Riedel entrega 200 casas populares em Três Lagoas neste domingo
Governador participa de cerimônia de entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida no bairro Jupiá

Duzentas famílias de Três Lagoas receberam as chaves de suas casas neste domingo (12). O governador Eduardo Riedel (PP) participou da cerimônia de entrega no bairro Jupiá, na zona norte do município, a 330 quilômetros de Campo Grande. As unidades fazem parte do programa Minha Casa Minha Vida, faixa 1, com investimento de R$ 32 milhões.
O Que Aconteceu
A entrega das 200 casas aconteceu às 9h no residencial Jupiá III, construído em terreno de 12 hectares cedido pela prefeitura de Três Lagoas. Cada unidade tem 42 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. O residencial conta com pavimentação, rede de esgoto, iluminação pública e área de lazer.
As famílias beneficiadas estavam cadastradas no CadÚnico e aguardavam na fila de espera desde 2023. A seleção priorizou famílias chefiadas por mulheres, pessoas com deficiência e idosos — critérios definidos pela legislação federal do programa. Das 200 famílias contempladas, 134 são chefiadas por mulheres — proporção de 67%, acima da média nacional do programa, que é de 58%.
Riedel aproveitou a cerimônia para anunciar a contratação de mais 500 unidades habitacionais em Três Lagoas, com previsão de entrega até o final de 2027. "Três Lagoas cresce rápido. As fábricas de celulose trouxeram emprego, mas também trouxeram demanda por moradia. A gente precisa acompanhar esse crescimento", disse o governador durante o evento. O anúncio foi recebido com aplausos pelos moradores presentes, muitos dos quais têm parentes na fila de espera do CadÚnico.
O prefeito de Três Lagoas, que acompanhou Riedel na cerimônia, informou que o município doou o terreno e investiu R$ 4,2 milhões em infraestrutura complementar — pavimentação de vias de acesso, construção de uma creche com 120 vagas e ampliação da rede de água. A creche deve ser inaugurada em julho e atenderá prioritariamente filhos das famílias do residencial.
Contexto e Histórico
Três Lagoas vive um boom populacional impulsionado pelo setor de celulose. A cidade, que tinha 101 mil habitantes no Censo de 2010, saltou para 135 mil em 2022 e a estimativa para 2026 é de 148 mil. A Suzano e a Bracell — duas das maiores produtoras de celulose do mundo — operam fábricas no município, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
O crescimento acelerado pressionou o mercado imobiliário. O preço médio do aluguel de um apartamento de dois quartos em Três Lagoas subiu 42% entre 2022 e 2026, segundo o Creci-MS. Famílias de baixa renda, que não conseguem competir no mercado privado, dependem dos programas habitacionais.
O déficit habitacional de Mato Grosso do Sul é de 78 mil famílias, segundo a Fundação João Pinheiro. Campo Grande concentra 35% desse déficit, mas Três Lagoas aparece em terceiro lugar, com 6.200 famílias sem moradia adequada. A entrega deste domingo reduz o déficit local em 3,2%.
No acumulado do governo Riedel (desde janeiro de 2023), foram entregues 2.800 unidades habitacionais em MS, entre programas federais e estaduais. A meta é chegar a 5 mil até o final de 2026. O ritmo atual — cerca de 900 entregas por ano — indica que a meta é alcançável, mas apertada.
Três Lagoas carrega uma contradição visível a olho nu: de um lado da MS-158, os condomínios fechados erguidos para engenheiros e gerentes das fábricas de celulose, com casas de 200 m² e piscina; do outro, os bairros populares onde famílias de quatro pessoas dividem um cômodo de alvenaria sem reboco. O Creci-MS aponta que o preço do metro quadrado na cidade saltou de R$ 1.800 em 2020 para R$ 3.100 em 2026 — valorização de 72% em seis anos. Para trabalhadores que ganham entre um e dois salários mínimos, o aluguel consome de 35% a 45% da renda, percentual que a Fundação João Pinheiro classifica como "ônus excessivo". A entrega das 200 casas no Jupiá III alivia parte dessa pressão, mas a fila de espera no CadÚnico de Três Lagoas ainda registra 4.800 famílias aguardando moradia.
Impacto Para a População
A entrega de 200 casas beneficia diretamente cerca de 800 pessoas em Três Lagoas.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Unidades entregues | 200 |
| Programa | Minha Casa Minha Vida, faixa 1 |
| Investimento total | R$ 32 milhões |
| Contrapartida municipal | R$ 4,2 milhões |
| Área por unidade | 42 m² |
| Bairro | Jupiá III, zona norte |
| Novas unidades contratadas | 500 (entrega até 2027) |
| Déficit habitacional em MS | 78 mil famílias |
| Déficit em Três Lagoas | 6.200 famílias |
Para as famílias beneficiadas, a casa própria significa o fim do aluguel que consumia até 30% da renda mensal. Na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, as prestações são subsidiadas em até 95%, e o valor mensal não ultrapassa R$ 350 — menos da metade do aluguel médio na cidade.
