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quarta-feira, 08 de abril de 2026
🚔 Polícia

Homem de 41 anos é encontrado morto com sinais de violência no Hipódromo de Campo Grande

Antônio Nunes foi achado na escadaria do Bloco I com lesões na região do rosto. Caso é investigado pela Depac Cepol como homicídio simples. Estrutura abandonada já concentrou outros crimes.

Roberto Almeida7 min de leituraCampo Grande
Homem de 41 anos é encontrado morto com sinais de violência no Hipódromo de Campo Grande

Na manhã deste domingo, 5 de abril de 2026, o corpo de um homem de 41 anos, identificado como Antônio Nunes, foi encontrado sem vida na escadaria do Bloco I do Hipódromo de Campo Grande, estrutura abandonada localizada no bairro Paulo Coelho Machado, zona oeste da capital de Mato Grosso do Sul. O corpo apresentava sinais evidentes de violência, com lesões concentradas na região do rosto, e o caso foi registrado pela Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol como homicídio simples.

Circunstâncias da descoberta

O corpo foi localizado por moradores da região que transitavam pelo entorno do antigo hipódromo por volta das 7h30 da manhã. Segundo relatos colhidos pela Polícia Militar, um homem que fazia caminhada matinal percebeu algo incomum na escadaria lateral do Bloco I — um dos prédios que compõem o complexo abandonado — e se aproximou para verificar. Ao constatar que se tratava de um corpo, acionou imediatamente o 190 (Polícia Militar).

A primeira equipe policial chegou ao local às 7h45, isolando a área com fita de contenção e acionando os demais órgãos necessários para o atendimento da ocorrência: Instituto de Criminalística, Polícia Civil e equipe do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal).

Os peritos do Instituto de Criminalística realizaram o levantamento do local do crime durante aproximadamente três horas, coletando vestígios, fotografando a cena e catalogando todos os elementos que possam auxiliar na reconstrução dos eventos que levaram à morte da vítima.

Sinais de violência e perícia

Segundo informações do boletim de ocorrência e de relatos preliminares dos peritos, o corpo de Antônio Nunes apresentava lesões aparentes concentradas na região da boca e do queixo, consistentes com agressões por golpes contundentes — possivelmente socos, chutes ou golpes com objetos.

A natureza e a distribuição dos ferimentos levaram os peritos a classificar preliminarmente o caso como homicídio, descartando a hipótese de morte natural ou acidental. No entanto, a causa exata do óbito só será determinada com precisão após a realização da necropsia completa no IMOL, que deverá verificar também a presença de lesões internas, possíveis traumatismos cranianos e outras evidências forenses.

O corpo foi removido do local por volta das 11h e encaminhado ao IMOL, onde os exames complementares estão sendo realizados. O laudo pericial definitivo deve ser disponibilizado para a equipe de investigação nos próximos dias.

Investigação em andamento

O caso foi registrado oficialmente na Depac Cepol como homicídio simples, tipificado no artigo 121 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de 6 a 20 anos. Até o momento desta publicação, não havia informações confirmadas sobre a motivação do crime, a identidade de suspeitos ou prisões realizadas.

A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento em múltiplas frentes:

Depoimentos — Equipes de investigadores realizam diligências no entorno do hipódromo para colher relatos de moradores que possam ter ouvido sons de briga, gritos ou visto pessoas transitando pela área durante a noite de sábado ou madrugada de domingo.

Câmeras de segurança — Os investigadores estão verificando a existência de câmeras de segurança em estabelecimentos comerciais, residências e no sistema de monitoramento urbano da Prefeitura (Central de Monitoramento) que cubram o perímetro do hipódromo e as vias de acesso.

Identificação da vítima — O levantamento do histórico de Antônio Nunes — incluindo relações pessoais, possíveis conflitos, antecedentes e última localização conhecida com vida — está sendo realizado para identificar possíveis motivos e suspeitos.

Análise pericial — Os materiais coletados no local, incluindo amostras biológicas, impressões digitais e possíveis vestígios de DNA do agressor, estão sendo processados pelo Instituto de Criminalística.

