Policial penal e PM são presos em operação que investiga furto de drogas
Operação no Parque dos Girassóis prende policial penal e PM suspeitos de desviar drogas apreendidas em Campo Grande

Dois homens que juraram proteger a população foram flagrados fazendo exatamente o oposto. Um policial penal e um policial militar caíram na manhã desta segunda-feira (14) durante operação conjunta da Corregedoria da PM e do Gaeco no bairro Parque dos Girassóis, em Campo Grande. A acusação: desviar drogas apreendidas em operações policiais e revendê-las nas ruas da capital sul-mato-grossense.
O Que Aconteceu
A operação começou às 6h com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos dois agentes. O policial penal, lotado no sistema prisional estadual, foi preso em sua residência no Parque dos Girassóis. O PM, que servia em um batalhão da capital, foi detido em um imóvel no bairro Jardim Noroeste.
Nas buscas, os investigadores apreenderam 3 kg de maconha, 500 gramas de cocaína, dois celulares, R$ 12 mil em espécie e uma pistola calibre .40 que não constava no acervo da corporação. O material foi encaminhado à Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) para perícia.
A investigação que levou à operação durou cerca de seis meses. Tudo começou quando a Corregedoria da PM recebeu denúncia anônima de que um policial militar estaria vendendo drogas no Parque dos Girassóis. A partir daí, o Gaeco foi acionado e obteve autorização judicial para interceptação telefônica dos suspeitos. As escutas revelaram que o esquema envolvia também um policial penal, que tinha acesso aos depósitos de custódia de drogas apreendidas.
Contexto e Histórico
O desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança não é novidade em Mato Grosso do Sul. O estado, por ser rota do tráfico internacional, acumula volumes enormes de entorpecentes em depósitos policiais. Só em 2025, foram apreendidas mais de 400 toneladas de drogas em MS — a maior parte maconha vinda do Paraguai. Esse volume cria uma tentação permanente para agentes que ganham salários modestos e têm acesso direto ao material.
Em 2023, uma operação da Polícia Federal desarticulou grupo que desviava cocaína de depósitos da Polícia Civil em Ponta Porã. Três policiais civis foram presos na ocasião. Em 2024, um agente penitenciário de Três Lagoas foi flagrado vendendo maconha que retirava do depósito da unidade prisional onde trabalhava. Os casos se repetem com frequência preocupante.
O Parque dos Girassóis, bairro onde o policial penal morava e onde parte das drogas era comercializada, fica na região norte de Campo Grande. O bairro tem cerca de 8 mil moradores e enfrenta problemas comuns a periferias da capital: ruas sem asfalto, iluminação precária e presença tímida do poder público. Moradores relatam que o tráfico opera abertamente em algumas esquinas, especialmente à noite. A chegada de drogas desviadas de depósitos policiais agravou a situação.
O sistema de custódia de drogas apreendidas em MS funciona assim: após a apreensão, o material é pesado, periciado e armazenado em depósitos vinculados às delegacias ou ao sistema prisional. A incineração — que deveria ocorrer em prazo razoável — frequentemente demora meses ou até anos, por conta de entraves burocráticos e da necessidade de autorização judicial. Enquanto a droga espera para ser destruída, fica vulnerável ao desvio.
A Corregedoria da PM de MS abriu 47 procedimentos disciplinares contra policiais militares em 2025, dos quais 12 envolviam suspeita de envolvimento com tráfico de drogas. O número representa aumento de 30% em relação a 2024. A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) registrou 8 procedimentos contra policiais penais no mesmo período.
O Gaeco do Ministério Público de MS tem atuado de forma mais incisiva nos últimos dois anos. O grupo realizou 23 operações contra agentes públicos envolvidos com o crime organizado em 2025, resultando em 41 prisões. A parceria com as corregedorias das polícias tem sido fundamental para identificar os agentes corruptos.
Impacto Para a População
A prisão de agentes de segurança por tráfico de drogas abala a confiança da população nas instituições e agrava a insegurança em bairros periféricos.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Presos na operação | 1 policial penal e 1 PM |
| Mandados cumpridos | 6 de busca e apreensão |
| Drogas apreendidas | 3 kg de maconha e 500 g de cocaína |
| Dinheiro apreendido | R$ 12 mil em espécie |
| Arma irregular | 1 pistola .40 |
| Duração da investigação | 6 meses |
| Valor estimado do esquema | R$ 200 mil em drogas desviadas |
Para os moradores do Parque dos Girassóis, a operação traz alívio e revolta ao mesmo tempo. Alívio porque dois traficantes foram tirados de circulação. Revolta porque esses traficantes eram justamente quem deveria combater o crime. "A gente paga imposto pra esse cara nos proteger, e ele tá vendendo droga na esquina de casa", disse uma moradora que pediu para não ser identificada.
