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sábado, 18 de abril de 2026
🚔 Polícia

Subtenente da PM é assassinada a tiros pelo namorado dentro de casa em Campo Grande

Marlene Brito Rodrigues, com 25 anos de corporação, foi morta com disparos de arma de fogo; suspeito foi preso em flagrante

Camila Ferreira7 min de leituraCampo Grande
Subtenente da PM é assassinada a tiros pelo namorado dentro de casa em Campo Grande

Vinte e cinco anos protegendo a população. Marlene Brito Rodrigues era subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul — uma das patentes mais altas entre praças. Foi assassinada a tiros dentro da própria casa, em Campo Grande, no início de abril. O suspeito: o namorado. Preso em flagrante, no mesmo cômodo onde ela caiu.

O Que Aconteceu

O crime ocorreu na noite de uma segunda-feira, na residência da subtenente, no bairro Jardim Leblon, zona sul de Campo Grande. Vizinhos ouviram disparos por volta das 21h40 e acionaram o 190. Quando a viatura da PM chegou, encontrou Marlene caída no chão da sala com ferimentos de arma de fogo. O namorado estava no local.

Marlene foi socorrida pelo SAMU, mas não resistiu. Tinha 48 anos. O laudo preliminar do IML apontou que ela foi atingida por pelo menos três disparos — dois no tórax e um no abdômen. A arma usada no crime — um revólver calibre .38 — foi apreendida no local.

O suspeito, um homem de 52 anos, foi preso em flagrante. Segundo o boletim de ocorrência, ele não ofereceu resistência à prisão. Em depoimento na delegacia, afirmou que o casal discutiu e que "perdeu o controle". Não tinha antecedentes criminais registrados.

A subtenente Marlene ingressou na PM de MS em 2001. Atuou em batalhões de Campo Grande e do interior. Nos últimos anos, trabalhava na área administrativa do Comando-Geral da PM. Colegas a descreveram como "dedicada, disciplinada e querida na corporação". Ela deixa dois filhos, de 19 e 23 anos.

Contexto e Histórico

O feminicídio de uma policial militar dentro de casa expõe uma contradição brutal: a mulher treinada para usar arma, preparada para enfrentar criminosos, morta pelo companheiro na sala de estar.

Mato Grosso do Sul registrou 23 feminicídios em 2025. Em 2026, até meados de abril, já são 8 casos — ritmo que, se mantido, pode ultrapassar 28 mortes até dezembro. A taxa de feminicídio no estado é de 2,8 por 100 mil mulheres, a quinta mais alta do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O perfil das vítimas se repete: mulheres entre 25 e 50 anos, mortas por companheiros ou ex-companheiros, dentro de casa, com arma de fogo ou arma branca. Em 67% dos casos registrados em MS em 2025, a vítima já havia feito pelo menos uma denúncia anterior contra o agressor. Em 41%, havia medida protetiva vigente que não foi cumprida.

O caso de Marlene tem um agravante: o acesso a armas de fogo. Policiais militares têm porte funcional de arma. Mas a arma usada no crime não era da PM — era um revólver particular do suspeito, que possuía registro de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). O número de registros de CAC em MS cresceu 340% entre 2019 e 2025, passando de 8.200 para 36.100, segundo dados do Exército. Mais armas em circulação significam mais armas disponíveis em contextos de violência doméstica.

Um estudo da Universidade de Brasília publicado em 2024 revelou que 18% das policiais militares brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica. A pesquisa ouviu 2.400 mulheres de PMs de 12 estados. O dado mais alarmante: 73% das que sofreram violência não denunciaram, por medo de represálias na corporação ou de prejudicar a carreira.

Impacto Para a População

O assassinato de uma subtenente da PM abala a corporação e levanta questões sobre a proteção de mulheres que trabalham na segurança pública.

Aspecto Detalhe
Vítima Subtenente Marlene Brito Rodrigues, 48 anos
Tempo de corporação 25 anos
Suspeito Namorado, 52 anos, preso em flagrante
Arma Revólver .38 (particular do suspeito)
Feminicídios em MS (2026) 8 até abril
Feminicídios em MS (2025) 23 no ano
Taxa MS 2,8 por 100 mil mulheres
Registros de CAC em MS 36.100 (crescimento de 340% desde 2019)
Policiais mulheres que sofreram violência 18% (pesquisa UnB)

Para a PM de MS, a perda é dupla: uma profissional experiente e o golpe moral de ver uma colega assassinada por violência doméstica. O comando da PM decretou luto oficial de três dias e determinou que a bandeira do Comando-Geral fosse hasteada a meio-mastro.

