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sexta-feira, 03 de abril de 2026
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Governo de MS oficializa cessão do Morenão e anuncia R$ 16,7 milhões para reforma emergencial do estádio

Investimento inclui segurança estrutural, instalações elétricas e adequações contra incêndio. Retomada de atividades prevista para 2027 e concessão à iniciativa privada até 2028

Thiago Oliveira7 min de leituraCampo Grande
Governo de MS oficializa cessão do Morenão e anuncia R$ 16,7 milhões para reforma emergencial do estádio

O Governo de Mato Grosso do Sul oficializou a cessão do Estádio Pedro Pedrossian, o icônico Morenão, e anunciou um investimento de R$ 16,7 milhões para a execução de obras emergenciais que viabilizarão a retomada de atividades no principal palco esportivo do estado. A decisão, que envolve a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), representa o primeiro passo concreto para tirar o estádio do estado de abandono que se arrasta há anos e que transformou o equipamento — outrora orgulho do futebol sul-mato-grossense — em símbolo de descaso com a infraestrutura esportiva estadual.

O projeto prevê intervenções em três frentes prioritárias: segurança estrutural, instalações elétricas e adequações contra incêndio e pânico. A meta é concluir as obras até 2027, permitindo a retomada gradual de eventos esportivos e culturais, e preparar o estádio para uma futura concessão à iniciativa privada, prevista para até 2028.

Um estádio gigante em ruínas

O Morenão, inaugurado em 1971, possui capacidade para 43 mil espectadores e já foi palco de jogos memoráveis do futebol brasileiro, incluindo partidas de Campeonatos Brasileiros da Série A e eliminatórias da Copa do Mundo. No entanto, a falta de manutenção sistemática ao longo das últimas décadas transformou o estádio em uma estrutura com problemas graves de segurança.

Laudos técnicos elaborados por engenheiros da Fundesporte e do Corpo de Bombeiros Militar de MS apontaram:

  • Trincas e fissuras na estrutura de concreto das arquibancadas, com risco de desplacamento
  • Instalação elétrica obsoleta, com fiação exposta e quadros de distribuição sem proteção adequada
  • Sistema de combate a incêndio inexistente ou completamente inoperante
  • Ausência de rotas de fuga adequadas às normas atuais de segurança
  • Corrosão nas ferragens de sustentação das coberturas metálicas
  • Infiltrações generalizadas nos vestiários, salas administrativas e áreas de imprensa

Em razão dessas deficiências, o Morenão foi interditado para grandes eventos públicos, perdendo a capacidade de sediar jogos do Campeonato Brasileiro, do Campeonato Sul-Mato-Grossense e até shows e eventos culturais que historicamente utilizavam o espaço.

Detalhamento do investimento de R$ 16,7 milhões

Os R$ 16,7 milhões anunciados pelo governo serão aplicados em três etapas de intervenção:

Etapa 1 — Segurança Estrutural (R$ 8,2 milhões): Compreende o reforço das estruturas de concreto armado das arquibancadas e fundações, a recuperação das ferragens corroídas, a impermeabilização das lajes e a substituição de elementos de cobertura comprometidos. Os trabalhos incluem ensaios de resistência do concreto (esclerometria e pacometria) para mapear os pontos mais críticos.

Etapa 2 — Instalações Elétricas (R$ 4,3 milhões): Troca completa da fiação e dos quadros de distribuição, instalação de sistema de iluminação LED de alta eficiência para o campo e arquibancadas, adequação de tomadas e circuitos para transmissões televisivas e instalação de geradores de emergência com capacidade de 500 kVA.

Etapa 3 — Sistema Contra Incêndio e Pânico (R$ 4,2 milhões): Instalação de hidrantes, extintores, sistema de detecção de fumaça, sinalização de emergência fotoluminescente, alarmes sonoros e visuais, rotas de fuga dimensionadas para a capacidade máxima do estádio e central de monitoramento. O projeto seguirá as normas técnicas do CBMMS e as recomendações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para estádios de grande porte.

Concessão à iniciativa privada

O projeto do governo vai além da simples reforma. A visão estratégica é transformar o Morenão em um equipamento multiuso e autossustentável por meio da concessão à iniciativa privada. O modelo previsto é o de Parceria Público-Privada (PPP), no qual a empresa concessionária assumiria a gestão, a manutenção e a exploração comercial do estádio por um período de 25 a 30 anos.