O impacto vai além do bairro. Quando drogas apreendidas voltam às ruas, todo o trabalho de repressão ao tráfico é anulado. Policiais que arriscam a vida em operações na fronteira veem o resultado do seu esforço ser sabotado por colegas corruptos. A credibilidade das forças de segurança sofre um golpe que leva anos para ser reparado.
O Que Dizem os Envolvidos
A Corregedoria da PM divulgou nota informando que os dois agentes foram afastados imediatamente de suas funções e que o inquérito policial militar foi instaurado. "A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul não compactua com desvios de conduta e atuará com rigor para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos", diz o comunicado.
O Gaeco do Ministério Público informou que pediu a prisão preventiva dos dois à Justiça e que a investigação continua para identificar possíveis comparsas. "Há indícios de que outras pessoas participavam do esquema, tanto na ponta da distribuição quanto na facilitação do acesso aos depósitos", afirmou o promotor responsável pelo caso.
A Agepen informou que o policial penal preso estava lotado em unidade prisional de Campo Grande e que será instaurado procedimento administrativo disciplinar. A defesa dos dois agentes não foi localizada para comentar até o fechamento desta reportagem.
Próximos Passos
A Justiça deve decidir sobre o pedido de prisão preventiva dos dois agentes nas próximas 48 horas. Se a preventiva for decretada, ambos ficarão presos durante a investigação.
O Gaeco informou que a investigação não está encerrada e que novas fases da operação podem ser deflagradas nas próximas semanas. O foco agora é identificar quem comprava as drogas desviadas e se havia outros agentes públicos envolvidos no esquema.
A Corregedoria da PM anunciou que vai intensificar a fiscalização sobre policiais militares que atuam em áreas de alta incidência de tráfico em Campo Grande. A Agepen, por sua vez, prometeu revisar os protocolos de acesso aos depósitos de custódia de drogas nas unidades prisionais do estado.
O Ministério Público também vai solicitar à Justiça a aceleração dos processos de incineração de drogas apreendidas em MS. Quanto menos tempo o material ficar armazenado, menor o risco de desvio.
Fechamento
Policial penal e PM presos por vender droga que deveria ter sido destruída. O caso do Parque dos Girassóis é mais um capítulo de uma história que se repete em MS: agentes de segurança que cruzam a linha e passam a alimentar o tráfico que deveriam combater. A Corregedoria e o Gaeco fizeram o trabalho deles. Agora cabe à Justiça garantir que a punição seja proporcional à traição. Denúncias sobre policiais envolvidos com o crime podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181, com garantia de anonimato.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- Corregedoria da Polícia Militar de MS
- Gaeco — Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (mpms.mp.br)
- Agepen — Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de MS
💰 Operação contra desvio de drogas
Presos na operação
2 agentes de segurança
Mandados cumpridos
6 de busca e apreensão
Local da ação
Parque dos Girassóis, CG
Investigação
Corregedoria e Gaeco
Fonte: Campo Grande News
❓ Perguntas Frequentes
A Corregedoria da Polícia Militar e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de MS deflagraram operação na manhã desta segunda-feira (14) no bairro Parque dos Girassóis, em Campo Grande. Um policial penal e um policial militar foram presos em flagrante por envolvimento no desvio de drogas apreendidas durante operações policiais. Os agentes são suspeitos de subtrair entorpecentes — principalmente maconha e cocaína — de depósitos de custódia e revendê-los no mercado ilegal da capital.
Segundo a investigação conduzida pela Corregedoria e pelo Gaeco, o policial penal tinha acesso aos depósitos onde drogas apreendidas ficavam armazenadas antes da incineração. Ele retirava porções de maconha e cocaína e repassava ao policial militar, que se encarregava da distribuição em pontos de venda no Parque dos Girassóis e em bairros vizinhos. O esquema funcionava há pelo menos seis meses, conforme apurado por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Os investigadores estimam que os dois movimentaram cerca de R$ 200 mil em drogas desviadas.
Os dois agentes foram autuados em flagrante por furto qualificado, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Se condenados, podem pegar penas que somam mais de 20 anos de reclusão. Na esfera administrativa, ambos foram afastados imediatamente de suas funções e respondem a processo disciplinar que pode resultar em expulsão das corporações. A Corregedoria da PM informou que o inquérito policial militar já foi instaurado, e o Gaeco pediu a prisão preventiva dos dois à Justiça.
Camila Ferreira
Repórter
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