Bombeiros de MS intensificam preparação para Operação Pantanal 2026 com drones e R$ 24 milhões em investimentos
Corpo de Bombeiros testa drones com sensores de calor, treina brigadas rurais e reativa bases avançadas. Estado receberá R$ 24 milhões do Plano Nacional contra incêndios florestais.

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) intensificou desde fevereiro a preparação para a Operação Pantanal 2026, o maior programa de prevenção e combate a incêndios florestais do estado. A edição deste ano traz como novidades o uso operacional de drones equipados com sensores térmicos, o treinamento massivo de brigadas de incêndio em propriedades rurais e a reativação de bases avançadas em parques estaduais. O orçamento para a operação alcança R$ 24 milhões, provenientes do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais, articulados entre governos federal, estadual e municipal.
Drones com sensores de calor
A principal novidade tecnológica da Operação Pantanal 2026 é a entrada em operação de drones equipados com sensores de rastreamento térmico — câmeras infravermelhas capazes de detectar anomalias de temperatura na vegetação antes que as chamas se tornem visíveis a olho nu.
Os equipamentos, que vêm sendo testados desde fevereiro em áreas estratégicas do Pantanal e do Cerrado, representam um salto qualitativo na capacidade de detecção precoce. A tecnologia permite:
- Identificação de pontos de calor anômalo — O sensor térmico capta variações de temperatura no solo e na vegetação que indicam o início de um processo de combustão, mesmo quando ainda não há fogo visível
- Monitoramento remoto de áreas de difícil acesso — Ilhas fluviais, regiões pantaneiras sem estradas e áreas de serra que antes só podiam ser monitoradas por sobrevoos de aeronaves tripuladas
- Mapeamento em tempo real — Durante o combate a um incêndio ativo, o drone transmite imagens térmicas que auxiliam os comandantes no planejamento tático, indicando a direção de propagação das chamas e os pontos mais quentes
- Verificação pós-combate — Após o controle de um incêndio, o drone sobrevoa a área para identificar focos de reignição ocultos sob cinzas, evitando que o fogo retorne após a retirada das equipes
Os testes operacionais incluíram voos programados sobre áreas do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, nas Nascentes do Rio Taquari e em fazendas da região de Corumbá, onde os incêndios costumam ser mais severos durante a estiagem.
Brigadas de incêndio em propriedades rurais
Outra frente estratégica da Operação Pantanal 2026 é a instalação e treinamento de brigadas de incêndio em propriedades rurais. A iniciativa reconhece que os produtores rurais são os primeiros a detectar focos de incêndio em suas terras e, com treinamento adequado, podem atuar como linha de defesa inicial antes da chegada das equipes profissionais.
O programa de brigadas rurais inclui:
- Formação técnica — Cursos de 40 horas que ensinam técnicas de combate a incêndios em vegetação, uso de equipamentos manuais (abafadores, enxadas, pás), construção de aceiros e noções de segurança individual
- Queima controlada — Orientação sobre técnicas de manejo integrado do fogo, incluindo queima prescrita em períodos de menor risco para redução da biomassa combustível nas pastagens
- Equipamentos básicos — Distribuição de kits de combate inicial, contendo abafadores, motobombas portáteis e EPIs para os brigadistas voluntários
- Comunicação direta — Criação de canais de comunicação rápida entre as brigadas rurais e os quartéis do CBMMS, permitindo acionamento imediato quando o fogo ultrapassa a capacidade de combate local
A estratégia é particularmente importante no Pantanal, onde as grandes distâncias entre as fazendas e os quartéis de bombeiros podem resultar em tempos de deslocamento de várias horas, durante as quais o fogo avança sem contenção.
Bases avançadas e queimas prescritas
O CBMMS está organizando a reativação de bases avançadas em pontos estratégicos do território sul-mato-grossense. Essas bases funcionam como postos avançados que reduzem drasticamente o tempo de resposta a incêndios em áreas remotas:
- Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro — Base com capacidade para abrigar equipes de combate com equipamentos pesados, incluindo caminhões-pipa e motobombas de alta vazão
- Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari — Posto avançado para monitoramento da transição entre Cerrado e Pantanal, região com alta incidência de focos de incêndio
- Bases itinerantes — Estruturas móveis que podem ser deslocadas conforme a evolução do risco, posicionando equipes nos locais mais críticos de cada período
Paralelamente, estão sendo planejadas queimas prescritas — queimadas controladas realizadas sob condições técnicas ideais (umidade, vento, temperatura) — em áreas onde o acúmulo de matéria seca representa risco elevado de incêndios descontrolados. As queimas prescritas são uma técnica reconhecida internacionalmente como eficaz na redução do material combustível disponível, diminuindo a intensidade e a velocidade de propagação de incêndios acidentais.
