PM que atirou na esposa está em coma na Santa Casa de Campo Grande
Policial militar aposentado que baleou a mulher no Jardim Colúmbia permanece em estado grave e sem previsão de alta

O vídeo circulou nas redes sociais de Campo Grande em minutos. Uma mulher, ferida, escalando o muro de casa para fugir dos tiros do próprio marido. Do outro lado, vizinhos gritando, estendendo as mãos. O PM aposentado que disparou contra ela está em coma na Santa Casa. Ela sobreviveu. Ele, talvez não.
O Que Aconteceu
O caso ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (14). O policial militar aposentado — de 58 anos — que baleou a esposa na noite de segunda-feira (13) no bairro Jardim Colúmbia permanece em coma na UTI da Santa Casa de Campo Grande. O quadro é classificado como gravíssimo pela equipe médica, sem previsão de alta ou de recuperação da consciência.
O homem disparou contra a mulher — de 52 anos — dentro da residência do casal e em seguida voltou a arma contra si, atingindo a própria cabeça. A pistola calibre .380, de uso pessoal, foi apreendida pela Polícia Civil no local.
A mulher foi atingida no braço esquerdo, mas conseguiu se levantar e correr em direção ao muro dos fundos da casa. Um vídeo gravado por vizinhos — que viralizou nas redes sociais — mostra o momento em que ela escala o muro de aproximadamente 1,80 metro, ferida e ensanguentada, e cai do outro lado no quintal da casa vizinha. Moradores a socorreram e acionaram o Samu.
Ela foi encaminhada ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes, onde recebeu atendimento e foi liberada na manhã desta terça. Já prestou depoimento à DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que assumiu a investigação.
Segundo relato da vítima à polícia, o casal discutia há semanas sobre a separação. Na noite de segunda, a discussão escalou e o homem sacou a arma. "Ele disse que se ela saísse de casa, ninguém mais ia ver ela viva. Aí atirou", relatou uma vizinha que ouviu a discussão antes dos disparos.
O casal não tinha filhos morando na residência. Os dois filhos adultos foram notificados e acompanham a situação no hospital.
Contexto e Histórico
O caso do Jardim Colúmbia é o segundo envolvendo policial militar e tentativa de feminicídio em Campo Grande em menos de 48 horas. Na mesma segunda-feira, um cabo da PM da ativa atirou na esposa em outro bairro da cidade — caso que também resultou em tentativa de suicídio do agressor. A coincidência chocou a corporação e a população.
A PM de MS tem 8.200 policiais na ativa e cerca de 3.500 aposentados. Desses, estima-se que 2.800 mantêm porte de arma de fogo. A Corregedoria da PM informou que não há registro de ocorrência anterior de violência doméstica envolvendo o aposentado do Jardim Colúmbia — o que não significa que não houve violência, apenas que não foi registrada.
Mato Grosso do Sul registrou 11 feminicídios no primeiro trimestre de 2026 e pelo menos 3 tentativas envolvendo arma de fogo em abril. A presença de arma no domicílio é o fator que transforma briga em tragédia. O Instituto Sou da Paz calcula que o risco de feminicídio aumenta cinco vezes quando há arma de fogo em casa.
O vídeo da mulher pulando o muro gerou comoção nas redes sociais. Em poucas horas, acumulou mais de 200 mil visualizações em perfis de Campo Grande. Comentários oscilam entre solidariedade à vítima e indignação com a violência. "Ela pulou o muro pra sobreviver. Quantas não conseguem pular?", escreveu uma internauta.
A Santa Casa de Campo Grande é referência em trauma e atende a maioria dos casos de violência com arma de fogo na capital. Em 2025, o hospital registrou 487 atendimentos por ferimento de arma de fogo — média de 1,3 por dia. O custo médio de internação em UTI por ferimento na cabeça é de R$ 2.800 por dia, segundo dados do SUS.
O calor de 36°C que castigava Campo Grande na tarde desta terça contrastava com o silêncio na rua do Jardim Colúmbia. A casa do casal estava lacrada pela polícia. Vizinhos evitavam passar na calçada. "A gente ouviu os tiros, viu ela pulando o muro sangrando. Não dá pra esquecer uma cena dessas", disse o morador que gravou o vídeo.
