Embate político sobre segurança tensiona relação de Cláudio Castro com prefeitos
Cobranças por reforço de policiamento e críticas de prefeitos da Baixada e Região Metropolitana à gestão de segurança no Palácio Guanabara esquentam debate no Rio.

A gestão da segurança pública no estado do Rio de Janeiro transformou-se no principal ponto de atrito e embate político entre o governador Cláudio Castro (PL) e um grupo influente de prefeitos de municípios da Região Metropolitana e da Baixada Fluminense em julho de 2026. Os administradores municipais cobram de forma incisiva o reforço de patrulhamento ostensivo preventivo, a descentralização de viaturas blindadas e a alocação de mais efetivos da Polícia Militar fora da capital carioca. Castro, por sua vez, tem rebatido as cobranças cobrando maior engajamento dos municípios no controle do uso do solo e na estruturação de Guardas Municipais armadas, gerando um clima de desconfiança mútua que afeta as articulações políticas do Palácio Guanabara no ano eleitoral.
O Que Aconteceu
A insatisfação coletiva dos prefeitos fluminenses foi manifestada durante um fórum de debates metropolitano realizado na Baixada Fluminense. Prefeitos de grandes cidades (como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Niterói) apresentaram dados e relatórios de segurança indicando o avanço de milícias e de roubos de cargas nas rodovias locais, demandando respostas estruturais urgentes do executivo estadual.
Os gestores municipais sustentam que a distribuição atual do efetivo da PMERJ privilegia de forma desproporcional as zonas sul e oeste da capital do Rio de Janeiro, deixando as periferias metropolitanas desguarnecidas frente à ação violenta das facções.
O governador Cláudio Castro reagiu publicamente em entrevistas coletivas no Palácio Guanabara, afirmando que a segurança pública não deve ser usada como "palanque político eleitoral". Castro argumentou que o estado tem investido na contratação e formação de novos praças da PMERJ e que as prefeituras devem assumir sua responsabilidade fiscal no custeio do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) para contratação de policiais de folga.
Contexto e Histórico
A segurança pública no Rio de Janeiro é historicamente uma competência constitucional do Estado, exercida por meio das polícias civil e militar. No entanto, o crescimento desordenado de manchas de criminalidade urbana forçou as prefeituras locais a criarem secretarias municipais de segurança e investirem em monitoramento por câmeras de vigilância.
O Proeis surgiu como um convênio que permite aos prefeitos pagarem gratificações adicionais diretamente a policiais militares que decidem trabalhar voluntariamente em seus horários de folga para patrulhar áreas de comércio e praças públicas municipais. Contudo, muitas prefeituras da Baixada enfrentam crises financeiras recorrentes que impedem a manutenção desses convênios.
O tensionamento político ocorre no mesmo período em que Cláudio Castro busca manter o controle de sua base governista na Alerj para aprovar reformas fiscais complexas exigidas pelo Regime de Recuperação Fiscal (RRF) acordado com a União Federal.
Impacto Para a População
O desentendimento político e a falta de coordenação administrativa entre o Palácio Guanabara e as prefeituras resultam na perda de eficiência operacional das forças policiais, deixando o cidadão fluminense exposto à violência e à falta de patrulhamento regular nas ruas dos bairros.
A tabela a seguir apresenta os repasses financeiros e o número de policiais militares ativos contratados por meio do Proeis nos principais municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 2026:
| Município Conveniado | Investimento Mensal Proeis | Efetivo Policial PM Diário | Principais Áreas de Patrulha | Situação de Regularidade do Convênio |
|---|---|---|---|---|
| Niterói | R$ 3,2 milhões | 180 policiais | Calçadões e centros comerciais | Ativo e regularizado |
| Duque de Caxias | R$ 2,5 milhões | 140... | Entornos de estações e eixos | Parcialmente ativo (atrasos) |
| Nova Iguaçu | R$ 2,1 milhões | 110... | Centro comercial e rodoviária | Suspenso temporariamente |
| São Gonçalo | R$ 2,8 milhões | 150... | Vias arteriais e bairros polos | Ativo com restrição de cotas |
A suspensão ou atraso nos pagamentos do Proeis gera a retirada imediata do policiamento de folga das ruas comerciais, elevando o registro de pequenos delitos e assaltos a pedestres nas cidades periféricas.
