TSE alerta para golpe que simula cobrança por regularização do título
Mensagens falsas cobram valores para regularização eleitoral e usam logotipo do Tribunal Superior Eleitoral para enganar vítimas

A mensagem chega por SMS ou WhatsApp com o logotipo do TSE e um tom urgente: "Regularize seu título de eleitor. Valor: R$ 75,00. Clique no link para pagamento." Parece oficial. Não é. O Tribunal Superior Eleitoral emitiu alerta neste sábado (12) sobre a circulação de mensagens falsas que cobram valores pela regularização do título — um serviço que é gratuito.
O Que Aconteceu
O TSE identificou uma onda de mensagens fraudulentas direcionadas a eleitores de todo o Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul. Os golpistas usam o logotipo oficial do tribunal, linguagem formal e links que imitam o site do TSE para dar aparência de legitimidade.
As mensagens variam, mas seguem um padrão: informam que o título do eleitor está irregular, cobram valores entre R$ 75 e R$ 150 para "regularização" e direcionam a vítima para um site falso onde são solicitados dados pessoais e bancários. Algumas versões incluem ameaça de cancelamento do título em 48 horas.
"O TSE não envia mensagens cobrando valores. A regularização do título é gratuita, sempre foi e sempre será. Qualquer cobrança é golpe", afirmou o presidente do tribunal em nota divulgada neste sábado.
O alerta ganha relevância em Mato Grosso do Sul porque a Zona Eleitoral de Campo Grande anunciou na quinta-feira (10) a liberação de multas para eleitores que regularizarem a situação até 30 de abril. A coincidência de datas pode ter sido explorada pelos golpistas para dar credibilidade às mensagens falsas.
Contexto e Histórico
Golpes que usam o nome de órgãos públicos não são novidade, mas se intensificam em períodos eleitorais. Com as eleições de outubro de 2026 se aproximando, a regularização do título de eleitor virou tema de interesse público — e de interesse dos golpistas.
Mato Grosso do Sul tem 2,1 milhões de eleitores, segundo o TSE. Desses, cerca de 180 mil estão com o título irregular — seja por ausência às urnas sem justificativa, mudança de domicílio não comunicada ou título cancelado por não comparecimento ao recadastramento biométrico.
A Polícia Federal registrou aumento de 67% nos golpes digitais envolvendo órgãos públicos no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O phishing — técnica que usa mensagens falsas para roubar dados — é o método mais comum. Os golpistas compram bases de dados com números de telefone e disparam mensagens em massa, apostando que uma parcela das vítimas vai clicar no link. Em MS, a Delegacia de Crimes Cibernéticos estima que apenas 1 em cada 5 vítimas registra boletim de ocorrência — o que significa que os números reais são muito maiores que os oficiais.
Em fevereiro de 2026, a Polícia Civil de MS prendeu um grupo que aplicava golpes usando o nome do Detran-MS, cobrando valores para "regularização de CNH". O esquema era semelhante: mensagens com logotipo oficial, links falsos e cobrança de valores. O grupo arrecadou mais de R$ 320 mil antes de ser desarticulado. Três dos cinco integrantes eram de Campo Grande e operavam de um apartamento no bairro Jardim dos Estados.
"O golpista aposta na pressa e no medo. A pessoa recebe a mensagem, fica com medo de perder o título, e paga sem verificar. É assim que funciona", explicou o delegado da Polícia Civil especializado em crimes cibernéticos.
Em Campo Grande, o perfil das vítimas segue um padrão: pessoas acima de 50 anos, com menor familiaridade digital, que recebem a mensagem pelo WhatsApp e não sabem distinguir um site oficial de uma página clonada. Dos 12 registros feitos em MS até agora, 9 envolvem vítimas nessa faixa etária. O valor médio perdido por pessoa foi de R$ 112 — somando o pagamento falso e as compras realizadas com os dados bancários capturados. A Delegacia Virtual de MS recebeu 340 denúncias de golpes digitais só em março de 2026, aumento de 28% em relação a fevereiro. O delegado titular da unidade atribui o salto ao período pré-eleitoral, quando golpistas exploram temas como título de eleitor, biometria e cadastro eleitoral para criar urgência nas mensagens.
Impacto Para a População
O golpe atinge especialmente eleitores que sabem estar com o título irregular e temem consequências.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Golpe | Cobrança falsa por regularização do título |
| Método | SMS, WhatsApp, e-mail com link falso |
| Valor cobrado | R$ 75 a R$ 150 |
| Regularização real | Gratuita |
| Eleitores em MS | 2,1 milhões |
| Títulos irregulares em MS | ~180 mil |
| Aumento de golpes digitais (2026) | +67% vs. 2025 |
| Prazo para regularização em CG | Até 30 de abril |
Para quem cai no golpe, o prejuízo vai além do valor pago. Os dados pessoais e bancários fornecidos no site falso podem ser usados para abrir contas, contratar empréstimos e realizar compras em nome da vítima. A recuperação pode levar meses e exigir registro de boletim de ocorrência, contestação junto a bancos e monitoramento de CPF. Uma vítima de Campo Grande relatou à Polícia Civil que, após clicar no link falso, teve R$ 2.300 debitados da conta corrente em três compras online feitas em menos de uma hora.