Impacto Para a População
Dois casos de PM atirando na esposa em 48 horas em Campo Grande reacendem o debate sobre controle de armas de policiais.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Agressor | PM aposentado, 58 anos |
| Estado | Coma (UTI Santa Casa) |
| Vítima | Esposa, 52 anos |
| Estado da vítima | Estável (liberada) |
| Arma | Pistola .380 (uso pessoal) |
| Bairro | Jardim Colúmbia, CG |
| Vídeo | Mulher pulando muro, 200 mil views |
| PMs aposentados com porte | ~2.800 em MS |
| Feminicídios MS (1º tri 2026) | 11 |
| Custo UTI/dia (arma de fogo) | R$ 2.800 |
Para as mulheres de Campo Grande, o vídeo da mulher pulando o muro é ao mesmo tempo horror e esperança — horror pela violência, esperança porque ela conseguiu fugir. Para a corporação da PM, dois casos em 48 horas é crise institucional que exige resposta.
A Rede de Proteção à Mulher de Campo Grande informou que registrou aumento de 40% nas ligações para o 180 (Central da Mulher) nas últimas 24 horas, após a repercussão dos dois casos.
O Que Dizem os Envolvidos
A Santa Casa informou que "o paciente permanece em coma induzido na UTI" e que "o quadro é gravíssimo, com prognóstico reservado".
A DEAM confirmou que "o caso foi registrado como tentativa de feminicídio" e que "a vítima já prestou depoimento". A delegada pediu que "mulheres em situação de risco não esperem o pior acontecer — denunciem antes".
A PM de MS informou que "a Corregedoria acompanha o caso" e que "vai revisar os critérios de manutenção de porte de arma para policiais aposentados".
Próximos Passos
Se o PM aposentado sobreviver, responderá por tentativa de feminicídio qualificado. Se falecer, o processo será extinto.
A DEAM solicitou medida protetiva em favor da vítima, incluindo proibição de aproximação.
A PM de MS anunciou que vai convocar todos os policiais aposentados com porte de arma para reavaliação psicológica obrigatória até o final de 2026.
Fechamento
Ela pulou o muro. Ferida, sangrando, no escuro. Do outro lado, vizinhos que estenderam a mão. O vídeo de 47 segundos que Campo Grande não consegue esquecer mostra o que a violência doméstica faz — e o que a coragem de uma mulher desesperada consegue. O PM está em coma. Ela está viva. Denúncias: 180 (Central da Mulher, 24h) ou 190 (PM).
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Santa Casa de Campo Grande
- DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
- PM de Mato Grosso do Sul (pm.ms.gov.br)
- Instituto Sou da Paz (soudapaz.org)
💰 PM em coma após atirar na esposa
Estado do PM
Coma na Santa Casa
Estado da vítima
Fugiu, ferida
Bairro
Jardim Colúmbia
Arma
Pistola de uso pessoal
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
O policial militar aposentado que baleou a esposa no bairro Jardim Colúmbia, em Campo Grande, está em coma na Santa Casa. O homem disparou contra a mulher e em seguida voltou a arma contra si mesmo, atingindo a própria cabeça. Ele foi socorrido pelo Samu e encaminhado à Santa Casa, onde passou por cirurgia de emergência. O quadro é gravíssimo, sem previsão de alta. A mulher conseguiu fugir da residência mesmo baleada — um vídeo que circula nas redes sociais mostra ela pulando o muro da casa para escapar. Ela foi atendida em hospital e o estado de saúde é estável.
Sim. A mulher conseguiu fugir da residência após ser baleada e pulou o muro da casa para pedir socorro aos vizinhos. Um vídeo gravado por moradores da rua mostra o momento em que ela escala o muro, ferida, e cai do outro lado. Vizinhos a socorreram e acionaram o Samu. Ela foi encaminhada a um hospital de Campo Grande com ferimento no braço e escoriações da queda. O estado de saúde é estável e ela já prestou depoimento à Polícia Civil. A DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) assumiu a investigação e o caso foi registrado como tentativa de feminicídio.
Policiais militares aposentados podem manter o porte de arma de fogo mediante autorização da corporação e cumprimento de requisitos como avaliação psicológica periódica e comprovação de aptidão técnica no manuseio de armas. No caso do PM do Jardim Colúmbia, a arma utilizada era de uso pessoal, não funcional da corporação. A Corregedoria da PM investiga se o aposentado estava com a documentação de porte em dia e se havia registro de ocorrências anteriores de violência doméstica que pudessem ter motivado o recolhimento da arma. A Lei Maria da Penha prevê o recolhimento de armas como medida protetiva, mas depende de decisão judicial.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
Leia também
Advogado 'mensageiro' do PCC é condenado por porte de arma em MS
15 de abril de 2026
📈 EconomiaCaminhoneiro é condenado a pagar R$ 87 mil por perder carga de soja
15 de abril de 2026
🚔 PolíciaFalso vendedor é condenado a 7 anos por golpe da placa solar em MS
15 de abril de 2026
🚔 PolíciaIdosa perde R$ 48 mil para golpista que prometia bilhete de R$ 9 milhões
15 de abril de 2026