PM mal termina ocorrência e flagra 2ª tentativa de feminicídio na rua
Policiais que atendiam caso de violência doméstica na Vila Carvalho presenciaram outro homem agredindo mulher na mesma rua

A viatura ainda estava estacionada. O boletim de ocorrência da primeira agressão nem tinha sido fechado. E na mesma rua, a poucos metros, outro homem arrastava uma mulher pelos cabelos na calçada. Os policiais da Vila Carvalho não precisaram ir longe para flagrar a segunda tentativa de feminicídio da noite — ela aconteceu na frente deles.
O Que Aconteceu
A sequência de ocorrências aconteceu na noite desta segunda-feira (13), na Rua Aquidauana, no bairro Vila Carvalho, região central de Campo Grande. A primeira chamada chegou ao 190 por volta das 21h15: uma mulher de 28 anos relatou que o companheiro a agrediu com socos no rosto e chutes nas costelas dentro de casa.
A equipe da PM chegou em 8 minutos e encontrou a vítima com hematomas no rosto e dificuldade para respirar. O agressor — um homem de 33 anos — estava na residência e foi preso em flagrante. Enquanto os policiais registravam a ocorrência e aguardavam o Samu para atender a mulher, ouviram gritos na calçada.
A menos de 30 metros da viatura, um homem de 41 anos arrastava uma mulher de 36 anos pelos cabelos, desferindo tapas e chutes. A mulher gritava por socorro. Os policiais correram e imobilizaram o agressor, que resistiu à prisão e precisou ser contido com uso de força.
"Eu não acreditei. A gente tava ali atendendo uma mulher agredida e, do nada, outra mulher sendo espancada na mesma rua. Parecia pesadelo", relatou um dos policiais ao Campo Grande News.
As duas vítimas foram atendidas pelo Samu. A primeira foi encaminhada à UPA Coronel Antonino com suspeita de fratura nas costelas. A segunda apresentava escoriações no couro cabeludo e hematomas nos braços — foi atendida e liberada.
Os dois agressores foram conduzidos à DEAM e autuados por lesão corporal no contexto de violência doméstica. A Polícia Civil investiga se os casos configuram tentativa de feminicídio — o que depende da análise das circunstâncias e da intenção dos autores.
Contexto e Histórico
A Vila Carvalho é um dos bairros mais antigos de Campo Grande, localizado na região central, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho. Com cerca de 8 mil moradores, o bairro concentra moradias populares, cortiços e pensões. A vulnerabilidade social é alta: renda média familiar de 1,5 salário mínimo, taxa de desemprego acima da média da cidade e presença de pontos de tráfico de drogas.
A Sejusp classifica a Vila Carvalho entre os 10 bairros com maior incidência de violência doméstica em Campo Grande. Em 2025, foram 187 registros de agressão contra mulheres no bairro — média de um caso a cada dois dias. O consumo de álcool é fator presente em 70% das ocorrências, segundo a DEAM.
Campo Grande registra em média 18 ocorrências de violência doméstica por dia. Nos fins de semana, a média sobe para 25. A DEAM da capital é a mais movimentada do estado, com mais de 6.500 registros em 2025. A Patrulha Maria da Penha atende 40 mulheres com medida protetiva por dia.
O flagrante duplo na Vila Carvalho é raro, mas não surpreende quem trabalha na área. "A violência doméstica é epidemia silenciosa. Acontece em todas as ruas, todos os bairros, todas as classes sociais. A diferença é que na Vila Carvalho, a gente ouve os gritos porque as casas são grudadas", disse a delegada da DEAM.
A nova Lei 15.383/2026, que obriga o uso de tornozeleira eletrônica em agressores com medida protetiva, entrou em vigor na semana passada. Nenhum dos dois agressores da Vila Carvalho tinha medida protetiva anterior — as vítimas nunca haviam denunciado.
O sereno da madrugada campo-grandense já tinha caído quando os policiais terminaram de registrar as duas ocorrências. Na Rua Aquidauana, as luzes das casas estavam apagadas. O silêncio voltou. Mas as duas mulheres não dormiriam naquela noite — uma no hospital, outra na delegacia prestando depoimento.