Investimento de R$ 24 milhões
O aporte financeiro para a Operação Pantanal 2026 é o maior já registrado para o combate a incêndios florestais em MS. Os R$ 24 milhões previstos pelo Plano Nacional de Enfrentamento serão aplicados em:
| Categoria | Investimento |
|---|---|
| Equipamentos de combate | Mochilas costais, sopradores, motosserras |
| Veículos | Caminhões Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF) |
| Proteção individual | EPIs completos para todos os combatentes |
| Tecnologia | Drones com sensor térmico, GPS de mão, rádios |
| Capacitação | Treinamento de militares e brigadistas |
| Infraestrutura | Bases avançadas e postos de observação |
O recurso é articulado entre as três esferas de governo e complementa o orçamento próprio do CBMMS para a temporada de incêndios.
Manutenção e vistoria de equipamentos
A corporação realiza desde fevereiro o levantamento, vistoria e manutenção de todos os equipamentos em reserva técnica, garantindo que estejam em condições de pronto emprego quando a temporada de estiagem chegar, prevista para os meses de julho a outubro.
A manutenção inclui revisão mecânica de veículos de combate, teste de funcionamento de bombas e motobombas, verificação de mangueiras e conexões, calibração de equipamentos de comunicação e reposição de EPIs vencidos ou danificados. A logística de manutenção é coordenada pela Diretoria de Logística do CBMMS e envolve os quartéis de todas as regiões do estado.
Contexto: por que a prevenção é urgente
Mato Grosso do Sul abriga três dos biomas mais importantes do Brasil — Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica — e é historicamente um dos estados mais afetados por incêndios florestais. Os anos de 2024 e 2025 registraram temporadas severas de queimadas, com milhares de focos de calor e centenas de milhares de hectares queimados no Pantanal.
A seca prolongada, as altas temperaturas e a ação humana — incluindo queimadas para renovação de pastagens que saem do controle — são os principais fatores que transformam o período de estiagem em uma temporada de emergência ambiental. A Operação Pantanal existe justamente para antecipar essa crise, preparando as equipes e posicionando recursos antes que os incêndios comecem.
As informações desta reportagem foram apuradas com base em dados oficiais do Corpo de Bombeiros de MS, Governo de MS e em reportagens do Campo Grande News, Capital News e RCN67.
Como denunciar focos de incêndio e canais de informação
O Corpo de Bombeiros de MS orienta que qualquer cidadão que aviste foco de incêndio em vegetação acione imediatamente o 193 (Corpo de Bombeiros) ou o 0800 647 7474 (Linha Verde do Ibama). A detecção precoce é fundamental para o controle eficaz — incêndios combatidos nos primeiros minutos são exponencialmente mais fáceis de extinguir do que aqueles que já se espalharam por grandes áreas. A corporação também disponibiliza um sistema de monitoramento por satélite acessível pela internet, onde qualquer pessoa pode verificar a situação dos focos de calor em tempo real no território de Mato Grosso do Sul. A preparação antecipada da Operação Pantanal 2026 sinaliza que o estado aprendeu com as lições das temporadas anteriores e está investindo em prevenção ao invés de apenas reagir.
💰 Investimentos na Operação Pantanal 2026
Investimento total
R$ 24 milhões
Tecnologia principal
Drones com sensor térmico
Biomas protegidos
Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica
Preparação desde
Fevereiro de 2026
Fonte: Campo Grande News / Capital News / Bombeiros MS / Governo de MS / RCN67
❓ Perguntas Frequentes
O estado deve receber cerca de R$ 24 milhões dentro do Plano Nacional de Enfrentamento aos Incêndios Florestais para 2026.
Drones equipados com sensores de calor para identificação precoce de focos de incêndio e monitoramento remoto de áreas de difícil acesso.
A operação protege o Pantanal, o Cerrado e remanescentes de Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul.
Thiago Oliveira
Repórter
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