A construção do residencial também gerou 180 empregos diretos durante os 18 meses de obra, segundo a construtora responsável. No bairro Jupiá, que até 2024 era um descampão de capim-braquiária cortado por uma estrada de cascalho, agora há ruas asfaltadas, postes de iluminação LED e uma praça com playground — infraestrutura que beneficia também os moradores antigos da região.
O Que Dizem os Envolvidos
"Eu esperava essa casa desde 2023. Moro de aluguel com três filhos e pagava R$ 900 por mês. Agora vou pagar R$ 280 de prestação. Muda tudo", disse uma das beneficiárias, de 34 anos, durante a cerimônia.
Riedel destacou a parceria entre governo federal, estadual e municipal. "Habitação é política pública que exige cooperação. O terreno é do município, o recurso é federal, a articulação é do estado. Quando os três níveis trabalham juntos, o resultado aparece."
O secretário estadual de Infraestrutura e Logística informou que mais 1.200 unidades estão em construção em outros municípios de MS, incluindo Campo Grande, Dourados e Corumbá, com previsão de entrega entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027.
Próximos Passos
As 500 novas unidades contratadas para Três Lagoas devem ter obras iniciadas no segundo semestre de 2026. O terreno já foi definido — uma área de 18 hectares no bairro Santa Luzia, na zona sul.
A Agehab (Agência de Habitação Popular de MS) vai abrir novo cadastro para famílias interessadas em Três Lagoas a partir de maio. Os critérios de seleção seguem a legislação federal: renda de até R$ 2.640, cadastro no CadÚnico e prioridade para mulheres chefes de família, idosos e pessoas com deficiência.
O governo de MS também estuda a criação de um programa estadual complementar de habitação, voltado para famílias com renda entre R$ 2.640 e R$ 4.400 que não se enquadram na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida.
Fechamento
Duzentas chaves. Duzentas famílias que saem do aluguel. O número parece pequeno diante do déficit de 78 mil, mas para quem recebeu a casa neste domingo, é tudo. Três Lagoas cresce no ritmo da celulose, e a moradia precisa acompanhar. Informações sobre programas habitacionais em MS podem ser obtidas na Agehab pelo telefone (67) 3318-4100 ou nos CRAS municipais.
Fontes e Referências
- Midiamax (midiamax.com.br)
- Governo de MS (ms.gov.br)
- Agehab — Agência de Habitação Popular de MS (agehab.ms.gov.br)
- Fundação João Pinheiro (fjp.mg.gov.br)
💰 Habitação em Três Lagoas
Unidades entregues
200 casas
Programa
Minha Casa Minha Vida
Investimento
R$ 32 milhões
Déficit habitacional em MS
78 mil famílias
Fonte: Midiamax / Governo de MS
❓ Perguntas Frequentes
O governador Eduardo Riedel participou neste domingo (12) da entrega de 200 unidades habitacionais no bairro Jupiá, em Três Lagoas. As casas fazem parte do programa Minha Casa Minha Vida, faixa 1, destinadas a famílias com renda mensal de até R$ 2.640. O investimento total foi de aproximadamente R$ 32 milhões, com recursos do governo federal e contrapartida do estado. Cada unidade tem 42 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. As famílias beneficiadas estavam cadastradas no CadÚnico e aguardavam na fila de espera desde 2023.
Segundo dados da Fundação João Pinheiro atualizados em 2024, o déficit habitacional de Mato Grosso do Sul é de aproximadamente 78 mil famílias. Campo Grande concentra cerca de 35% desse déficit, seguida por Dourados, Três Lagoas e Corumbá. O déficit inclui famílias que vivem em habitações precárias, coabitação familiar e comprometimento excessivo de renda com aluguel. O governo de MS tem meta de entregar 5 mil unidades habitacionais até o final de 2026, entre programas federais e estaduais. Três Lagoas, com o crescimento populacional impulsionado pelas fábricas de celulose, tem demanda crescente por moradia popular.
Para se inscrever no programa Minha Casa Minha Vida em Mato Grosso do Sul, o primeiro passo é estar cadastrado no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal), que pode ser feito nos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) do município. A inscrição específica para o programa habitacional é feita na Agehab (Agência de Habitação Popular de MS) ou nas secretarias municipais de habitação. A faixa 1 atende famílias com renda de até R$ 2.640 mensais, com subsídio de até 95% do valor do imóvel. A faixa 2 atende rendas de até R$ 4.400, e a faixa 3 até R$ 8 mil.
Camila Ferreira
Repórter
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