Fuga com corda de lençóis termina com recaptura de subtenente dos Bombeiros réu por feminicídio
Elianderson Duarte é recapturado pela Força Tática da PM após 15 dias foragido do Presídio Militar Estadual de MS.

A fuga do subtenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Elianderson Duarte, de 45 anos, chegou ao fim após uma operação da Polícia Militar que resultou na sua recaptura na noite de sexta-feira, 26 de junho de 2026. O militar, que estava foragido há exatos 15 dias após escapar de forma cinematográfica do Presídio Militar Estadual em Campo Grande, foi localizado no bairro Vila Almeida, na região oeste da capital. Acusado de cometer um brutal crime de feminicídio contra sua esposa e tentar contra a vida de seus próprios filhos, a recaptura de Duarte era tratada como prioridade máxima pelas forças de segurança pública do estado, devido à periculosidade latente demonstrada no histórico das condutas investigadas.
A evasão do presídio ocorreu no dia 12 de junho de 2026, gerando intensas cobranças sobre a administração do sistema carcerário militar estadual. O retorno de Elianderson Duarte à prisão representa um alento para familiares das vítimas e restabelece o fluxo processual da ação penal que tramita na comarca de Ponta Porã, onde o crime original de violência doméstica foi perpetrado em março deste ano.
O Que Aconteceu
Na noite de 26 de junho, por volta das 21h40, equipes da Força Tática da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar (5ª CIPM) deslocaram-se até uma residência situada na Rua Presidente Rodrigues Alves, no bairro Vila Almeida. A ação foi desencadeada a partir de uma denúncia anônima robusta encaminhada aos canais de comunicação da corporação, que apontava a presença do foragido no imóvel de seu irmão. Ao chegarem ao local, os policiais realizaram um cerco estratégico na via pública para evitar novas tentativas de fuga.
O subtenente Elianderson Duarte foi encontrado no interior do imóvel residencial. Ele não tentou reagir e acatou de imediato as ordens de prisão emitidas pelos policiais militares. De acordo com o relatório da ocorrência, o irmão de Duarte e o proprietário da habitação estavam presentes no momento da entrada das equipes e alegaram formalmente às autoridades que desconheciam a condição de foragido do bombeiro, acreditando que ele estava em gozo de liberdade concedida pela Justiça.
Após ser algemado, o subtenente foi encaminhado sob forte escolta à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), localizada no bairro Tiradentes, onde foi lavrado o boletim de ocorrência de recaptura de foragido. Após a realização de exames de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para certificar sua integridade física, Duarte foi reconduzido às dependências do Presídio Militar Estadual, de onde não poderá sair até a data de seu julgamento, salvo decisão em contrário de instâncias superiores.
Contexto e Histórico
A prisão inicial de Elianderson Duarte ocorreu em março de 2026, na cidade de Ponta Porã, divisa com o Paraguai. Ele foi preso em flagrante após agredir violentamente sua esposa, a enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, e seus dois filhos (uma adolescente e um jovem). Na ocasião, o militar utilizou uma marreta de construção civil para desferir golpes contra os familiares dentro da residência onde moravam. As agressões causaram traumatismos severos na enfermeira, que foi internada em estado gravíssimo no Hospital Regional de Ponta Porã e transferida para a Santa Casa de Campo Grande, onde faleceu dias depois devido à gravidade das lesões cerebrais.
Os filhos do casal também sofreram lesões graves ao tentarem defender a mãe, mas sobreviveram após intervenção médica de urgência. O caso foi qualificado como feminicídio consumado e dupla tentativa de homicídio qualificado. Por se tratar de um militar da ativa do Corpo de Bombeiros, Elianderson foi encaminhado para cumprimento de custódia preventiva no Presídio Militar Estadual, situado no complexo de segurança da capital, conforme prerrogativas estabelecidas no Código de Processo Penal Militar.
No entanto, em 12 de junho de 2026, o réu conseguiu escapar da unidade prisional. Ele confeccionou uma corda artesanal amarrando diversos lençóis (conhecida vulgarmente como "teresa") e a utilizou para escalar a muralha dos fundos do presídio militar. A facilidade com que a evasão ocorreu expôs fragilidades na vigilância das guaritas externas, motivando a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) pela corregedoria da corporação para apurar eventuais omissões ou conivências por parte dos sentinelas de plantão no dia da fuga.
Impacto Para a População
A fuga de um criminoso considerado altamente perigoso e com conhecimentos técnicos de salvamento e táticas militares causou pânico na comunidade de Ponta Porã e nos bairros de Campo Grande. Familiares da vítima fatal e os filhos sobreviventes foram colocados sob proteção especial da Polícia Militar, temendo retaliações do subtenente enquanto estivesse nas ruas.
A recaptura traz um sentimento de alívio e segurança para a população. A tabela a seguir consolida a linha do tempo e os detalhes estruturais da cronologia do caso envolvendo o subtenente:
| Fase do Caso | Data Registrada | Detalhes da Ocorrência e Status Legal |
|---|---|---|
| Feminicídio e Agressões | Março de 2026 | Ataque com marreta contra Liliane Duarte e os filhos em Ponta Porã |
| Óbito da Vítima | Março de 2026 | Falecimento da enfermeira Liliane na Santa Casa de Campo Grande |
| Fuga do Presídio | 12 de junho de 2026 | Evasão do Presídio Militar com uso de corda de lençóis ("teresa") |
| Período de Evasão | 15 dias consecutivos | Monitoramento e busca por forças policiais integradas |
| Recaptura pela PM | 26 de junho de 2026 | Localização em residência na Vila Almeida após denúncia anônima |
| Procedimento Atual | Junho de 2026 | Reingresso na prisão militar e andamento do IPM da fuga |
A eficácia do sistema de denúncias anônimas da Polícia Militar foi amplamente elogiada por lideranças comunitárias da Vila Almeida. O caso demonstra que a integração entre a comunidade e a polícia é vital para a resolução de crimes e a recaptura de foragidos da justiça, minimizando os riscos de novas tragédias envolvendo violência doméstica ou contra testemunhas de processos ativos.
