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sábado, 11 de abril de 2026
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Reconhecimento facial da Expogrande será ampliado em MS com parceria do Google

Sistema testado na 86ª Expogrande deve ser expandido para outros eventos e espaços públicos; governo discute acordo com gigante de tecnologia

Thiago Oliveira7 min de leituraCampo Grande
Reconhecimento facial da Expogrande será ampliado em MS com parceria do Google

As câmeras estavam posicionadas nas entradas da 86ª Expogrande, em Campo Grande. Discretas, quase invisíveis entre os totens de credenciamento. Mas faziam o trabalho pesado: reconhecimento facial em tempo real, cruzando rostos com bancos de dados de procurados pela Justiça. O sistema funcionou. E agora o governo de Mato Grosso do Sul quer mais — está em conversa com o Google para ampliar a tecnologia.

O Que Aconteceu

O sistema de reconhecimento facial foi implantado como reforço de segurança durante a Expogrande, que acontece entre 9 e 20 de abril no Parque de Exposições Laucídio Coelho. A tecnologia usa câmeras com inteligência artificial para identificar rostos e cruzar as imagens com bases de dados policiais.

Segundo reportagem do Campo Grande News publicada na sexta-feira (10), o governo estadual discute uma parceria com o Google para expandir o sistema. A ideia é levar o reconhecimento facial para outros eventos de grande porte, terminais rodoviários, aeroportos e espaços públicos com grande circulação.

Os detalhes do acordo não foram divulgados. Não se sabe se a parceria envolve cessão de tecnologia, investimento financeiro ou apenas consultoria técnica. O que se sabe é que o teste na Expogrande foi considerado bem-sucedido pelas autoridades de segurança.

A Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) coordenou a operação de segurança do evento, que inclui, além do reconhecimento facial, policiamento ostensivo, câmeras convencionais e controle de acesso.

Contexto e Histórico

O reconhecimento facial já é usado em outros estados brasileiros. São Paulo implantou o sistema no Metrô em 2019. A Bahia usa a tecnologia no Carnaval de Salvador desde 2019, com resultados expressivos: em 2024, o sistema identificou 200 foragidos durante os seis dias de festa.

Em Mato Grosso do Sul, a tecnologia é novidade. A Expogrande foi o primeiro grande evento do estado a contar com o sistema. A escolha não é casual: a feira reúne centenas de milhares de visitantes ao longo de 12 dias, num ambiente que mistura shows, leilões, exposições e negócios.

A operação de segurança da 86ª Expogrande mobiliza cerca de 800 agentes entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Metropolitana e seguranças privados. O Parque de Exposições Laucídio Coelho tem 120 hectares e recebe público estimado em 500 mil pessoas ao longo do evento. Nos anos anteriores, a segurança dependia exclusivamente de policiamento ostensivo e câmeras convencionais. A adição do reconhecimento facial representa um salto tecnológico, mas também um teste de escala: processar milhares de rostos por hora exige infraestrutura de rede, servidores e algoritmos calibrados para operar em ambiente aberto, com variação de iluminação e ângulos.

A parceria com o Google, se confirmada, colocaria MS na vanguarda tecnológica da segurança pública no Brasil. O Google Cloud oferece soluções de visão computacional e inteligência artificial que podem ser integradas a sistemas de segurança existentes.

Mas a tecnologia não é isenta de polêmica. Estudos internacionais, como o do MIT Media Lab publicado em 2018, mostraram que sistemas de reconhecimento facial têm taxas de erro significativamente maiores para pessoas negras e mulheres. No Brasil, onde 56% da população se declara preta ou parda, essa questão é especialmente relevante. A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dados biométricos — incluindo geometria facial — como dados pessoais sensíveis, exigindo consentimento específico ou base legal para tratamento. Na prática, quem entra na Expogrande não assina termo de consentimento para ter o rosto escaneado. O governo argumenta que a base legal é o interesse público em segurança, mas juristas especializados em proteção de dados questionam se essa justificativa resiste a uma ação judicial. "A LGPD não proíbe reconhecimento facial, mas exige transparência. O cidadão precisa saber que está sendo monitorado e ter acesso aos dados coletados", disse a advogada Patrícia Peck, referência em direito digital no Brasil, em entrevista recente sobre o tema.

Em outros estados, o uso da tecnologia já gerou controvérsia. Em São Paulo, a Defensoria Pública questionou o sistema do Metrô em 2019, e a Justiça determinou a suspensão temporária até que fossem apresentadas garantias de proteção de dados. Na Bahia, o sistema do Carnaval identificou 200 foragidos em 2024, mas também gerou 12 abordagens equivocadas — pessoas inocentes confundidas com procurados, segundo relatório da Secretaria de Segurança Pública baiana.

