Petrobras aprova retomada da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas
Conselho da estatal autoriza continuidade da UFN-III com investimento de R$ 3,5 bilhões e previsão de operação em 2028

Onze anos depois do início e seis de paralisia, a UFN-III volta a andar. O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nesta segunda-feira (13) a retomada das obras da fábrica de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas, com investimento de R$ 3,5 bilhões para conclusão. A planta, que estava 80% pronta quando foi abandonada em 2015, deve começar a operar em 2028.
O Que Aconteceu
A decisão foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante publicado pela Petrobras na noite desta segunda-feira. O Conselho de Administração autorizou a diretoria a iniciar os processos de contratação de empreiteiras e fornecedores para concluir a construção da UFN-III.
A fábrica vai produzir 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano e 700 mil toneladas de amônia, a partir de gás natural. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado na agricultura brasileira — essencial para as lavouras de soja, milho e algodão que sustentam o agronegócio de MS.
O projeto original da UFN-III foi aprovado em 2011, com investimento inicial estimado em R$ 3,2 bilhões. As obras começaram em 2012 e avançaram até 2015, quando a Petrobras paralisou a construção em meio à crise financeira provocada pela Operação Lava Jato. Na época, a estatal acumulava dívida de R$ 500 bilhões e cortou investimentos em todas as áreas.
A fábrica ficou abandonada por seis anos — de 2015 a 2021 — sofrendo deterioração de equipamentos e estruturas. Em 2024, o Conselho da Petrobras decidiu retomar o projeto, e a aprovação desta segunda-feira autoriza o início efetivo das contratações.
"A UFN-III é o maior investimento industrial da história de Três Lagoas. A retomada muda o patamar econômico do município e do estado", disse o prefeito de Três Lagoas em nota.
Contexto e Histórico
O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Mas produz apenas 15% do que consome — os outros 85% são importados, principalmente da Rússia, China e Marrocos. A dependência externa ficou evidente em 2022, quando a guerra na Ucrânia provocou alta de 120% no preço dos fertilizantes e ameaçou o abastecimento da safra brasileira.
A UFN-III de Três Lagoas, quando operacional, vai atender cerca de 7% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Parece pouco, mas representa economia de US$ 800 milhões por ano em importações, segundo estimativa da Petrobras.
Três Lagoas já é polo industrial consolidado. A Suzano e a Bracell operam fábricas de celulose no município, que juntas produzem 5,5 milhões de toneladas por ano — fazendo de MS o maior produtor de celulose do Brasil. A UFN-III diversifica a base industrial e reduz a dependência do setor de celulose.
O gás natural que alimentará a fábrica virá do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que passa por Três Lagoas. A disponibilidade de gás foi um dos fatores que levaram a Petrobras a escolher o município para a UFN-III em 2011.
Para o agronegócio de MS — que responde por 35% do PIB estadual — ter uma fábrica de fertilizantes no próprio estado reduz custos logísticos. Hoje, a ureia consumida pelos produtores sul-mato-grossenses vem de Paranaguá (PR) ou Santos (SP), percorrendo mais de 1.000 km em caminhões. Com a UFN-III, a distância cai para menos de 400 km para a maioria dos municípios produtores.
"O produtor de MS paga frete de R$ 200 por tonelada de ureia que vem do porto. Com a fábrica em Três Lagoas, esse custo cai pela metade. Na safra inteira, são milhões de reais de economia", calculou o presidente da Famasul durante a Expogrande 2026.
A deterioração da planta durante os seis anos de paralisia é um dos fatores que elevaram o custo de conclusão. Relatório técnico da Petrobras de 2024 identificou corrosão em 340 metros lineares de tubulação de aço inoxidável, danos em painéis elétricos expostos à umidade e necessidade de substituição de 12 compressores cujas peças de reposição saíram de linha. O canteiro de obras, que chegou a abrigar 8 mil trabalhadores no pico da construção em 2014, ficou reduzido a uma equipe de vigilância de 15 pessoas. Mato tomou conta das áreas externas, e o barulho das máquinas deu lugar ao canto dos periquitos-de-encontro-amarelo que nidificam nas estruturas metálicas abandonadas — cena que moradores de Três Lagoas registraram em redes sociais como símbolo do abandono.
