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quarta-feira, 15 de abril de 2026
🚔 Polícia

PM que atirou na esposa está em coma na Santa Casa de Campo Grande

Policial militar aposentado que baleou a mulher no Jardim Colúmbia permanece em estado grave e sem previsão de alta

Marcos Vinícius Borges7 min de leituraCampo Grande
PM que atirou na esposa está em coma na Santa Casa de Campo Grande

O vídeo circulou nas redes sociais de Campo Grande em minutos. Uma mulher, ferida, escalando o muro de casa para fugir dos tiros do próprio marido. Do outro lado, vizinhos gritando, estendendo as mãos. O PM aposentado que disparou contra ela está em coma na Santa Casa. Ela sobreviveu. Ele, talvez não.

O Que Aconteceu

O caso ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (14). O policial militar aposentado — de 58 anos — que baleou a esposa na noite de segunda-feira (13) no bairro Jardim Colúmbia permanece em coma na UTI da Santa Casa de Campo Grande. O quadro é classificado como gravíssimo pela equipe médica, sem previsão de alta ou de recuperação da consciência.

O homem disparou contra a mulher — de 52 anos — dentro da residência do casal e em seguida voltou a arma contra si, atingindo a própria cabeça. A pistola calibre .380, de uso pessoal, foi apreendida pela Polícia Civil no local.

A mulher foi atingida no braço esquerdo, mas conseguiu se levantar e correr em direção ao muro dos fundos da casa. Um vídeo gravado por vizinhos — que viralizou nas redes sociais — mostra o momento em que ela escala o muro de aproximadamente 1,80 metro, ferida e ensanguentada, e cai do outro lado no quintal da casa vizinha. Moradores a socorreram e acionaram o Samu.

Ela foi encaminhada ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes, onde recebeu atendimento e foi liberada na manhã desta terça. Já prestou depoimento à DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que assumiu a investigação.

Segundo relato da vítima à polícia, o casal discutia há semanas sobre a separação. Na noite de segunda, a discussão escalou e o homem sacou a arma. "Ele disse que se ela saísse de casa, ninguém mais ia ver ela viva. Aí atirou", relatou uma vizinha que ouviu a discussão antes dos disparos.

O casal não tinha filhos morando na residência. Os dois filhos adultos foram notificados e acompanham a situação no hospital.

Contexto e Histórico

O caso do Jardim Colúmbia é o segundo envolvendo policial militar e tentativa de feminicídio em Campo Grande em menos de 48 horas. Na mesma segunda-feira, um cabo da PM da ativa atirou na esposa em outro bairro da cidade — caso que também resultou em tentativa de suicídio do agressor. A coincidência chocou a corporação e a população.

A PM de MS tem 8.200 policiais na ativa e cerca de 3.500 aposentados. Desses, estima-se que 2.800 mantêm porte de arma de fogo. A Corregedoria da PM informou que não há registro de ocorrência anterior de violência doméstica envolvendo o aposentado do Jardim Colúmbia — o que não significa que não houve violência, apenas que não foi registrada.

Mato Grosso do Sul registrou 11 feminicídios no primeiro trimestre de 2026 e pelo menos 3 tentativas envolvendo arma de fogo em abril. A presença de arma no domicílio é o fator que transforma briga em tragédia. O Instituto Sou da Paz calcula que o risco de feminicídio aumenta cinco vezes quando há arma de fogo em casa.

O vídeo da mulher pulando o muro gerou comoção nas redes sociais. Em poucas horas, acumulou mais de 200 mil visualizações em perfis de Campo Grande. Comentários oscilam entre solidariedade à vítima e indignação com a violência. "Ela pulou o muro pra sobreviver. Quantas não conseguem pular?", escreveu uma internauta.

A Santa Casa de Campo Grande é referência em trauma e atende a maioria dos casos de violência com arma de fogo na capital. Em 2025, o hospital registrou 487 atendimentos por ferimento de arma de fogo — média de 1,3 por dia. O custo médio de internação em UTI por ferimento na cabeça é de R$ 2.800 por dia, segundo dados do SUS.

O calor de 36°C que castigava Campo Grande na tarde desta terça contrastava com o silêncio na rua do Jardim Colúmbia. A casa do casal estava lacrada pela polícia. Vizinhos evitavam passar na calçada. "A gente ouviu os tiros, viu ela pulando o muro sangrando. Não dá pra esquecer uma cena dessas", disse o morador que gravou o vídeo.

Impacto Para a População

Dois casos de PM atirando na esposa em 48 horas em Campo Grande reacendem o debate sobre controle de armas de policiais.

