Policial penal flagrado dirigindo embriagado no Zé Pereira é solto
Servidor da Agepen foi preso em flagrante após teste do etilômetro positivo e liberado após audiência de custódia em Campo Grande

Preso à noite, solto de manhã. O policial penal da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) flagrado dirigindo embriagado durante o Zé Pereira em Campo Grande foi liberado após audiência de custódia. Pagou fiança e vai responder em liberdade. A Agepen promete processo administrativo.
O Que Aconteceu
A prisão aconteceu na noite do desfile do Zé Pereira, quando a PM abordou o servidor após observar direção errática na Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande. O policial penal — de 34 anos, lotado no Estabelecimento Penal de Regime Semiaberto de Campo Grande — apresentou sinais visíveis de embriaguez: fala arrastada, olhos vermelhos e dificuldade de equilíbrio.
O teste do etilômetro registrou 0,42 mg/L de álcool no ar expirado — mais do dobro do limite de 0,05 mg/L que configura crime de trânsito. O servidor foi conduzido à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro e autuado em flagrante por embriaguez ao volante, conforme artigo 306 do CTB.
O veículo — um Chevrolet Onix — foi apreendido e encaminhado ao pátio do Detran. A CNH do policial penal foi recolhida. O servidor não apresentou resistência à abordagem, mas tentou argumentar que "estava a caminho de casa" e que "tinha bebido pouco".
Na audiência de custódia realizada na manhã seguinte, o juiz converteu a prisão em flagrante em liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 5 mil e medidas cautelares: proibição de dirigir, comparecimento mensal ao juízo e entrega do passaporte. O Ministério Público não se opôs à liberdade provisória, mas pediu que o servidor fosse proibido de frequentar eventos com venda de bebidas alcoólicas durante o processo.
Contexto e Histórico
A embriaguez ao volante é a terceira maior causa de acidentes fatais em Mato Grosso do Sul, presente em 15% dos sinistros com mortes, segundo a PRF. Durante eventos como o Zé Pereira, a fiscalização é intensificada, mas o número de flagrantes continua alto.
No Zé Pereira de 2026, a PM e o Detran-MS realizaram 1.200 testes de etilômetro nas blitz montadas nas vias de acesso ao centro. Desses, 87 motoristas foram flagrados acima do limite — 7,25% dos testados. Doze foram presos em flagrante por apresentarem índices muito acima do permitido. O policial penal foi um deles.
A condição de servidor público agrava a situação. Policiais penais são agentes de segurança pública, submetidos a regime disciplinar próprio. A Agepen pode aplicar sanções que vão de advertência a demissão, dependendo da gravidade e das circunstâncias. Em 2025, dois policiais penais de MS foram demitidos por infrações disciplinares — um por envolvimento com facção criminosa e outro por abandono de posto.
"Servidor público de segurança tem que dar o exemplo. Dirigir bêbado é crime pra qualquer cidadão. Pra quem trabalha no sistema penitenciário, é inadmissível", disse o presidente do sindicato dos policiais penais de MS, que pediu apuração rigorosa.
O Zé Pereira de 2026 reuniu público estimado de 80 mil pessoas no centro de Campo Grande. O evento, que aconteceu em março, é o maior carnaval fora de época do estado e movimenta a economia local — hotéis, bares, restaurantes e comércio ambulante.
A tradição do Zé Pereira remonta a 1979, quando um grupo de foliões campo-grandenses decidiu criar um carnaval fora de época para aquecer o calendário cultural da cidade. Desde então, o evento cresceu e hoje ocupa 14 quarteirões do centro, com palcos montados na Rua 14 de Julho e na Avenida Afonso Pena. O consumo de bebidas alcoólicas durante o evento é intenso: a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes estimou que 42 mil litros de cerveja foram vendidos no Zé Pereira de 2026, volume 15% superior ao de 2025. A PM montou 8 pontos de blitz com etilômetro nas saídas do perímetro festivo, mas a extensão da área — quase 3 km de ruas interditadas — dificulta a cobertura total. Motoristas que conhecem os pontos fixos de fiscalização desviam por ruas laterais dos bairros Amambaí e Monte Castelo para evitar o teste, segundo relatos de moradores dessas regiões.
Impacto Para a População
O caso levanta questões sobre a conduta de servidores de segurança pública e a eficácia da fiscalização de trânsito em eventos.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Servidor | Policial penal, 34 anos |
| Órgão | Agepen-MS |
| Teste do etilômetro | 0,42 mg/L (limite: 0,05) |
| Crime | Art. 306 do CTB |
| Fiança | R$ 5 mil |
| Situação | Solto, responde em liberdade |
| Testes no Zé Pereira | 1.200 |
| Flagrantes | 87 (7,25%) |
| Presos em flagrante | 12 |
| Multa administrativa | R$ 2.934,70 |
Para a população, a liberação rápida do servidor gera sensação de impunidade. A fiança de R$ 5 mil — equivalente a menos de dois salários do policial penal — é vista como branda para um crime que mata milhares de pessoas por ano no Brasil.