O concessionário teria direito de explorar bilheteria, camarotes, naming rights (direito de nomear o estádio), espaços para eventos corporativos, shows musicais, feiras e exposições, além de estacionamento e áreas de alimentação. Em contrapartida, ficaria obrigado a manter o estádio em condições de uso, realizar investimentos contínuos em modernização e disponibilizar o espaço para eventos públicos com desconto para o governo.

Modelos similares foram adotados com sucesso em outros estados, como a Arena MRV (Belo Horizonte), a Arena Castelão (Fortaleza) e o Estádio Mané Garrincha (Brasília). O governo de MS pretende iniciar o processo de modelagem da concessão no segundo semestre de 2026, com publicação do edital prevista para o primeiro semestre de 2027.

Impacto econômico e esportivo

A revitalização do Morenão tem potencial para gerar impacto significativo na economia de Campo Grande. Segundo estimativas da Fundesporte, um estádio plenamente operacional pode movimentar até R$ 80 milhões por ano em atividades diretas e indiretas, incluindo geração de empregos temporários em dias de jogos e eventos, aquecimento do comércio no entorno e aumento do fluxo turístico.

O futebol sul-mato-grossense depende da recuperação do Morenão para retomar a atratividade competitiva. Atualmente, os clubes do estado disputam seus jogos em estádios menores, com capacidade limitada e infraestrutura aquém dos padrões exigidos pela CBF para competições nacionais. A volta do Morenão permitiria que clubes como o Operário, o Comercial e o Aquidauanense recebam adversários de maior expressão, ampliando a receita de bilheteria e os direitos de transmissão.

O governador Eduardo Riedel destacou que a reforma do Morenão faz parte de uma visão mais ampla de valorização do esporte e da cultura em Mato Grosso do Sul, alinhada às ações do governo para modernizar a infraestrutura pública do estado e atrair investimentos privados para setores com potencial de geração de emprego e renda.

Cronologia da degradação

A trajetória de abandono do Morenão pode ser resumida em marcos que ilustram décadas de promessas não cumpridas:

Período Evento
1971 Inauguração do estádio com capacidade para 43 mil
1997 Último grande investimento em manutenção
2014 Interdição parcial pelo Corpo de Bombeiros
2019 Laudo técnico atesta risco estrutural grave
2022 Interdição total para eventos com público
2026 Governo anuncia R$ 16,7 mi para reforma emergencial

Ao longo desses anos, pelo menos 4 projetos de revitalização foram anunciados por governos anteriores, mas nenhum saiu do papel. A falta de continuidade administrativa e a priorização de outras obras públicas desviaram recursos que poderiam ter evitado a deterioração completa do equipamento.

Geração de empregos e impacto social

As obras emergenciais previstas devem gerar aproximadamente 350 empregos diretos durante o período de execução, entre engenheiros, técnicos em edificações, eletricistas, pedreiros e profissionais de segurança contra incêndio. Indiretamente, a movimentação econômica beneficiará fornecedores de materiais, transportadoras e empresas de alimentação que atenderão os canteiros de obras.

A Fundesporte estima que, após a conclusão das reformas e a reabertura do Morenão, o estádio poderá sediar até 60 eventos por ano — entre jogos de futebol, shows musicais, feiras de negócios e eventos religiosos —, gerando até 1.500 postos de trabalho temporários a cada evento de grande porte. Para uma capital que ainda busca diversificar sua economia para além do setor de serviços e do agronegócio, a reativação do Morenão representa uma oportunidade concreta de dinamização urbana e inclusão social.

A expectativa da torcida sul-mato-grossense é de que o Morenão volte a ser o coração do futebol no estado — e, quem sabe, palco de uma futura competição nacional que devolva aos campo-grandenses o orgulho de ter um estádio à altura da vocação esportiva de Mato Grosso do Sul.

Fonte: Fundação de Desporto e Lazer de MS (fundesporte.ms.gov.br), Diário Digital MS, TopMídia News

💰 Números do projeto

1

Investimento

R$ 16,7 milhões

2

Retomada prevista

2027

3

Concessão privada

Até 2028

4

Capacidade

43 mil lugares

Fonte: Fundesporte / fundesporte.ms.gov.br

❓ Perguntas Frequentes

A previsão é que as obras emergenciais sejam concluídas até 2027, permitindo a retomada de atividades no estádio. A concessão à iniciativa privada está prevista para até 2028.

O Governo de MS anunciou R$ 16,7 milhões para obras emergenciais de segurança estrutural, adequação elétrica e sistema contra incêndio e pânico.

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Thiago Oliveira

Repórter