Fátima Bezerra desiste do Senado após rompimento com Walter Alves no Rio Grande do Norte
Entenda por que a governadora Fátima Bezerra decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato, alterando a sucessão no Rio Grande do Norte.

O tabuleiro político do Rio Grande do Norte sofreu um abalo sísmico no primeiro semestre de 2026, alterando profundamente os cenários previstos para a disputa eleitoral de outubro. A governadora Fátima Bezerra (PT), reeleita em 2022 e principal líder do campo progressista no estado, anunciou oficialmente em março de 2026 que desistiu da candidatura ao Senado Federal. Com a decisão, Fátima optou por permanecer à frente do Poder Executivo até o dia 31 de dezembro de 2026, abrindo mão do projeto de tentar retornar ao parlamento federal em Brasília nas eleições deste ano, quando duas vagas estarão em disputa pela bancada potiguar.
A motivação por trás do recuo da governadora expôs as fissuras na base governista estadual. O estopim foi o rompimento político de Fátima com o vice-governador Walter Alves (MDB). Caso a governadora se afastasse no prazo legal estabelecido para concorrer às eleições, Walter Alves teria a prerrogativa constitucional de assumir a chefia do governo de forma definitiva. Entretanto, o vice-governador e seu partido recusaram-se a aceitar as condições exigidas pelo PT para a governabilidade no período de transição, decidindo não assumir o comando do estado e mantendo uma posição de distanciamento que inviabilizaria a administração governista.
Se Walter Alves renunciasse ou não assumisse no caso de vacância definitiva, o comando do Rio Grande do Norte seria transferido para o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALRN), deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). O tucano precisaria convocar eleições indiretas no parlamento estadual para preencher o cargo de governador nos meses restantes do mandato. Como o PT e as siglas aliadas de esquerda não detêm a maioria absoluta das cadeiras na ALRN, a cúpula do governo concluiu que a desincompatibilização de Fátima Bezerra representaria um risco existencial para a continuidade dos projetos estaduais, abrindo margem para a ascensão da oposição ao controle direto da máquina pública.
Com a permanência de Fátima Bezerra no Palácio de Despachos, o PT potiguar precisou remodelar sua estratégia de sucessão estadual. A governadora lançou e declarou apoio à pré-candidatura de Cadu Xavier, ex-secretário estadual da Fazenda, como o nome governista para a disputa pelo Palácio de Lagoa Nova. Cadu Xavier busca se viabilizar destacando a gestão fiscal equilibrada e a atração de investimentos na área de energias renováveis — como os parques eólicos e solares do litoral potiguar — como as principais bandeiras de sua pré-campanha.
Enquanto isso, Walter Alves e o diretório do MDB migraram formalmente para o bloco da oposição, adotando uma postura de forte confronto político contra a administração estadual. Alves anunciou que permanecerá no cargo de vice-governador até 31 de dezembro, sem contudo exercer funções governamentais, e oficializou sua pré-candidatura ao cargo de deputado estadual nas eleições gerais. O MDB selou uma aliança pragmática com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), um dos principais líderes oposicionistas do estado.
Allyson Bezerra lidera as intenções de voto nas pesquisas eleitorais locais, apostando no forte apelo popular de sua gestão à frente da prefeitura do segundo maior município do estado e na defesa de reformas administrativas de corte liberal. O cenário eleitoral para o governo conta também com a pré-candidatura de Álvaro Dias (PL), ex-prefeito de Natal, polarizando as forças do eleitorado da capital com o eleitorado do interior potiguar. Para o Senado, sem a presença de Fátima Bezerra, a corrida pelas duas cadeiras tornou-se aberta, com o senador Styvenson Valentim (PSDB) aparecendo com força para manter sua representação no parlamento federal. As convenções partidárias do final de julho serão cruciais para a consolidação formal dessas chapas e início oficial da campanha nas ruas.
Fonte: G1 Rio Grande do Norte / Tribuna do Norte
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