Para os colegas de farda, o episódio mancha a imagem da categoria. "A gente trabalha pra manter a ordem, e aí um colega faz isso. Prejudica todo mundo", disse um policial penal que pediu anonimato. A Agepen emprega 1.870 servidores em MS, responsáveis pela custódia de 18.400 presos em 52 unidades penais. A categoria conquistou reajuste salarial de 9% em janeiro de 2026 e negocia plano de carreira com o governo estadual — pauta que pode ser prejudicada por episódios de indisciplina que ganham repercussão pública.
O Que Dizem os Envolvidos
A Agepen informou em nota que "tomou conhecimento do fato e que será instaurado procedimento administrativo disciplinar para apuração da conduta do servidor". A agência não informou se o policial penal foi afastado das funções.
O advogado do servidor disse que seu cliente "reconhece o erro, colaborou com a fiscalização e vai responder ao processo". Não quis dar mais detalhes.
O Detran-MS informou que a CNH do policial penal ficará suspensa por 12 meses e que a multa administrativa de R$ 2.934,70 será aplicada.
Próximos Passos
O processo criminal por embriaguez ao volante seguirá no Juizado Especial Criminal. A pena prevista é de 6 meses a 3 anos de detenção, mas na prática a maioria dos casos resulta em transação penal — acordo com o Ministério Público que substitui a pena por prestação de serviços à comunidade ou pagamento de cestas básicas.
A Agepen deve concluir o procedimento administrativo disciplinar em até 60 dias. As sanções possíveis vão de advertência a demissão.
O Detran-MS anunciou que vai ampliar o número de blitz com etilômetro em eventos de grande porte, com meta de testar 100% dos motoristas que passarem pelos pontos de fiscalização.
Fechamento
Policial penal. Servidor de segurança pública. Preso bêbado no volante durante o Zé Pereira e solto na manhã seguinte. O sistema funciona — prendeu, autuou, levou à custódia. Mas a sensação que fica é de que a consequência não dói o suficiente. Cinco mil reais de fiança pra quem ganha R$ 8 mil por mês não é punição. É taxa. Denúncias de direção perigosa: 190 (PM) ou 191 (PRF).
Fontes e Referências
- Midiamax (midiamax.com.br)
- Agepen — Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (agepen.ms.gov.br)
- Detran-MS (detran.ms.gov.br)
- CTB — Código de Trânsito Brasileiro
💰 Embriaguez ao volante
Servidor
Policial penal (Agepen)
Local
Zé Pereira, Campo Grande
Teste
Etilômetro positivo
Situação
Solto após custódia
Fonte: Midiamax
❓ Perguntas Frequentes
Um policial penal da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) foi preso em flagrante por dirigir embriagado durante o desfile do Zé Pereira em Campo Grande. O servidor foi abordado pela Polícia Militar após apresentar direção errática e realizou o teste do etilômetro, que deu positivo. Ele foi conduzido à delegacia e autuado por embriaguez ao volante (artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro). Após audiência de custódia, o policial penal foi liberado mediante pagamento de fiança e terá que responder ao processo em liberdade. A Agepen informou que vai instaurar procedimento administrativo disciplinar.
Dirigir sob influência de álcool é crime previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A pena é de detenção de 6 meses a 3 anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir. A multa administrativa é de R$ 2.934,70, com suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Em caso de reincidência, a multa é dobrada. Se o condutor embriagado causar acidente com vítima, a pena pode ser agravada significativamente. O teste do etilômetro é a principal prova, e a recusa em realizá-lo configura infração gravíssima com as mesmas penalidades administrativas.
O Zé Pereira é o tradicional desfile de Carnaval fora de época de Campo Grande, realizado geralmente em fevereiro ou março. O evento reúne milhares de foliões nas ruas do centro da cidade, com blocos, trios elétricos e apresentações musicais. O Zé Pereira é considerado o maior evento carnavalesco de Mato Grosso do Sul e atrai público de todo o estado. Durante o evento, a Polícia Militar e o Detran-MS intensificam a fiscalização de trânsito, com blitz do etilômetro nas principais vias de acesso ao centro. Em 2026, o Zé Pereira aconteceu em março e registrou público estimado de 80 mil pessoas.
Thiago Oliveira
Repórter
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