Impacto Para a População

A expansão do reconhecimento facial em MS afeta diretamente a segurança e a privacidade dos cidadãos.

Aspecto Detalhe
Teste inicial 86ª Expogrande (9-20/abr)
Parceria em discussão Google
Tecnologia IA + câmeras de reconhecimento facial
Expansão prevista Eventos, terminais, aeroportos
Referência nacional Bahia (200 foragidos no Carnaval 2024)
Legislação LGPD (dados biométricos)
Risco apontado Erros com pessoas negras (MIT, 2018)

Para o cidadão que frequenta eventos como a Expogrande, a tecnologia pode significar mais segurança — criminosos procurados identificados antes de entrar. Mas também levanta questões sobre vigilância, privacidade e o uso de dados biométricos sem consentimento explícito.

A Expogrande movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão em negócios ao longo dos 12 dias de evento, segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul. A segurança do público e dos expositores é condição para que esse volume financeiro circule. Nos anos anteriores, a feira registrou ocorrências de furtos, brigas e, em 2024, uma tentativa de homicídio no estacionamento. O reconhecimento facial entra como ferramenta preventiva: identificar foragidos antes que cometam novos crimes dentro do evento. Se o sistema funcionar como na Bahia, onde 200 procurados foram identificados no Carnaval de 2024, a Expogrande pode se tornar referência de segurança em feiras agropecuárias no Brasil.

O Que Dizem os Envolvidos

O governo de MS não divulgou detalhes sobre a parceria com o Google. A Sejusp confirmou o uso de reconhecimento facial na Expogrande, mas não comentou sobre a expansão.

O Google não se manifestou sobre as negociações com o governo de Mato Grosso do Sul.

Próximos Passos

A definição da parceria com o Google deve acontecer nas próximas semanas. Se confirmada, o próximo passo seria a implantação do sistema em outros eventos de grande porte em MS, como a Expoagro de Dourados (maio) e o Festival de Inverno de Bonito (julho).

A regulamentação do uso de reconhecimento facial em espaços públicos no Brasil ainda é incipiente. Projetos de lei tramitam no Congresso, mas nenhum foi aprovado até o momento. A LGPD classifica dados biométricos como dados pessoais sensíveis, exigindo consentimento ou base legal para tratamento. O PL 2338/2023, que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, inclui dispositivos sobre reconhecimento facial em espaços públicos e pode estabelecer limites mais claros para o uso da tecnologia por governos estaduais.

Fechamento

Reconhecimento facial na Expogrande, parceria com o Google no horizonte. Mato Grosso do Sul aposta na tecnologia para reforçar a segurança pública. Se a aposta vai dar certo — e a que custo para a privacidade — é uma pergunta que ainda não tem resposta. O que se sabe é que as câmeras já estão ligadas. E os rostos, sendo escaneados.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Sejusp — Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS
  • LGPD — Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018)
  • MIT Media Lab — Gender Shades Project (2018)

💰 Reconhecimento facial em MS

1

Teste inicial

86ª Expogrande

2

Parceria em discussão

Google

3

Objetivo

Ampliar para outros eventos

4

Tecnologia

Inteligência artificial

Fonte: Campo Grande News

❓ Perguntas Frequentes

O sistema de reconhecimento facial foi implantado como reforço de segurança na 86ª Expogrande, em Campo Grande. A tecnologia utiliza câmeras com inteligência artificial para identificar rostos em tempo real e cruzar as imagens com bancos de dados de pessoas procuradas pela Justiça. O sistema opera de forma automatizada, alertando as equipes de segurança quando identifica uma correspondência. A tecnologia foi testada durante o evento e, segundo o governo estadual, deve ser ampliada para outros eventos e espaços públicos de Mato Grosso do Sul.

Segundo reportagem do Campo Grande News, o governo de Mato Grosso do Sul está em discussão com o Google para uma parceria na área de reconhecimento facial e inteligência artificial aplicada à segurança pública. Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados, mas a expectativa é que a tecnologia testada na Expogrande seja expandida para outros eventos de grande porte, terminais rodoviários, aeroportos e espaços públicos com grande circulação de pessoas. A parceria com uma empresa de tecnologia global indica a ambição do estado em se posicionar como referência em segurança digital.

Sim. O uso de reconhecimento facial em espaços públicos é tema de debate no Brasil e no mundo. Defensores argumentam que a tecnologia ajuda a identificar criminosos procurados e prevenir crimes. Críticos apontam riscos de vigilância em massa, erros de identificação (especialmente com pessoas negras, segundo estudos internacionais), violação de privacidade e uso indevido de dados biométricos. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento de dados pessoais, incluindo dados biométricos, mas a regulamentação específica para reconhecimento facial em espaços públicos ainda é incipiente.

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Thiago Oliveira

Repórter