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quarta-feira, 08 de abril de 2026
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Bombeiros de MS intensificam preparação para Operação Pantanal 2026 com drones e R$ 24 milhões em investimentos

Corpo de Bombeiros testa drones com sensores de calor, treina brigadas rurais e reativa bases avançadas. Estado receberá R$ 24 milhões do Plano Nacional contra incêndios florestais.

Thiago Oliveira8 min de leituraCampo Grande
Bombeiros de MS intensificam preparação para Operação Pantanal 2026 com drones e R$ 24 milhões em investimentos

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) intensificou desde fevereiro a preparação para a Operação Pantanal 2026, o maior programa de prevenção e combate a incêndios florestais do estado. A edição deste ano traz como novidades o uso operacional de drones equipados com sensores térmicos, o treinamento massivo de brigadas de incêndio em propriedades rurais e a reativação de bases avançadas em parques estaduais. O orçamento para a operação alcança R$ 24 milhões, provenientes do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais, articulados entre governos federal, estadual e municipal.

Drones com sensores de calor

A principal novidade tecnológica da Operação Pantanal 2026 é a entrada em operação de drones equipados com sensores de rastreamento térmico — câmeras infravermelhas capazes de detectar anomalias de temperatura na vegetação antes que as chamas se tornem visíveis a olho nu.

Os equipamentos, que vêm sendo testados desde fevereiro em áreas estratégicas do Pantanal e do Cerrado, representam um salto qualitativo na capacidade de detecção precoce. A tecnologia permite:

  • Identificação de pontos de calor anômalo — O sensor térmico capta variações de temperatura no solo e na vegetação que indicam o início de um processo de combustão, mesmo quando ainda não há fogo visível
  • Monitoramento remoto de áreas de difícil acesso — Ilhas fluviais, regiões pantaneiras sem estradas e áreas de serra que antes só podiam ser monitoradas por sobrevoos de aeronaves tripuladas
  • Mapeamento em tempo real — Durante o combate a um incêndio ativo, o drone transmite imagens térmicas que auxiliam os comandantes no planejamento tático, indicando a direção de propagação das chamas e os pontos mais quentes
  • Verificação pós-combate — Após o controle de um incêndio, o drone sobrevoa a área para identificar focos de reignição ocultos sob cinzas, evitando que o fogo retorne após a retirada das equipes

Os testes operacionais incluíram voos programados sobre áreas do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, nas Nascentes do Rio Taquari e em fazendas da região de Corumbá, onde os incêndios costumam ser mais severos durante a estiagem.

Brigadas de incêndio em propriedades rurais

Outra frente estratégica da Operação Pantanal 2026 é a instalação e treinamento de brigadas de incêndio em propriedades rurais. A iniciativa reconhece que os produtores rurais são os primeiros a detectar focos de incêndio em suas terras e, com treinamento adequado, podem atuar como linha de defesa inicial antes da chegada das equipes profissionais.

O programa de brigadas rurais inclui:

  • Formação técnica — Cursos de 40 horas que ensinam técnicas de combate a incêndios em vegetação, uso de equipamentos manuais (abafadores, enxadas, pás), construção de aceiros e noções de segurança individual
  • Queima controlada — Orientação sobre técnicas de manejo integrado do fogo, incluindo queima prescrita em períodos de menor risco para redução da biomassa combustível nas pastagens
  • Equipamentos básicos — Distribuição de kits de combate inicial, contendo abafadores, motobombas portáteis e EPIs para os brigadistas voluntários
  • Comunicação direta — Criação de canais de comunicação rápida entre as brigadas rurais e os quartéis do CBMMS, permitindo acionamento imediato quando o fogo ultrapassa a capacidade de combate local

A estratégia é particularmente importante no Pantanal, onde as grandes distâncias entre as fazendas e os quartéis de bombeiros podem resultar em tempos de deslocamento de várias horas, durante as quais o fogo avança sem contenção.