Impacto Para a População
O flagrante duplo expõe a dimensão da violência doméstica em bairros vulneráveis de Campo Grande.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Local | Rua Aquidauana, Vila Carvalho |
| 1ª ocorrência | Mulher, 28 anos, agredida pelo companheiro |
| 2ª ocorrência | Mulher, 36 anos, arrastada pelos cabelos |
| Agressores | 2 homens presos (33 e 41 anos) |
| Distância entre os casos | ~30 metros |
| Intervalo | Minutos |
| Violência doméstica em CG/dia | 18 ocorrências (média) |
| Registros Vila Carvalho (2025) | 187 |
| Álcool como fator | 70% dos casos |
| DEAM CG (2025) | 6.500+ registros |
Para as mulheres da Vila Carvalho, a violência é cotidiana. Muitas não denunciam por medo, dependência financeira ou descrença no sistema. As duas vítimas desta segunda nunca tinham registrado ocorrência — a primeira agressão que chegou à polícia foi a que quase matou.
O Que Dizem os Envolvidos
A PM de MS disse que "o flagrante duplo demonstra a importância do policiamento ostensivo em áreas de alta vulnerabilidade" e que "a presença da viatura no local permitiu a intervenção imediata no segundo caso".
A DEAM informou que "os dois agressores foram autuados e passarão por audiência de custódia" e que "medidas protetivas foram solicitadas em favor das duas vítimas".
A Patrulha Maria da Penha informou que "vai incluir a Rua Aquidauana na rota de patrulhamento prioritário".
Próximos Passos
Os dois agressores passarão por audiência de custódia nesta quarta-feira (15). O MPMS deve pedir a prisão preventiva de ambos.
A DEAM solicitou medidas protetivas para as duas vítimas, incluindo proibição de aproximação e, com base na nova lei, uso de tornozeleira eletrônica pelos agressores.
A Secretaria Municipal de Assistência Social vai encaminhar as duas mulheres para acompanhamento no CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher).
Fechamento
Duas mulheres agredidas na mesma rua, na mesma noite, a 30 metros de distância. A Vila Carvalho mostrou em minutos o que as estatísticas levam um ano pra contar: a violência doméstica em Campo Grande não é exceção — é rotina. Os policiais que flagraram o segundo caso por acaso fizeram o que milhares de vizinhos não fazem: intervieram. Denúncias: 180 (Central da Mulher) ou 190 (PM). A ligação é anônima e pode salvar uma vida.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
- Sejusp-MS (sejusp.ms.gov.br)
- PM de Mato Grosso do Sul (pm.ms.gov.br)
💰 Duas ocorrências na mesma rua
Local
Vila Carvalho, CG
Ocorrências
2 em sequência
Tipo
Tentativa de feminicídio
Presos
2 homens
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
Policiais militares que atendiam uma ocorrência de violência doméstica na Vila Carvalho, bairro da região central de Campo Grande, presenciaram um segundo caso de agressão contra mulher na mesma rua, minutos depois. Enquanto a equipe finalizava o registro da primeira ocorrência — em que um homem agrediu a companheira com socos e chutes — outro homem foi flagrado arrastando uma mulher pelos cabelos na calçada, a poucos metros da viatura. Os policiais intervieram imediatamente e prenderam o segundo agressor em flagrante. Os dois homens foram autuados por tentativa de feminicídio e encaminhados à DEAM.
A Vila Carvalho é um bairro da região central de Campo Grande com alta densidade populacional e indicadores socioeconômicos abaixo da média da cidade. A região concentra ocorrências de violência doméstica, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio. Segundo dados da Sejusp, a Vila Carvalho está entre os 10 bairros com maior número de registros de violência doméstica em Campo Grande. A proximidade com o centro comercial e a presença de cortiços e moradias precárias contribuem para a vulnerabilidade social. A PM mantém policiamento ostensivo na região, mas o efetivo é insuficiente para a demanda.
Campo Grande registra em média 18 ocorrências de violência doméstica por dia, segundo dados da Sejusp de 2025. O número inclui agressões físicas, ameaças, lesões corporais e tentativas de feminicídio. Nos fins de semana e feriados, a média sobe para 25 ocorrências por dia, impulsionada pelo consumo de álcool. A DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande é a mais movimentada do estado, com mais de 6.500 registros em 2025. A Patrulha Maria da Penha da PM atende cerca de 40 mulheres com medida protetiva por dia na capital.
Camila Ferreira
Repórter
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