Crise política em Roraima: TSE mantém cassação de Antônio Denarium e altera rumos eleitorais de 2026
Com Denarium inelegível por oito anos e a realização de eleição suplementar, Roraima vive cenário de indefinição jurídica e política.

O estado de Roraima atravessa um dos períodos de maior instabilidade institucional e jurídica de sua história política recente em 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve em julgamento definitivo a cassação do mandato da chapa eleita em 2022, composta pelo ex-governador Antônio Denarium (PP) e pelo vice-governador Edilson Damião (Republicanos). A decisão colegiada da Corte confirmou a ocorrência de abuso de poder político e econômico durante o pleito de 2022, fundamentada na ampliação e criação irregular de programas de assistência social estatais, como o "Cesta da Família" e o "Morar Melhor", sem a devida previsão orçamentária e de forma desproporcional em ano eleitoral.
Com a decisão do TSE, Antônio Denarium foi condenado à pena de inelegibilidade pelo prazo de oito anos, o que inviabiliza sua participação em disputas eleitorais no curto e médio prazo. Denarium já havia renunciado ao cargo de governador em março de 2026, amparado pela estratégia política de concorrer a uma vaga no Senado Federal nas eleições gerais marcadas para outubro deste ano. A cassação judicial imposta pelo tribunal sepultou os planos eleitorais do ex-gestor, forçando seu grupo político a buscar alternativas urgentes de liderança e representação para a disputa das duas vagas da bancada de Roraima no Congresso Nacional.
A queda de Denarium repercutiu intensamente na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), onde o ex-governador mantinha uma ampla base de apoio que sustentava sua agenda governamental. Parlamentares governistas tentaram, por meio de manifestações na tribuna, minimizar o impacto da decisão, alegando que as ações sociais julgadas como irregulares eram fundamentais para atender famílias em situação de extrema vulnerabilidade no estado. Por outro lado, parlamentares de oposição cobraram celeridade na transição de poder e a apuração rigorosa de supostos desvios de recursos públicos na execução desses programas assistenciais em Roraima.
Adicionalmente, o cenário político estadual é influenciado pelos desdobramentos da crise humanitária e ambiental no Território Indígena Yanomami. A articulação entre ações federais de combate ao garimpo ilegal e as políticas de saúde e segurança do governo do estado tem sido alvo de constante debate eleitoral. A oposição acusa a gestão cassada de omissão e complacência com as atividades extrativistas ilegais que afetam as comunidades indígenas, enquanto os aliados de Denarium defendem a atuação das forças de segurança do estado na repressão a crimes ambientais e no apoio logístico aos órgãos nacionais.
Por outro lado, o ex-vice-governador Edilson Damião obteve um desfecho jurídico diferente. Embora tenha perdido o cargo em decorrência da cassação da chapa majoritária, os ministros do TSE entenderam, por maioria de votos, que não havia elementos de prova robustos que demonstrassem a participação ativa ou o conhecimento prévio de Damião na execução dos atos ilícitos apontados pela perícia. Livre da penalidade de inelegibilidade, Damião manteve seus direitos políticos preservados e, segundo fontes partidárias locais, reavaliou sua estratégia eleitoral, concentrando esforços para concorrer a uma vaga no Senado ou à Câmara dos Deputados no pleito geral que se avizinha.
A vacância dos cargos do Poder Executivo estadual e a proximidade das eleições de 2026 forçaram a realização de uma eleição suplementar em Roraima, organizada pela Justiça Eleitoral e realizada no dia 21 de junho de 2026. O pleito extraordinário consagrou a vitória nas urnas da chapa liderada por Arthur Henrique e com o Subtenente Velton na vaga de vice, obtendo 60,87% dos votos válidos em uma votação marcada pela alta taxa de abstenção. No entanto, a diplomação e a consequente posse dos eleitos estavam suspensas temporariamente por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR), em decorrência de questionamentos jurídicos formais apresentados por coligações adversárias a respeito do registro de candidaturas.
Essa complexa teia de recursos e disputas nos tribunais mantém o Palácio Senador Hélio Campos sob um clima constante de incerteza jurídica e administrativa, afetando o andamento de projetos públicos estaduais e a liberação de recursos governamentais em convênios federais. O eleitorado de Roraima, desgastado pela sucessão de governos interinos e disputas judiciais frequentes, se depara com a iminência do pleito geral ordinário em outubro de 2026 em meio a um vácuo de poder consolidado e ao realinhamento total das chapas partidárias que disputarão o comando do estado e as vagas federais nos próximos meses.
Fonte: G1 Roraima / Folha de Boa Vista
Redação
Repórter
💬 Fale com a Redação
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal? Envie fotos, vídeos e informações direto para nossos jornalistas no WhatsApp.