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segunda-feira, 13 de abril de 2026
🚔 Polícia

Homem é encontrado morto a facadas em frente ao Centro POP em Campo Grande

Vítima foi localizada na madrugada deste sábado com múltiplas perfurações e polícia investiga motivação do crime

Marcos Vinícius Borges6 min de leituraCampo Grande
Homem é encontrado morto a facadas em frente ao Centro POP em Campo Grande

O corpo foi encontrado por volta das 5h20 deste sábado (12), na calçada em frente ao Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), na região central de Campo Grande. A vítima — um homem ainda não identificado formalmente — apresentava múltiplas perfurações por arma branca no tórax e abdômen.

O Que Aconteceu

Uma equipe da Guarda Civil Metropolitana que fazia ronda na região central encontrou o corpo na calçada da Rua Barão do Rio Branco, em frente ao Centro POP. O Samu foi acionado, mas a vítima já estava sem sinais vitais.

A Polícia Militar isolou a área e a Polícia Civil assumiu a investigação. A perícia da Polícia Científica identificou pelo menos sete perfurações por arma branca — cinco no tórax e duas no abdômen. A arma do crime não foi encontrada no local.

Segundo relatos de pessoas que dormiam nas proximidades, uma discussão entre dois homens foi ouvida por volta das 4h da madrugada. "Escutei gritaria, depois silêncio. Quando clareou, vi o corpo ali", contou um homem que dormia a cerca de 50 metros do local.

A vítima aparentava ter entre 35 e 45 anos e vestia roupas surradas. Não portava documentos. A Polícia Civil está trabalhando na identificação por meio de impressões digitais e registros no sistema.

Câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais da região foram requisitadas pela polícia. A área tem cobertura parcial de videomonitoramento, e as imagens podem ajudar a identificar o autor do crime. A Guarda Civil Metropolitana informou que três câmeras do sistema municipal de vigilância cobrem o trecho da Rua Barão do Rio Branco onde o corpo foi encontrado.

Contexto e Histórico

O Centro POP de Campo Grande atende em média 150 pessoas por dia e é o principal ponto de referência para a população em situação de rua na capital. O entorno do equipamento — que fica na região central, próximo à Rua 14 de Julho — concentra grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade, e episódios de violência são recorrentes.

Em 2025, a Polícia Civil registrou 14 homicídios de pessoas em situação de rua em Campo Grande. No primeiro trimestre de 2026, já são 5 casos. A maioria envolve brigas por motivos banais — disputas por espaço para dormir, dívidas de drogas, desentendimentos pessoais. A arma branca é o instrumento mais comum, presente em 70% dos casos.

Campo Grande tem aproximadamente 2.500 pessoas em situação de rua, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social de 2025. O número cresceu 35% em relação a 2022. A dependência química — especialmente crack e álcool — é fator presente em 80% dos atendimentos do Centro POP, segundo a coordenação do equipamento.

"A violência contra a população de rua é invisível pra maioria da cidade. Quando alguém morre na calçada, vira estatística. Não vira manchete, não vira comoção. E o ciclo continua", disse a assistente social que coordena o Centro POP.

O perfil dos agressores, segundo a DHPP, também é de pessoas em situação de rua — em 80% dos casos, vítima e autor se conheciam e frequentavam os mesmos pontos de pernoite. O consumo de crack, que se intensifica durante a madrugada, funciona como gatilho para conflitos que escalam em minutos. A Guarda Civil Metropolitana registrou 126 ocorrências de brigas com arma branca no entorno do Centro POP em 2025 — média de uma a cada três dias.

A rede de assistência social de Campo Grande inclui o Centro POP, o Albergue Municipal Irmã Elza Giovanella (com 80 vagas para pernoite), o Consultório na Rua e o CAPS AD. Mas a demanda supera a oferta. O albergue opera com lotação máxima todas as noites, e muitas pessoas preferem dormir nas ruas por medo de violência dentro do próprio equipamento.

Impacto Para a População

O homicídio em frente ao Centro POP expõe a vulnerabilidade extrema da população de rua em Campo Grande.

Aspecto Detalhe
Vítima Homem, 35-45 anos (não identificado)
Local Calçada do Centro POP, região central
Causa da morte Múltiplas facadas (7 perfurações)
Horário estimado Por volta das 4h
Pop. de rua em CG ~2.500 pessoas
Crescimento (2022-2025) +35%
Homicídios de pop. rua (2025) 14
Homicídios de pop. rua (1º tri 2026) 5
Vagas no albergue municipal 80

Para os moradores e comerciantes da região central, a violência no entorno do Centro POP é motivo de preocupação constante. Lojistas da Rua Barão do Rio Branco relatam que encontram vestígios de brigas — sangue, garrafas quebradas, roupas rasgadas — com frequência nas manhãs de segunda-feira.