O Que Dizem os Envolvidos

O comandante-geral da PM de MS divulgou nota classificando o crime como "uma tragédia que nos atinge como instituição e como seres humanos". Segundo ele, a PM vai reforçar os canais internos de apoio a policiais em situação de violência doméstica. "Precisamos cuidar de quem cuida da população", afirmou.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande confirmou que o caso é investigado como feminicídio. O delegado responsável informou que o suspeito foi indiciado e que o inquérito deve ser concluído em 30 dias.

A Associação de Praças da PM de MS emitiu nota de pesar e cobrou do governo estadual a criação de um programa específico de proteção a policiais mulheres vítimas de violência doméstica. "A corporação tem psicólogos, mas não tem protocolo para esse tipo de situação. A policial que apanha em casa não sabe a quem recorrer sem expor a carreira", disse a presidente da associação.

O Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de MS divulgou nota cobrando do governo estadual a implementação de um canal sigiloso de denúncia para mulheres das forças de segurança. "A policial que sofre violência doméstica enfrenta um dilema que a civil não enfrenta: denunciar pode significar o fim da carreira do agressor — que muitas vezes é colega de farda — e a exposição dentro da corporação. Precisamos de um canal que proteja a denunciante", afirmou a presidente do conselho.

A defesa do suspeito não se manifestou publicamente.

Próximos Passos

O suspeito foi autuado por feminicídio (artigo 121, §2º, inciso VI do Código Penal), com pena de 12 a 30 anos de reclusão. A audiência de custódia manteve a prisão preventiva. O Ministério Público deve oferecer denúncia nas próximas semanas.

A PM de MS informou que vai criar um canal sigiloso para que policiais mulheres denunciem violência doméstica sem exposição na corporação. A medida deve ser implementada até junho de 2026.

O governo de MS anunciou que vai ampliar o programa "Patrulha Maria da Penha", que monitora o cumprimento de medidas protetivas, com a inclusão de 20 novas equipes no interior do estado. O investimento previsto é de R$ 4,2 milhões.

Fechamento

Marlene Brito Rodrigues passou 25 anos vestindo farda. Enfrentou ocorrências, madrugadas, riscos. Sobreviveu à rua. Morreu em casa. O namorado que deveria ser parceiro virou algoz. Três tiros na sala de estar. O caso da subtenente é mais um número na estatística de feminicídio de MS — o oitavo em 2026. Mas é também um alerta: se uma policial militar, treinada e armada, não conseguiu se proteger, o que dizer das mulheres que não têm nem a quem ligar? A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo 180. A DEAM de Campo Grande fica na Rua Marechal Cândido Rondon, 1.396, e atende das 8h às 17h.

Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
  • Itamaraju Notícias (itamarajunoticias.com.br)
  • PM de MS — Comando-Geral
  • Sejusp-MS — Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública
  • DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
  • Anuário Brasileiro de Segurança Pública

💰 Feminicídio de subtenente da PM

1

Vítima

Subtenente com 25 anos de PM

2

Suspeito

Namorado, preso em flagrante

3

Arma

Disparos de arma de fogo

4

Feminicídios em MS (2026)

8 casos até abril

Fonte: Campo Grande News / PMMS / Itamaraju Notícias

❓ Perguntas Frequentes

A subtenente Marlene Brito Rodrigues, com 25 anos de serviço na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, foi assassinada a tiros dentro de sua residência em Campo Grande no início de abril de 2026. O principal suspeito é o namorado da vítima, que foi preso em flagrante no local do crime. Segundo a investigação, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. A subtenente foi atingida por disparos de arma de fogo e não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado como feminicídio pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande.

Até abril de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 8 casos de feminicídio, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). O número coloca o estado em ritmo superior ao de 2025, quando foram registrados 23 feminicídios ao longo de todo o ano. A taxa de feminicídio em MS é de 2,8 por 100 mil mulheres, significativamente acima da média nacional de 1,7. O caso da subtenente Marlene chocou a corporação e a sociedade por envolver uma profissional de segurança pública, treinada no uso de armas, que foi vítima de violência doméstica.

Não há dados oficiais consolidados sobre violência doméstica contra policiais militares mulheres em Mato Grosso do Sul. Porém, pesquisas nacionais indicam que mulheres das forças de segurança enfrentam um paradoxo: são treinadas para proteger a sociedade, mas muitas vezes não conseguem se proteger dentro de casa. Um estudo da Universidade de Brasília de 2024 apontou que 18% das policiais militares brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica, taxa próxima à média nacional de 22% para a população feminina geral. O acesso facilitado a armas de fogo no ambiente doméstico é um fator agravante que aumenta a letalidade dos casos.

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CF

Camila Ferreira

Repórter