de pavimentar, abandonar e repavimentar que consome recursos públicos sem resultado duradouro.
Segundo Vander Loubet, parte dos recursos deve atender o Cone Sul do estado, região que concentra municípios com estradas em condições precárias e forte produção agrícola.
O Que Dizem os Envolvidos
Vander Loubet não escondeu a satisfação. "Trabalhei para garantir esse investimento porque sei o quanto essas obras são importantes para o escoamento da produção, para a segurança nas estradas e para o crescimento da economia do estado", disse.
O governador Riedel, segundo o deputado, tratou o assunto como prioridade máxima. "Poderia suspender qualquer agenda para estar lá", teria dito Riedel ao ser informado sobre a assinatura.
A ALEMS, que aprovou o empréstimo em 2024, não se manifestou sobre a confirmação do financiamento até o fechamento desta reportagem.
Próximos Passos
A assinatura do contrato na terça-feira (14) em Brasília formaliza o empréstimo. A partir daí, o governo de MS terá que licitar as obras e contratar as empresas que vão executar a recuperação e a manutenção das rodovias.
O cronograma do Programa Rodar MS prevê que os 1.800 quilômetros sejam recuperados até o final de 2026, mas a manutenção se estende por uma década. As primeiras licitações devem ser publicadas ainda em abril.
O empréstimo em dólar traz um risco cambial: se o real se desvalorizar, o custo do financiamento sobe. O governo estadual defendeu a operação com base na capacidade de pagamento do estado, que encerrou 2025 com relação despesa de pessoal/receita corrente líquida de 46,2%, abaixo do limite prudencial da LRF.
A operação com o Banco Mundial não é a primeira de MS com organismos internacionais. Em 2019, o estado contratou empréstimo de US$ 120 milhões com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para modernização da gestão fiscal. O recurso foi aplicado na digitalização de serviços públicos e na reforma administrativa, com resultados considerados positivos pelo governo.
A diferença é que o Rodar MS tem impacto visível e imediato para a população. Estrada pavimentada é algo que o cidadão vê, usa e avalia. Se as obras forem bem executadas e a manutenção cumprida, o programa pode se tornar o principal legado de infraestrutura do governo Riedel.
Para os municípios do interior, a recuperação das rodovias estaduais é questão de sobrevivência econômica. Cidades como Porto Murtinho, que vive a expectativa da ponte bioceânica com o Paraguai, e Amambai, polo agrícola do Cone Sul, dependem de estradas em boas condições para escoar produção e atrair investimentos. O empréstimo do Banco Mundial pode ser o divisor de águas.
Fechamento
Dezoito meses de tramitação, uma votação apertada na ALEMS e articulação entre PT e PP resultaram na confirmação do maior empréstimo internacional já contratado por Mato Grosso do Sul para infraestrutura rodoviária. Se o dinheiro chegar na ponta — e se a manutenção por 10 anos for cumprida — o motorista que hoje desvia de buracos na MS-340 pode ter uma estrada decente pela frente.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)
- Assembleia Legislativa de MS (al.ms.gov.br)
- Programa Rodar MS — Governo do Estado
💰 Investimento em rodovias
Valor do empréstimo
US$ 200 milhões
Km a recuperar
1.800 km
Manutenção garantida
10 anos
Assinatura
Terça-feira (14/04)
Fonte: Campo Grande News / Deputado Vander Loubet
❓ Perguntas Frequentes
O governo federal autorizou o financiamento de US$ 200 milhões junto ao Banco Mundial para Mato Grosso do Sul, com assinatura prevista para terça-feira (14 de abril de 2026), às 16h, em Brasília, na presença do governador Eduardo Riedel. O recurso será aplicado na recuperação de rodovias estaduais e na manutenção por até 10 anos, dentro do Programa Rodar MS. A confirmação foi repassada pelo deputado federal Vander Loubet (PT) ao Campo Grande News na noite de sexta-feira (10), após ligação da Casa Civil da Presidência da República.
O Programa Rodar MS prevê a recuperação de 1.800 quilômetros de estradas estaduais. As obras já começaram em trechos das rodovias MS-357 e MS-456, em Ribas do Rio Pardo, onde cerca de 35 quilômetros receberam melhorias. Também integram o programa as rodovias MS-340, MS-338 e MS-324, além de trechos distribuídos por municípios como Água Clara, Amambai, Aquidauana, Coxim, Maracaju, Porto Murtinho, Terenos e Três Lagoas. Parte dos recursos deve atender regiões estratégicas como o Cone Sul do estado.
O processo começou em outubro de 2024, quando o governo do estado enviou à Assembleia Legislativa o pedido de autorização para contratar o empréstimo de US$ 200 milhões com garantia da União. Em novembro do mesmo ano, os deputados aprovaram a proposta em segunda votação, por 18 votos a 2, após debate sobre o uso de recursos estaduais e a contratação de crédito em moeda estrangeira. O governo defendeu a operação com base na capacidade de pagamento do estado. A autorização final do governo federal veio na sexta-feira (10 de abril de 2026), após articulação da bancada federal de MS.
Camila Ferreira
Repórter
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