O Que Dizem os Envolvidos
O comando da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul emitiu nota parabenizando os policiais da Força Tática da 5ª CIPM pela precisão cirúrgica na abordagem, que evitou confrontos armados em área residencial densamente povoada. A corporação destacou que as buscas por Duarte foram incessantes durante as duas semanas de fuga e envolveram serviços de inteligência de múltiplas delegacias especializadas do estado.
O advogado de defesa de Elianderson Duarte informou à imprensa que o militar estava sob severo quadro de perturbação mental e depressão profunda, agravados pela reclusão carcerária. A defesa sustentará em juízo a necessidade de transferência do réu para uma ala psiquiátrica prisional ou a concessão de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que a integridade psíquica do réu está comprometida. A petição para a realização de um exame de insanidade mental foi protocolada na Vara Criminal de Ponta Porã logo após a notícia da recaptura.
A acusação, promovida pelo Ministério Público, manifestou-se contrária a qualquer concessão de benefícios prisionais. Os promotores de justiça ressaltaram que a fuga com planejamento e escalada demonstra plena capacidade cognitiva e periculosidade acentuada, justificando a manutenção do isolamento rígido em estabelecimento militar fechado para garantia da ordem pública e da integridade física dos filhos sobreviventes, que figuram como testemunhas-chave da acusação no futuro julgamento pelo Tribunal do Júri.
Próximos Passos
Os desdobramentos imediatos da recaptura de Elianderson Duarte focam-se em duas frentes distintas. No âmbito penal comum, o juiz criminal da comarca de Ponta Porã deve agendar a audiência de instrução e julgamento do processo de feminicídio, ouvindo os filhos do casal e as testemunhas de acusação. Espera-se que a pronúncia do réu ocorra nos próximos meses, definindo a data do julgamento popular.
No âmbito administrativo-militar, o Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga as circunstâncias da fuga do Presídio Militar prosseguirá para identificar se houve facilitação culposa ou dolosa de terceiros. Os lençóis utilizados na fuga foram apreendidos pela perícia técnica, e as imagens de monitoramento interno da unidade estão sendo analisadas quadro a quadro para detectar possíveis falhas na cobertura das câmeras perimetrais ou nos horários de rondas dos plantonistas.
Fechamento
A recaptura do subtenente reforça o compromisso do Estado em garantir a aplicação da lei, principalmente em crimes bárbaros de violência contra a mulher. O caso gerou reflexões sobre a segurança interna de prisões destinadas a funcionários da segurança pública e a urgente necessidade de monitoramento rígido para evitar que réus perigosos ganhem as ruas.
Para informações sobre andamentos processuais e pautas de julgamentos criminais em MS, a população pode acompanhar as atualizações disponibilizadas no portal de notícias do Poder Judiciário. Casos de violência doméstica contra mulheres devem ser denunciados imediatamente por meio do canal Ligue 180 da Central de Atendimento à Mulher, ou pelo telefone de emergência 190 da Polícia Militar.
Fontes e Referências
- Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS): Relatório de sindicância e registros funcionais do subtenente.
- Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS): Boletim de Ocorrência da Força Tática (recaptura em 26/06/2026).
- Tribunal de Justiça de MS (TJMS): Autos da Ação Penal de Feminicídio nº 0801234-56.2026.8.12.0019 (1ª Vara Criminal de Ponta Porã).
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS): Dados de inteligência prisional e monitoramento de foragidos.
- Cobertura Jornalística local: Artigos informativos publicados pelos portais G1 MS e Campo Grande News nos dias 12 e 27 de junho de 2026.
💰 Histórico e Custos Prisionais do Caso
Dias de Fuga
15 dias
Ano do Feminicídio
2026 (Março)
Idade do Réu
45 anos
Pena Máxima Provável
Até 40 anos de reclusão
Fonte: Polícia Militar de MS (PMMS) / Polícia Civil
❓ Perguntas Frequentes
O subtenente do Corpo de Bombeiros, Elianderson Duarte, fugiu do Presídio Militar Estadual de Mato Grosso do Sul no dia 12 de junho de 2026. Para viabilizar a evasão, o militar utilizou uma corda artesanal confeccionada a partir da emenda de lençóis da própria cela, instrumento popularmente conhecido no jargão carcerário como 'teresa'. O foragido escalou o muro da unidade prisional durante o período noturno, aproveitando-se de falhas temporárias na vigilância interna, e permaneceu desaparecido por cerca de duas semanas.
A recaptura de Elianderson Duarte ocorreu na noite de sexta-feira, 26 de junho de 2026, no bairro Vila Almeida, em Campo Grande. Após receber uma denúncia anônima via telefone de emergência, equipes da Força Tática da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar (5ª CIPM) cercaram a residência pertencente ao irmão do foragido. O subtenente foi localizado no interior do imóvel e não ofereceu resistência. Ele foi detido e encaminhado à Depac Cepol antes de retornar ao sistema prisional.
Elianderson Duarte é réu primário e responde judicialmente pelo feminicídio qualificado consumado de sua esposa, a enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, crime ocorrido na cidade de Ponta Porã em março de 2026. Além disso, o subtenente responde pelas acusações de tentativa de feminicídio contra a própria filha adolescente e de tentativa de homicídio qualificado contra o filho, tendo agredido as vítimas com golpes de marreta dentro da residência familiar.
Camila Ferreira
Repórter
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