Bases avançadas e queimas prescritas

O CBMMS está organizando a reativação de bases avançadas em pontos estratégicos do território sul-mato-grossense. Essas bases funcionam como postos avançados que reduzem drasticamente o tempo de resposta a incêndios em áreas remotas:

  • Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro — Base com capacidade para abrigar equipes de combate com equipamentos pesados, incluindo caminhões-pipa e motobombas de alta vazão
  • Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari — Posto avançado para monitoramento da transição entre Cerrado e Pantanal, região com alta incidência de focos de incêndio
  • Bases itinerantes — Estruturas móveis que podem ser deslocadas conforme a evolução do risco, posicionando equipes nos locais mais críticos de cada período

Paralelamente, estão sendo planejadas queimas prescritas — queimadas controladas realizadas sob condições técnicas ideais (umidade, vento, temperatura) — em áreas onde o acúmulo de matéria seca representa risco elevado de incêndios descontrolados. As queimas prescritas são uma técnica reconhecida internacionalmente como eficaz na redução do material combustível disponível, diminuindo a intensidade e a velocidade de propagação de incêndios acidentais.

Investimento de R$ 24 milhões

O aporte financeiro para a Operação Pantanal 2026 é o maior já registrado para o combate a incêndios florestais em MS. Os R$ 24 milhões previstos pelo Plano Nacional de Enfrentamento serão aplicados em:

Categoria Investimento
Equipamentos de combate Mochilas costais, sopradores, motosserras
Veículos Caminhões Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF)
Proteção individual EPIs completos para todos os combatentes
Tecnologia Drones com sensor térmico, GPS de mão, rádios
Capacitação Treinamento de militares e brigadistas
Infraestrutura Bases avançadas e postos de observação

O recurso é articulado entre as três esferas de governo e complementa o orçamento próprio do CBMMS para a temporada de incêndios.

Manutenção e vistoria de equipamentos

A corporação realiza desde fevereiro o levantamento, vistoria e manutenção de todos os equipamentos em reserva técnica, garantindo que estejam em condições de pronto emprego quando a temporada de estiagem chegar, prevista para os meses de julho a outubro.

A manutenção inclui revisão mecânica de veículos de combate, teste de funcionamento de bombas e motobombas, verificação de mangueiras e conexões, calibração de equipamentos de comunicação e reposição de EPIs vencidos ou danificados. A logística de manutenção é coordenada pela Diretoria de Logística do CBMMS e envolve os quartéis de todas as regiões do estado.

Contexto: por que a prevenção é urgente

Mato Grosso do Sul abriga três dos biomas mais importantes do Brasil — Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica — e é historicamente um dos estados mais afetados por incêndios florestais. Os anos de 2024 e 2025 registraram temporadas severas de queimadas, com milhares de focos de calor e centenas de milhares de hectares queimados no Pantanal.

A seca prolongada, as altas temperaturas e a ação humana — incluindo queimadas para renovação de pastagens que saem do controle — são os principais fatores que transformam o período de estiagem em uma temporada de emergência ambiental. A Operação Pantanal existe justamente para antecipar essa crise, preparando as equipes e posicionando recursos antes que os incêndios comecem.

As informações desta reportagem foram apuradas com base em dados oficiais do Corpo de Bombeiros de MS, Governo de MS e em reportagens do Campo Grande News, Capital News e RCN67.

Como denunciar focos de incêndio e canais de informação

O Corpo de Bombeiros de MS orienta que qualquer cidadão que aviste foco de incêndio em vegetação acione imediatamente o 193 (Corpo de Bombeiros) ou o 0800 647 7474 (Linha Verde do Ibama). A detecção precoce é fundamental para o controle eficaz — incêndios combatidos nos primeiros minutos são exponencialmente mais fáceis de extinguir do que aqueles que já se espalharam por grandes áreas. A corporação também disponibiliza um sistema de monitoramento por satélite acessível pela internet, onde qualquer pessoa pode verificar a situação dos focos de calor em tempo real no território de Mato Grosso do Sul. A preparação antecipada da Operação Pantanal 2026 sinaliza que o estado aprendeu com as lições das temporadas anteriores e está investindo em prevenção ao invés de apenas reagir.

💰 Investimentos na Operação Pantanal 2026

1

Investimento total

R$ 24 milhões

2

Tecnologia principal

Drones com sensor térmico

3

Biomas protegidos

Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica

4

Preparação desde

Fevereiro de 2026

Fonte: Campo Grande News / Capital News / Bombeiros MS / Governo de MS / RCN67

❓ Perguntas Frequentes

O estado deve receber cerca de R$ 24 milhões dentro do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais para 2026.

Drones equipados com sensores de calor para identificação precoce de focos de incêndio e monitoramento remoto de áreas de difícil acesso.

A operação protege o Pantanal, o Cerrado e remanescentes de Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul.

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Thiago Oliveira

Repórter