O Que Dizem os Envolvidos
O TSE reforçou que a única forma oficial de regularizar o título é pelo site tse.jus.br ou presencialmente nos cartórios eleitorais. "Não enviamos links por SMS ou WhatsApp. Não cobramos valores. Na dúvida, procure o cartório eleitoral da sua cidade", orientou o tribunal.
A Zona Eleitoral de Campo Grande confirmou que a liberação de multas para regularização é real, mas que o procedimento é feito exclusivamente no cartório ou pelo site oficial. "Não mandamos mensagem pra ninguém. O eleitor que quiser regularizar vem aqui ou acessa o site do TSE. Simples assim", disse o chefe de cartório da 38ª Zona Eleitoral. Os quatro cartórios eleitorais de Campo Grande atendem juntos cerca de 320 pessoas por dia em período normal, número que sobe para 500 em véspera de eleição.
A Polícia Civil de MS informou que já recebeu 12 registros de vítimas do golpe no estado e que as investigações estão em andamento.
Próximos Passos
A Polícia Federal está rastreando os servidores que hospedam os sites falsos e os números de telefone usados para disparar as mensagens. A expectativa é identificar os responsáveis nas próximas semanas.
O TSE vai intensificar a campanha de esclarecimento nas redes sociais e em parceria com operadoras de telefonia para bloquear números associados ao golpe.
Em Campo Grande, o prazo para regularização do título com liberação de multa vai até 30 de abril de 2026. Os cartórios eleitorais atendem de segunda a sexta, das 7h às 13h.
Fechamento
O golpe é simples, mas eficaz: uma mensagem com cara de oficial, um valor que parece razoável e um link que rouba seus dados. A regra é uma só — o TSE nunca cobra nada por mensagem. Se recebeu, delete. Se clicou e pagou, registre boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pelo site da Polícia Civil (delegaciaonline.sejusp.ms.gov.br). Para regularizar o título de graça, acesse tse.jus.br ou procure o cartório eleitoral.
Fontes e Referências
- Campo Grande News (campograndenews.com.br)
- TSE — Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br)
- Polícia Civil de MS (pc.ms.gov.br)
- Zona Eleitoral de Campo Grande
💰 Golpe do título eleitoral
Tipo
Phishing / SMS falso
Valor cobrado
R$ 75 a R$ 150
Regularização real
Gratuita
Eleitores em MS
2,1 milhões
Fonte: Campo Grande News / TSE
❓ Perguntas Frequentes
Não. A regularização do título de eleitor é totalmente gratuita. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não envia mensagens por SMS, WhatsApp ou e-mail cobrando valores para regularização eleitoral. Qualquer mensagem que solicite pagamento para regularizar o título é golpe. A regularização pode ser feita presencialmente nos cartórios eleitorais ou pelo site do TSE (tse.jus.br), sem nenhum custo. O único valor que pode ser cobrado é a multa por ausência às urnas, que varia de R$ 1,05 a R$ 3,51 por turno, e é paga diretamente no cartório eleitoral ou por boleto emitido pelo site oficial.
Existem sinais claros de que uma mensagem sobre regularização do título eleitoral é fraudulenta. Primeiro, o TSE nunca cobra valores por SMS, WhatsApp ou e-mail. Segundo, mensagens com links para sites que não terminam em '.jus.br' ou '.gov.br' são suspeitas. Terceiro, golpistas costumam criar urgência falsa, como 'regularize em 24 horas ou perca o título'. Quarto, o uso de logotipos oficiais não garante autenticidade — golpistas copiam facilmente. Na dúvida, não clique em nenhum link e procure diretamente o cartório eleitoral da sua cidade ou acesse o site oficial do TSE.
Em Campo Grande, a regularização do título de eleitor pode ser feita gratuitamente de duas formas. Presencialmente, nos cartórios eleitorais da capital — a 38ª, 39ª, 40ª e 41ª Zonas Eleitorais atendem de segunda a sexta, das 7h às 13h, sem necessidade de agendamento. É preciso levar RG, CPF e comprovante de residência. Online, pelo site do TSE (tse.jus.br), na opção 'Autoatendimento Eleitoral', é possível solicitar a regularização sem sair de casa. A Zona Eleitoral de Campo Grande informou que está liberando multas para eleitores que regularizarem a situação até 30 de abril de 2026.
Juliana Mendes
Repórter
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