O Que Dizem os Envolvidos
O governador Cláudio Castro enfatizou a necessidade de cooperação técnica mútua. "O Estado tem feito o maior investimento da história em tecnologia policial, mas a segurança preventiva também exige que os prefeitos combatam o comércio informal de pirataria e ordenem as Guardas Municipais para atuar de forma integrada conosco nas praças", defendeu o governador fluminense.
Por outro lado, o presidente da Associação de Prefeitos do Estado declarou que a cobrança de contrapartidas financeiras é injusta. "Os municípios mais carentes do Rio não possuem fluxo de caixa para pagar salário de policial do Estado. A segurança é dever primário do Palácio Guanabara e exigimos a presença regular da PM nos bairros da periferia", rebateu o representante dos municípios.
Especialistas em gestão pública apontam que a fragmentação das políticas de segurança compromete o combate ao crime organizado, que atua de forma integrada cruzando fronteiras municipais diariamente.
Próximos Passos
A Secretaria de Estado de Segurança planeja realizar reuniões bilaterais com as equipes técnicas das prefeituras da Baixada Fluminense para tentar renegociar as dívidas do Proeis e evitar a paralisação do policiamento.
Os prefeitos de oposição buscam articular na Alerj a aprovação de emendas orçamentárias impositivas que obriguem o executivo a destinar uma cota mínima de novas viaturas e recrutas formados para os batalhões do interior.
Serão divulgadas novas estatísticas criminais mensais de roubo de carga pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) que servirão de baliza para comprovar se a falta de policiamento Proeis nas periferias gerou aumento real de crimes patrimoniais.
Fechamento
O embate político entre o governador Cláudio Castro e os prefeitos fluminenses sobre o policiamento Proeis evidencia as dificuldades estruturais de financiamento da segurança pública no Rio de Janeiro sob o peso de restrições fiscais estaduais. Ao transferir parte da responsabilidade financeira e operacional aos municípios, o Estado expõe a carência de efetivo permanente das polícias e gera atritos de governabilidade que afetam a rotina das populações metropolitanas. O portal Foco do Estado continuará acompanhando os acordos, as reuniões e a distribuição de policiamento no Rio. Para obter dados e indicadores sobre criminalidade nos municípios paulistas e fluminenses, consulte o portal eletrônico do ISP-RJ.
Fontes e Referências
- Governo do Estado do Rio de Janeiro: Assessoria de Imprensa do Palácio Guanabara - Comunicado sobre Convênios Proeis (Julho/2026).
- Associação de Prefeitos do Estado do Rio de Janeiro (APERJ) - Relatório de Demandas de Policiamento Metropolitano.
- Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) - Painel Interativo de Estatísticas Criminais por Município.
- Portal de Notícias G1 Rio de Janeiro - Reportagem sobre atritos políticos e segurança na Baixada (09/07/2026).
Fonte: Palácio Guanabara / Associação de Prefeitos do Estado do Rio
❓ Perguntas Frequentes
Os prefeitos criticam a centralização de efetivos e recursos policiais na capital carioca, alegando que as cidades da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano (como Niterói e São Gonçalo) sofrem com um deficit crônico de policiais e com o aumento de roubos de carga e furtos residenciais.
O governador defendeu sua gestão destacando que o Estado aumentou o repasse de recursos do Proeis (Programa Estadual de Integração na Segurança) e realizou concursos de ingresso para a PM, argumentando que a segurança nos bairros é uma responsabilidade compartilhada que exige atuação complementar das guardas municipais.
O descontentamento de importantes prefeitos da Baixada e do interior enfraquece a base de apoio político de Cláudio Castro no legislativo estadual (Alerj) e cria atritos nas composições partidárias para as eleições do segundo semestre de 2026, abrindo espaço para palanques de oposição.
Camila Ferreira
Repórter
💬 Fale com a Redação
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal? Envie fotos, vídeos e informações direto para nossos jornalistas no WhatsApp.
Leia também
Ação do BOPE da PMERJ Apreende Fuzis e Entorpecentes na Zona Norte do Rio
25 de julho de 2026
🚔 PolíciaPolícia Militar Recupera Caminhão com Carga de Alimentos na BR-101 em Niterói
24 de julho de 2026
🏙️ CidadesPMERJ Recupera Carga de Alimentos Avaliada em R$ 120 Mil na BR-101 em Niterói
23 de julho de 2026
🚔 PolíciaOperação Integrada de Combate às Milícias e Lavagem de Dinheiro na Zona Oeste
20 de julho de 2026