O Hipódromo abandonado: uma zona de vulnerabilidade

O Hipódromo de Campo Grande, que nas décadas de 1970 e 1980 foi palco de eventos equestres de prestígio, competições sociais e encontros da elite campo-grandense, encontra-se em estado avançado de abandono há mais de 15 anos. A degradação transformou o espaço que já foi sinônimo de elegância em um dos pontos mais vulneráveis da zona oeste da capital.

A área do antigo hipódromo apresenta características que favorecem a ocorrência de crimes:

  • Ausência de vigilância — A estrutura não conta com segurança privada nem monitoramento por câmeras, e o policiamento ostensivo na região é limitado
  • Falta de iluminação — Postes danificados e vandalismo em instalações elétricas mantêm o entorno em penumbra durante a noite, criando condições propícias para atividades criminosas
  • Estrutura deteriorada — Paredes quebradas, telhados caídos e portas arrancadas dão acesso livre ao interior dos blocos, que são utilizados como abrigo por pessoas em situação de rua
  • Vegetação alta — O mato crescido ao redor e dentro do complexo dificulta a visibilidade e cria esconderijos naturais

Moradores do bairro Paulo Coelho Machado relatam que o hipódromo é historicamente palco de ocorrências policiais, incluindo agressões, roubos, tráfico de drogas e uso de entorpecentes. A Associação de Moradores do bairro já encaminhou diversas solicitações à Prefeitura e à Câmara Municipal pedindo providências em relação à estrutura.

Debate sobre revitalização

O homicídio de Antônio Nunes deve reacender o debate sobre a revitalização da área do Hipódromo, tema que volta à pauta periodicamente após eventos violentos. A Prefeitura de Campo Grande já apresentou ao menos três projetos de requalificação da área nos últimos dez anos, incluindo propostas de parques urbanos, centros esportivos e habitações populares. Nenhum deles avançou além da fase de estudo.

Vereadores de Campo Grande se manifestaram na tarde de domingo pedindo celeridade na resolução do caso e cobrando do Executivo municipal uma solução definitiva para a estrutura abandonada. O vereador que preside a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal informou que convocará uma audiência pública para debater o tema ainda neste mês.

Estatísticas de homicídios em MS

Mato Grosso do Sul registrou taxa de homicídios de 17,4 por 100 mil habitantes em 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Campo Grande concentra aproximadamente 35% dos homicídios dolosos do estado, com a zona oeste sendo uma das regiões mais afetadas pela violência urbana.

A Sejusp implementou no início de 2026 o programa "Campo Grande Mais Segura", que prevê o reforço do policiamento em áreas consideradas pontos críticos de segurança. O entorno do hipódromo está na lista de locais prioritários, mas moradores relatam que o reforço policial ainda não se concretizou de forma consistente.

A Polícia Civil solicita que qualquer pessoa com informações sobre o caso entre em contato pelo telefone 197 (Disque-Denúncia) ou diretamente com a Depac Cepol. A identidade do informante é preservada.

As informações desta reportagem foram apuradas com base em registros policiais e em reportagens do Campo Grande News, Correio do Estado, Diário Digital e Primeira Página.

Informações para a comunidade e canais de denúncia

A Polícia Civil reforça que informações sobre crimes podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia (197) ou pelo aplicativo MS Digital. A identidade do informante é protegida por lei, e denúncias anônimas são historicamente responsáveis por solucionar uma parcela significativa dos homicídios em Campo Grande. A Depac Cepol solicita especialmente que moradores do bairro Paulo Coelho Machado e adjacências que tenham visto movimentação suspeita no entorno do Hipódromo durante a noite de sábado (4 de abril) entrem em contato com a delegacia. A Secretaria de Assistência Social de Campo Grande informou que equipes do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) intensificarão visitas ao local para verificar a presença de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Fonte: Campo Grande News / Correio do Estado / Diário Digital / Primeira Página

❓ Perguntas Frequentes

Na escadaria do Bloco I do Hipódromo de Campo Grande, localizado no bairro Paulo Coelho Machado, zona oeste da capital.

Até o momento, não há informações confirmadas sobre suspeitos ou prisões. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do caso.

A causa será determinada pela necropsia no IMOL. Preliminarmente, o corpo apresentava lesões na região da boca e queixo, indicando agressões.

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RA

Roberto Almeida

Repórter