Marcos Rocha descarta Senado e decide governar Rondônia até o final do mandato
A decisão do governador Marcos Rocha de não renunciar redesenha a disputa eleitoral e isola o vice-governador Sérgio Gonçalves.

O cenário político de Rondônia entrou em uma fase de definições cruciais e rearranjos partidários com a aproximação das convenções partidárias de 2026. Um dos desdobramentos mais relevantes para a estabilidade administrativa do estado foi o anúncio oficial feito pelo governador Marcos Rocha (PSD) de que permanecerá no cargo de chefe do Poder Executivo até o dia 31 de dezembro de 2026, data final de seu segundo mandato consecutivo. A decisão colocou fim a meses de especulações e discussões de bastidores que apontavam para uma eventual desincompatibilização do governador com o objetivo de disputar uma das duas vagas ao Senado Federal pelo estado.
A opção de Marcos Rocha por concluir o mandato integralmente teve reflexo imediato no xadrez de candidaturas, uma vez que sua candidatura ao Senado era tida como forte concorrente pela base aliada. De acordo com analistas políticos locais, a permanência de Rocha no Palácio Rio Madeira foi influenciada, entre outros fatores, pelo forte distanciamento e pelo rompimento político consolidado com o vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil). As relações entre o governador e seu vice deterioraram-se ao longo dos últimos anos, inviabilizando qualquer processo consensual de transição administrativa segura no caso de afastamento do titular.
A gravidade do rompimento político ficou evidenciada em episódios pontuais nos quais o vice-governador Sérgio Gonçalves recusou-se a assumir interinamente o comando do governo estadual durante viagens de Marcos Rocha ao exterior. Essa atitude incomum, interpretada por aliados e opositores como uma estratégia política deliberada de distanciamento, isolou Gonçalves das esferas de decisão do governo e consolidou a cisão da chapa eleita em 2022. O vice-governador tem articulado sua pré-campanha ao Palácio Rio Madeira de forma independente, buscando atrair prefeitos e parlamentares descontentes com o atual modelo de centralização administrativa da gestão estadual.
Como Marcos Rocha está em seu segundo mandato consecutivo e não pode disputar a reeleição para o governo de Rondônia, a corrida de sucessão estadual encontra-se aberta e altamente competitiva. No campo governista e de centro-direita, despontam como alternativas nomes de forte recall municipal, como o ex-prefeito da capital, Porto Velho, Hildon Chaves (União Brasil), e o ex-prefeito do município de Cacoal, Adailton Fúria (PSD). Ambos buscam capitalizar suas respectivas gestões locais para se consolidarem como opções viáveis e garantir o apoio do atual governador na disputa eleitoral.
Pelo lado da oposição, o senador Marcos Rogério (PL) surge como o nome mais expressivo nas intenções de voto das pesquisas de opinião pública. Marcos Rogério, que disputou o governo estadual contra Marcos Rocha em 2022 em um segundo turno acirrado, aposta no desgaste natural da máquina pública estadual e na forte identificação do eleitorado rondoniense com as pautas conservadoras representadas pelo Partido Liberal e pela ala bolsonarista para conquistar o Executivo estadual.
A corrida para o Senado Federal, por sua vez, também atrai grande interesse devido à renovação de duas cadeiras ocupadas hoje por Confúcio Moura (MDB) e pelo próprio Marcos Rogério. A lista de pré-candidatos à Câmara Alta do Congresso Nacional é densa e variada, incluindo o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), a ex-deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos) e o deputado federal Fernando Máximo (União Brasil), apontado como um dos parlamentares federais mais votados do estado. A definição das coligações majoritárias e das nominatas de candidatos ocorrerá nas convenções entre 20 de julho e 5 de agosto, desenhando de vez a disputa em Rondônia.
Fonte: G1 Rondônia / Rondônia Dinâmica
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