Ozivy: Primeira Caneta de Semaglutida Nacional e de Baixo Custo Chega às Farmácias de MS
Aprovado pela Anvisa, o análogo sintético produzido pela EMS promete reduzir custos em até 60%; especialistas alertam para perigos do contrabando do Paraguai.

A corrida pela perda de peso e pelo tratamento farmacológico da obesidade e da diabetes tipo 2 ganhou um capítulo divisor de águas no Brasil com a recente chegada do Ozivy às principais redes de farmácias de Mato Grosso do Sul. Registrado pela farmacêutica brasileira EMS em maio de 2026, o medicamento é a primeira versão de semaglutida nacional autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a expiração dos direitos de exclusividade de patente mantidos anteriormente pela Novo Nordisk (fabricante do Ozempic e do Wegovy). A novidade promete democratizar o acesso ao tratamento de alto rendimento, mas acende debates sobre o comércio ilegal de produtos falsificados na região de fronteira.
Custo Acessível e Alta Demanda
A principal barreira de acesso aos análogos de GLP-1 no Brasil sempre foi o custo financeiro elevado. O tratamento mensal com o Ozempic original costuma oscilar entre R$ 900,00 e R$ 1.200,00, inviabilizando a continuidade terapêutica para grande parte da população.
A entrada do Ozivy no mercado altera profundamente essa dinâmica. Regulamentado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o preço teto da caneta nacional da EMS foi estabelecido a partir de R$ 452,00. Além disso, a farmacêutica lançou programas de apoio ao paciente e fidelidade que reduzem o custo real de aquisição nas drogarias para cerca de R$ 287,00 por unidade.
Em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul, a saída do medicamento nas primeiras semanas de distribuição superou as estimativas de mercado. Farmacêuticos relatam filas de espera e reservas esgotadas em poucas horas após o recebimento dos lotes de distribuição, motivadas pela economia superior a 60% em relação às canetas importadas de referência.
Ozivy: Produto Novo, Não um "Genérico" Tradicional
Existe uma confusão técnica comum entre os consumidores que chamam o Ozivy de "Ozempic Genérico". A Anvisa esclarece que, por se tratar de um composto biológico complexo (um peptídeo análogo do hormônio GLP-1 produzido por síntese química), a legislação brasileira não permite o registro automático como genérico tradicional.
Dessa forma, o Ozivy foi aprovado e registrado como um "medicamento novo", classificado como um análogo sintético. O produto passou por rigorosos testes clínicos que comprovaram que a sua eficácia terapêutica na redução da hemoglobina glicada e no controle de peso é estatisticamente idêntica à do produto original, garantindo a mesma segurança e padrão de qualidade exigidos pela agência reguladora.
O Perigo das "Canetas Paraguaias" de Contrabando
Por compartilhar uma extensa linha de fronteira seca com o Paraguai, Mato Grosso do Sul é historicamente vulnerável ao contrabando de insumos médicos. Com o sucesso dos medicamentos injetáveis para emagrecimento, multiplicou-se nas cidades de fronteira (como Ponta Porã) e em redes sociais o comércio clandestino de canetas de semaglutida vindas ilegalmente do país vizinho, conhecidas popularmente como "canetas paraguaias".
Autoridades de saúde e médicos endocrinologistas alertam que a diferença entre o medicamento nacional registrado e o produto contrabandeado do Paraguai é a diferença entre a saúde e a morte. Os principais riscos incluem:
- Risco Fatal de Insulina: Testes laboratoriais em canetas apreendidas pela polícia na fronteira revelaram que muitas delas continham insulina de ação rápida com rótulos e caixas falsificadas de Ozempic. A injeção de insulina em indivíduos não diabéticos ou sem a dosagem adequada causa hipoglicemia severa imediata, que pode levar a convulsões, coma neurológico irreversível e morte em poucos minutos.
- Quebra de Cadeia de Frio: A semaglutida e a liraglutida são proteínas altamente sensíveis a variações de temperatura. Devem ser mantidas sob refrigeração constante (entre 2°C e 8°C). No contrabando, as canetas são transportadas sem refrigeração em fundos falsos de veículos sob calor extremo, o que causa a desnaturação da proteína. O medicamento torna-se completamente inútil ou pode desencadear reações imunológicas graves e alergias severas no local da injeção.
- Injeção de Substâncias Desconhecidas: A ausência de inspeção sanitária e de boas práticas de fabricação nas canetas piratas expõe o paciente a contaminações por bactérias, fungos ou misturas químicas tóxicas, resultando em infecções generalizadas (sepse) e falência de órgãos.
A Anvisa e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforçam de forma unânime: qualquer tratamento de emagrecimento deve ter acompanhamento de receita e supervisão médica contínua, e a compra dos medicamentos deve ocorrer exclusivamente em estabelecimentos farmacêuticos licenciados no Brasil, exigindo-se sempre a emissão de nota fiscal para garantir a rastreabilidade e a procedência do lote.
Fonte: Anvisa / EMS
Beatriz Ramos
Repórter
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