Para a população de rua, a violência é parte do cotidiano. Sem proteção, sem endereço, sem rede de apoio, essas pessoas estão expostas a agressões, roubos e homicídios. A taxa de homicídio entre a população de rua é 47 vezes maior que a da população geral, segundo estudo do Ipea. Na madrugada campo-grandense, quando a temperatura cai para 15 °C no inverno e o vento frio varre a Rua 14 de Julho, dezenas de pessoas se amontoam sob marquises de lojas fechadas, cobertas por papelão e cobertores doados. A disputa por um pedaço de calçada coberta — protegido da chuva e do sereno — já motivou ao menos três dos cinco homicídios registrados no primeiro trimestre de 2026.

O Que Dizem os Envolvidos

A Polícia Civil informou que a DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) assumiu a investigação e que as câmeras de segurança da região estão sendo analisadas. "Temos relatos de testemunhas e estamos trabalhando na identificação da vítima e do autor. A linha principal de investigação é desavença pessoal", disse o delegado responsável.

A Secretaria Municipal de Assistência Social lamentou o ocorrido e informou que o Centro POP "oferece atendimento humanizado e encaminhamento para a rede de proteção, mas não tem competência de segurança pública".

A Guarda Civil Metropolitana informou que reforçou as rondas na região central, especialmente no período noturno.

Próximos Passos

A DHPP deve concluir a identificação da vítima nas próximas 48 horas por meio de impressões digitais. A análise das câmeras de segurança pode revelar a dinâmica do crime e ajudar na identificação do autor.

A prefeitura de Campo Grande estuda a ampliação do Albergue Municipal, com a criação de mais 40 vagas de pernoite. O projeto está em fase de licitação, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026.

O MPMS acompanha a situação da população de rua em Campo Grande e cobrou da prefeitura a implementação do Plano Nacional Ruas Visíveis, ao qual o município aderiu em 2025 mas ainda não executou.

Fechamento

Sete facadas na calçada do Centro POP. Mais um homem sem nome, sem documento, sem história conhecida. A violência contra a população de rua em Campo Grande acontece no escuro, quando a cidade dorme. E quando a cidade acorda, o corpo já virou ocorrência. Quem tiver informações sobre o crime pode ligar para a DHPP pelo (67) 3411-3850 ou para o Disque Denúncia 181. A ligação é anônima.

Fontes e Referências

  • Midiamax (midiamax.com.br)
  • Polícia Civil de MS (pc.ms.gov.br)
  • Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande
  • Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea.gov.br)

💰 Violência e população de rua

1

Vítima

Homem, identidade não divulgada

2

Local

Centro POP, Campo Grande

3

Causa

Múltiplas facadas

4

Pop. de rua em CG

~2.500 pessoas

Fonte: Midiamax / Polícia Civil

❓ Perguntas Frequentes

O Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) é um equipamento público de assistência social que oferece atendimento a pessoas em situação de rua em Campo Grande. Localizado na região central da cidade, o Centro POP oferece alimentação, banho, guarda de pertences, encaminhamento para documentação e acompanhamento psicossocial. O espaço funciona durante o dia e não oferece pernoite — para isso, existem os albergues municipais. O Centro POP de Campo Grande atende em média 150 pessoas por dia e é gerido pela Secretaria Municipal de Assistência Social.

Segundo o último levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, realizado em 2025, Campo Grande tem aproximadamente 2.500 pessoas em situação de rua. O número cresceu 35% em relação a 2022, quando eram cerca de 1.850. A maioria são homens entre 25 e 50 anos, e os principais motivos que levaram à situação de rua são dependência química, rompimento de vínculos familiares e desemprego. A região central da cidade concentra a maior parte dessa população, especialmente nos arredores da Rua 14 de Julho, Praça Ary Coelho e imediações do Centro POP.

Campo Grande oferece uma rede de serviços para população em situação de rua que inclui o Centro POP (atendimento diurno com alimentação e higiene), o Albergue Municipal Irmã Elza Giovanella (pernoite com 80 vagas), o Consultório na Rua (atendimento de saúde itinerante), o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial para álcool e drogas) e o programa Abordagem Social, que faz busca ativa nas ruas. O CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) também atende essa população com acompanhamento psicossocial e encaminhamento para programas de moradia e emprego. O acesso é gratuito e não exige documentação.

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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter