Operação Coluna Sul ataca ramificações de facção criminosa em presídios do RS
Ação conjunta da Brigada Militar e Polícia Penal realiza varreduras em penitenciárias do sul do estado para desarticular ordens de extorsão e tráfico.

A Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, em atuação coordenada com a Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE-RS) e o Ministério Público estadual, deflagrou a "Operação Coluna Sul" nos estabelecimentos penais da metade sul gaúcha. A ofensiva realizou varreduras gerais e revistas minuciosas em galerias e celas de líderes de facções criminosas nacionais (como o PCC) no Presídio Regional de Pelotas (PRP) e na Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG). O objetivo central da operação é isolar e neutralizar as comunicações de presos que utilizavam celulares clandestinos para emitir ordens de extorsões comerciais e comandar o tráfico de drogas regional.
O Que Aconteceu
A Operação Coluna Sul mobilizou dezenas de policiais do Comando de Policiamento Regional do Sul (CRPO-Sul) da Brigada Militar e agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) da SUSEPE. As ações de revista tática começaram de forma simultânea nos presídios de Pelotas e Rio Grande nas primeiras horas do dia, pegando os detentos de surpresa.
Durante as vistorias estruturais nas celas e sob o concreto dos pátios, os cães farejadores da Brigada Militar e os agentes penais localizaram 34 telefones celulares, carregadores USB, baterias sobressalentes, dezenas de chips de operadoras de telefonia e anotações financeiras com contabilidade de venda de drogas.
Os investigadores identificaram que os aparelhos celulares confiscados eram usados por detentos vinculados à facção paulista PCC, que tentava expandir sua influência nos portos do sul do país, para extorquir comerciantes de Pelotas sob ameaça de atentados e gerenciar a logística de cargas ilícitas no Porto de Rio Grande.
Os presos identificados como proprietários dos celulares e das anotações contábeis foram isolados em celas de disciplina e responderão a novos processos administrativos prisionais que podem alongar suas penas finais.
Contexto e Histórico
A metade sul do Rio Grande do Sul (composta por cidades como Pelotas, Rio Grande, Bagé e Jaguarão na fronteira com o Uruguai) tornou-se uma rota estratégica e disputada para o tráfico internacional de entorpecentes devido ao Porto de Rio Grande, terminal portuário de escoamento de cargas para a Europa e África.
Facções criminosas de outros estados buscam alianças com gangues locais do sul do estado para gerenciar a segurança de depósitos de cocaína e maconha prensada no interior gaúcho, usando estabelecimentos prisionais como escritórios logísticos virtuais clandestinos.
A "Operação Coluna Sul" representa o esforço integrado da segurança pública gaúcha para demonstrar controle estatal absoluto dentro dos presídios, reduzindo a criminalidade reflexiva (crimes ordenados de dentro das cadeias) que afeta diretamente comerciantes e moradores de Pelotas e região.
Impacto Para a População
O recolhimento de telefones celulares e o isolamento de líderes reduzem de forma imediata os crimes de extorsão por aplicativo e as ordens de execuções violentas de divisas de bairros em Pelotas e Rio Grande.
A tabela a seguir apresenta os resultados das apreensões de materiais ilícitos efetuadas nas revistas gerais dos principais presídios do Rio Grande do Sul nos últimos meses de 2026:
| Unidade Prisional (Foco) | Cidade do Sul (RS) | Celulares Apreendidos | Armas Artesanais (Estoques) | Chips e Acessórios Recolhidos | Lideranças Isoladas (Fração) |
|---|---|---|---|---|---|
| Presídio Reg. de Pelotas | Pelotas | 18 celulares | 12 armas artesanais | 24 chips de telefonia | 4 detentos isolados |
| Penit. Est. de Rio Grande | Rio Grande | 16 celulares | 9 armas artesanais | 18 chips de telefonia | 3 detentos isolados |
| Penit. de Charqueadas | Charqueadas (RMBH) | 29 celulares | 15 armas artesanais | 31 chips de telefonia | 6 detentos isolados |
| Cadeia Pública de POA | Porto Alegre | 42 celulares | 28 armas artesanais | 52 chips de telefonia | 8 detentos isolados |
A apreensão continuada de celulares em presídios acende o debate estadual gaúcho sobre a necessidade de instalação de bloqueadores de sinal eletromagnético de celular nas redondezas de penitenciárias de grande porte.
O Que Dizem os Envolvidos
O Superintendente dos Serviços Penitenciários (SUSEPE-RS) ressaltou a tolerância zero com celulares nas celas. "A entrada de celulares em presídios é combatida diariamente por nossas equipes de agentes penais. A Operação Coluna Sul mostra que a SUSEPE e a Brigada Militar trabalham juntas para desarmar a estrutura de comunicação financeira das facções dentro e fora do sistema", declarou o dirigente da polícia penal.
O Comandante da Brigada Militar do Sul do estado afirmou que a saturação nas ruas de Pelotas continuará ativa em paralelo para monitorar possíveis reações de grupos de tráfico.
Comerciantes do centro histórico de Pelotas relataram que as cobranças falsas feitas por criminosos alegando serem de facções geravam clima de pânico nos estabelecimentos locais de varejo.
Próximos Passos
Os 34 celulares e as anotações financeiras apreendidas serão encaminhados à Divisão de Inteligência da Polícia Civil e do Ministério Público (GAECO) para análise e extração autorizada de dados digitais.
A SUSEPE-RS instaurará Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) contra os detentos que ocupavam as celas onde os ilícitos foram encontrados nas varreduras.
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo do RS acelerará a instalação de novos scanners corporais e detectores de metais portáteis de última geração nas portarias de Pelotas e Rio Grande para coibir o ingresso de aparelhos em visitas íntimas.
Fechamento
A Operação Coluna Sul executada pela Brigada Militar e Polícia Penal nos presídios da metade sul do Rio Grande do Sul expõe a necessidade de vigilância constante e intervenção tática carcerária para neutralizar a atuação de facções criminosas nacionais no estado. Ao realizar revistas minuciosas nas celas de Pelotas e Rio Grande, apreender celulares clandestinos e isolar as lideranças associadas a esquemas de extorsão, as forças policiais gaúchas reafirmam a autoridade do Estado no sistema prisional e protegem a economia comunitária. O portal Foco do Estado continuará cobrindo as vistorias carcerárias, as prisões de divisas e as decisões da SUSEPE. Para reportar suspeitas de extorsões telefônicas de forma anônima, utilize o telefone 181 do Disque-Denúncia do Rio Grande do Sul.
Fontes e Referências
- Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE-RS): Relatório de Revista Geral - PRP e PERG (Julho/2026).
- Comando Geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS) - Notas da Operação Integrada Coluna Sul.
- Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS) - Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-Sul).
- Lei Federal nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) e regulamentos de segurança interna de penitenciárias gaúchas.
Fonte: Comando de Policiamento Regional do Sul (CRPO-Sul / BMRS) / Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE-RS)
❓ Perguntas Frequentes
As revistas gerais e buscas concentraram-se no Presídio Regional de Pelotas (PRP) e na Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG), localizadas na região sul do estado.
Os agentes da Polícia Penal e Brigada Militar apreenderam 34 aparelhos celulares, carregadores, dezenas de chips de telefonia, cadernos com anotações financeiras do crime e armas artesanais (estoques).
O objetivo principal é bloquear a comunicação de líderes da facção com comparsas nas ruas, desarticulando esquemas de extorsão de comerciantes e ordens de tráfico de drogas regionais.
Luís Fernando
Repórter
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