Eleições no Pará 2026: Hana Ghassan assume governo e polariza disputa com Dr. Daniel Santos
Com a renúncia de Helder Barbalho para disputar o Senado, Hana Ghassan lidera a chapa governista em cenário de empate técnico com oposição.

O panorama eleitoral do estado do Pará para o ano de 2026 entra em uma fase de intensa ebulição com a definição das principais peças no tabuleiro de xadrez da política local. O fato central que deflagrou essa reorganização foi a renúncia do governador Helder Barbalho (MDB) no início de abril de 2026. Cumprindo seu segundo mandato consecutivo, após reeleição consagradora no primeiro turno em 2022, Helder deixou o comando do Poder Executivo para se viabilizar legalmente como pré-candidato a uma das duas vagas ao Senado Federal. Com a sua saída, a vice-governadora Hana Ghassan (MDB) assumiu a chefia do Palácio dos Despachos, tornando-se a primeira mulher a governar o Pará de forma definitiva, e posicionando-se como a pré-candidata natural da situação à reeleição.
Hana Ghassan, servidora pública de carreira com longa experiência na área fiscal e ex-secretária de Planejamento e Administração, representa a aposta do grupo comandado pela família Barbalho para dar continuidade a uma gestão que focou em pesados investimentos em infraestrutura e em políticas ambientais. O grande trunfo político do grupo governista é o legado de realizações associadas à realização de grandes intervenções urbanísticas e de visibilidade internacional, especialmente as obras preparatórias executadas na capital, Belém, visando a consolidação do estado como referência em debates globais sobre a Amazônia. Hana busca transferir a popularidade de Helder Barbalho para sua candidatura, pavimentando o caminho para a permanência do MDB no poder estadual.
No entanto, a sucessão para o governo estadual desenha-se de forma muito mais competitiva do que as disputas anteriores. As pesquisas de intenção de voto realizadas no primeiro semestre de 2026 apontam um cenário de empate técnico na liderança entre Hana Ghassan e o ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos (Podemos). Médico de profissão e político de forte apelo popular, Dr. Daniel consolidou sua força eleitoral em Ananindeua — o segundo maior colégio eleitoral do estado — e construiu um bloco de oposição robusto ao romper formalmente com a família Barbalho. O embate assume contornos de um plebiscito sobre a hegemonia política dos Barbalho no Pará, polarizando o eleitorado entre os defensores da continuidade governista e os partidários de uma alternativa de poder.
Dr. Daniel Santos tem focado sua pré-campanha na crítica ao que classifica como centralização de recursos na região metropolitana de Belém e no interior profundo, cobrando maior atenção para a rede pública de saúde de média e alta complexidade nos municípios do sul e sudeste do Pará, como Marabá, Parauapebas e Redenção. Sua candidatura tem aglutinado forças políticas heterogêneas, atraindo o apoio de prefeitos e lideranças que buscam maior autonomia política em relação às diretrizes vindas do Executivo estadual.
Simultaneamente à corrida pelo governo, a disputa pelas duas vagas ao Senado Federal em 2026 mobiliza as principais forças políticas do estado. As cadeiras hoje pertencentes a Jader Barbalho (MDB) e Zequinha Marinho (Podemos) estão no centro das discussões. Helder Barbalho desponta como o favorito isolado nas pesquisas para uma das vagas, sustentado por seu alto índice de aprovação como governador e pela consolidação de seu nome como uma liderança nacional de centro. A disputa pela segunda vaga, contudo, é acirrada e envolve o próprio Zequinha Marinho, que busca a reeleição pela oposição, o deputado federal bolsonarista Delegado Éder Mauro (PL) e o ministro do Turismo Celso Sabino, que articula apoios no palanque governista nacional.
O Partido dos Trabalhadores (PT), que compõe a base governista local através de cargos na administração e alinhamento programático, também busca manter sua relevância com a pré-candidatura do ex-senador Paulo Rocha, tentando garantir uma vaga de destaque no palanque de Hana Ghassan. As negociações para a composição das chapas majoritárias e definições de suplências ao Senado devem se estender até o limite do prazo legal das convenções eleitorais, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. A eleição de outubro promete redefinir a correlação de forças políticas na Amazônia Oriental pelos próximos anos.
Fonte: G1 Pará / O Liberal
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