Aspecto Detalhe
Agressor PM aposentado, 58 anos
Estado Coma (UTI Santa Casa)
Vítima Esposa, 52 anos
Estado da vítima Estável (liberada)
Arma Pistola .380 (uso pessoal)
Bairro Jardim Colúmbia, CG
Vídeo Mulher pulando muro, 200 mil views
PMs aposentados com porte ~2.800 em MS
Feminicídios MS (1º tri 2026) 11
Custo UTI/dia (arma de fogo) R$ 2.800

Para as mulheres de Campo Grande, o vídeo da mulher pulando o muro é ao mesmo tempo horror e esperança — horror pela violência, esperança porque ela conseguiu fugir. Para a corporação da PM, dois casos em 48 horas é crise institucional que exige resposta.

A Rede de Proteção à Mulher de Campo Grande informou que registrou aumento de 40% nas ligações para o 180 (Central da Mulher) nas últimas 24 horas, após a repercussão dos dois casos.

O Que Dizem os Envolvidos

A Santa Casa informou que "o paciente permanece em coma induzido na UTI" e que "o quadro é gravíssimo, com prognóstico reservado".

A DEAM confirmou que "o caso foi registrado como tentativa de feminicídio" e que "a vítima já prestou depoimento". A delegada pediu que "mulheres em situação de risco não esperem o pior acontecer — denunciem antes".

A PM de MS informou que "a Corregedoria acompanha o caso" e que "vai revisar os critérios de manutenção de porte de arma para policiais aposentados".

Próximos Passos

Se o PM aposentado sobreviver, responderá por tentativa de feminicídio qualificado. Se falecer, o processo será extinto.

A DEAM solicitou medida protetiva em favor da vítima, incluindo proibição de aproximação.

A PM de MS anunciou que vai convocar todos os policiais aposentados com porte de arma para reavaliação psicológica obrigatória até o final de 2026.

Fechamento

Ela pulou o muro. Ferida, sangrando, no escuro. Do outro lado, vizinhos que estenderam a mão. O vídeo de 47 segundos que Campo Grande não consegue esquecer mostra o que a violência doméstica faz — e o que a coragem de uma mulher desesperada consegue. O PM está em coma. Ela está viva. Denúncias: 180 (Central da Mulher, 24h) ou 190 (PM).

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Santa Casa de Campo Grande
  • DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
  • PM de Mato Grosso do Sul (pm.ms.gov.br)
  • Instituto Sou da Paz (soudapaz.org)

💰 PM em coma após atirar na esposa

1

Estado do PM

Coma na Santa Casa

2

Estado da vítima

Fugiu, ferida

3

Bairro

Jardim Colúmbia

4

Arma

Pistola de uso pessoal

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O policial militar aposentado que baleou a esposa no bairro Jardim Colúmbia, em Campo Grande, está em coma na Santa Casa. O homem disparou contra a mulher e em seguida voltou a arma contra si mesmo, atingindo a própria cabeça. Ele foi socorrido pelo Samu e encaminhado à Santa Casa, onde passou por cirurgia de emergência. O quadro é gravíssimo, sem previsão de alta. A mulher conseguiu fugir da residência mesmo baleada — um vídeo que circula nas redes sociais mostra ela pulando o muro da casa para escapar. Ela foi atendida em hospital e o estado de saúde é estável.

Sim. A mulher conseguiu fugir da residência após ser baleada e pulou o muro da casa para pedir socorro aos vizinhos. Um vídeo gravado por moradores da rua mostra o momento em que ela escala o muro, ferida, e cai do outro lado. Vizinhos a socorreram e acionaram o Samu. Ela foi encaminhada a um hospital de Campo Grande com ferimento no braço e escoriações da queda. O estado de saúde é estável e ela já prestou depoimento à Polícia Civil. A DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) assumiu a investigação e o caso foi registrado como tentativa de feminicídio.

Policiais militares aposentados podem manter o porte de arma de fogo mediante autorização da corporação e cumprimento de requisitos como avaliação psicológica periódica e comprovação de aptidão técnica no manuseio de armas. No caso do PM do Jardim Colúmbia, a arma utilizada era de uso pessoal, não funcional da corporação. A Corregedoria da PM investiga se o aposentado estava com a documentação de porte em dia e se havia registro de ocorrências anteriores de violência doméstica que pudessem ter motivado o recolhimento da arma. A Lei Maria da Penha prevê o recolhimento de armas como medida protetiva, mas depende de decisão judicial.

#PM#coma#Santa Casa#tentativa-feminicídio#Campo Grande#arma-de-fogo#MS#violência-doméstica
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MV

Marcos Vinícius Borges

Repórter