Impacto Para a População
A retomada da UFN-III gera impacto direto na economia de Três Lagoas e de todo o estado.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Investimento para conclusão | R$ 3,5 bilhões |
| Produção de ureia | 1,2 milhão ton./ano |
| Produção de amônia | 700 mil ton./ano |
| Empregos na obra | ~4 mil diretos |
| Empregos permanentes | ~500 |
| Operação prevista | 2028 |
| Demanda nacional atendida | ~7% |
| Economia em importações | US$ 800 milhões/ano |
| Obra concluída | ~80% |
| Paralisação | 2015-2026 (11 anos) |
Para Três Lagoas, a retomada significa 4 mil empregos diretos durante a obra — engenheiros, soldadores, eletricistas, operadores de máquinas. O comércio local, hotéis e restaurantes já sentem o efeito do anúncio. "Quando a obra parou em 2015, a cidade sentiu. Hotéis fecharam, restaurantes demitiram. Agora vai voltar tudo", disse o presidente da Associação Comercial de Três Lagoas.
Na operação permanente, a fábrica vai empregar cerca de 500 pessoas com salários médios de R$ 8 mil a R$ 15 mil — acima da média do município. A arrecadação de ICMS estimada é de R$ 180 milhões por ano.
O Que Dizem os Envolvidos
A Petrobras informou que "a retomada da UFN-III está alinhada ao Plano Estratégico 2025-2029 e ao compromisso da companhia com a segurança alimentar do Brasil". A estatal destacou que a fábrica "vai contribuir para a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados".
O governador Eduardo Riedel comemorou a decisão. "É o maior investimento industrial em MS na última década. A UFN-III coloca Três Lagoas no mapa da indústria de fertilizantes e fortalece o agro do estado inteiro."
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse que "a bancada federal de MS trabalhou pela retomada desde 2023" e que "a fábrica é estratégica para a soberania alimentar do Brasil".
Próximos Passos
A Petrobras deve publicar os editais de licitação para contratação de empreiteiras no segundo semestre de 2026. A previsão é que as obras de conclusão comecem no início de 2027, com duração estimada de 18 a 24 meses.
Os testes de comissionamento — verificação de todos os sistemas antes da partida — devem levar 6 meses adicionais. A operação comercial está prevista para o segundo semestre de 2028.
O governo de MS negocia com a Petrobras incentivos fiscais para a operação da fábrica, incluindo redução de ICMS sobre o gás natural consumido pela planta.
Fechamento
Seis anos parada, equipamentos enferrujando, R$ 3,2 bilhões enterrados no chão de Três Lagoas sem produzir um grama de ureia. A UFN-III virou símbolo do desperdício da Petrobras na era Lava Jato. Agora, com mais R$ 3,5 bilhões, a promessa é concluir até 2028. Se cumprir, MS ganha a maior fábrica de fertilizantes do Centro-Oeste e o agro brasileiro fica um pouco menos refém do preço internacional. Se não cumprir, são mais bilhões jogados no Cerrado. O histórico não inspira confiança, mas o dinheiro já foi aprovado.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Petrobras — Fato Relevante (petrobras.com.br)
- Famasul (famasul.com.br)
- Governo de MS (ms.gov.br)
- Nasdaq / Zacks Equity Research (nasdaq.com)
💰 UFN-III em números
Investimento
R$ 3,5 bilhões
Empregos na obra
~4 mil diretos
Produção anual
1,2 milhão ton. de ureia
Operação prevista
2028
Fonte: Campo Grande News / Petrobras
❓ Perguntas Frequentes
A UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) é uma fábrica de fertilizantes da Petrobras localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O projeto foi iniciado em 2011, mas as obras foram paralisadas em 2015 durante a crise financeira da estatal, quando a construção estava aproximadamente 80% concluída. A fábrica vai produzir ureia e amônia a partir de gás natural, com capacidade para 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano. O investimento total para conclusão é estimado em R$ 3,5 bilhões. A retomada foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras e a operação está prevista para 2028.
A UFN-III é estratégica para Mato Grosso do Sul e para o agronegócio brasileiro por diversos motivos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que torna o país vulnerável a oscilações de preço e problemas logísticos internacionais. A fábrica de Três Lagoas vai produzir ureia — o fertilizante nitrogenado mais usado na agricultura brasileira — reduzindo a dependência de importações. Para MS, a fábrica representa geração de empregos (4 mil diretos na obra, 500 permanentes na operação), arrecadação de impostos e fortalecimento da cadeia produtiva do agro. Três Lagoas já é polo industrial de celulose e a UFN-III diversifica a base econômica do município.
A previsão da Petrobras é que a UFN-III comece a operar em 2028. As obras de conclusão devem ser retomadas no segundo semestre de 2026, após os processos de contratação de empreiteiras e fornecedores. A construção estava aproximadamente 80% concluída quando foi paralisada em 2015. Os 20% restantes incluem montagem de equipamentos, testes de comissionamento e partida da planta. O investimento para conclusão é de R$ 3,5 bilhões. A Petrobras informou que a fábrica vai atender cerca de 7% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados quando estiver em plena operação.
Thiago Oliveira
Repórter
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