Operação Clã do Crime desarticula quadrilha de desmanche ilegal e roubo de utilitários em SP
Ação da Polícia Civil de São Paulo (DEIC) interdita galpões clandestinos na capital e região metropolitana usados para adulterar chassis e receptar peças de caminhonetes roubadas.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio de uma força-tarefa da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptação de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), deflagrou na manhã de 8 de julho de 2026 a denominada Operação Clã do Crime. A ação ostensiva resultou na interdição de quatro galpões industriais clandestinos utilizados para o desmonte de veículos utilitários e caminhonetes de luxo roubadas, além de prender em flagrante seis integrantes da organização criminosa envolvidos em receptação qualificada, associação criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos de forma simultânea na Zona Leste da capital paulista e em municípios da região do Grande ABC, onde o grupo mantinha uma rede de depósitos de fachada.
O Que Aconteceu
As investigações da Divecar que culminaram na Operação Clã do Crime duraram cerca de cinco meses, período no qual agentes de inteligência monitoraram o fluxo de veículos com queixa de furto ou roubo na Grande São Paulo. A polícia Civil constatou que a quadrilha tinha preferência por modelos específicos de caminhonetes de alto valor comercial, que eram subtraídas sob ameaça de arma de fogo ou furtadas por meio do uso de dispositivos eletrônicos decodificadores de alarmes.
Assim que os veículos eram roubados, os criminosos os levavam imediatamente para os galpões interditados. Nesses locais, equipes mecânicas especializadas realizavam o desmonte completo das estruturas em menos de duas horas. Os motores eram lixados ou tinham seus chassis remarcados, enquanto componentes eletrônicos, caixas de transmissão e eixos de tração eram catalogados para abastecer comércios populares de autopeças localizados na capital e plataformas de vendas na internet.
Durante as incursões nos galpões clandestinos, os investigadores do DEIC flagraram funcionários desmontando uma caminhonete de luxo roubada poucas horas antes no município de Santo André. Além do veículo em processo de desmonte, foram localizados 18 motores com numeração suprimida, dezenas de portas de modelos diversos de utilitários e ferramentas de corte industrial, incluindo maçaricos e lixadeiras.
Contexto e Histórico
O roubo e furto de veículos utilitários pesados em São Paulo registrou um aumento expressivo nos últimos anos, impulsionado pela alta demanda do mercado clandestino de reposição de peças de reposição importadas, cujos preços no mercado formal subiram substancialmente. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as caminhonetes a diesel representam uma parcela significativa dos crimes patrimoniais de veículos de grande porte no estado devido à facilidade de revenda de motores em regiões agrícolas e de fronteira.
A organização desarticulada pela Operação Clã do Crime funcionava de forma empresarial. Cada galpão tinha funções específicas no processo logístico: enquanto dois eram dedicados exclusivamente ao desmonte rápido e corte de lataria, os outros dois serviam como depósitos de peças acabadas e centros de distribuição.
Historicamente, o DEIC tem intensificado as vistorias em comércios de autopeças credenciados pelo Detran-SP sob a égide da Lei do Desmanche, o que forçou os criminosos a migrarem suas operações para galpões fechados em zonas periféricas e condomínios industriais discretos, dificultando o monitoramento aéreo e a fiscalização de rotina das autoridades de segurança.
Impacto Para a População
O desmantelamento de esquemas como o da Operação Clã do Crime traz impactos diretos para o bolso e a segurança do cidadão paulista. O roubo de veículos alimenta indiretamente o valor das apólices de seguro automobilístico em áreas consideradas vermelhas pelo índice de criminalidade, afetando diretamente o custo de vida dos motoristas.
A tabela a seguir apresenta os índices criminais comparativos de roubos de utilitários e desmanches interditados em São Paulo nos últimos anos, evidenciando o esforço contínuo do DEIC no combate a essa modalidade de crime:
| Período Anual | Roubos de Utilitários Registrados | Galpões Interditados pelo DEIC | Motores Apreendidos com Fraude | Prisões Efetuadas na Categoria |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | 14.200 ocorrências | 32 galpões | 450 unidades | 180 suspeitos |
| 2024 | 15.800 ocorrências | 41 galpões | 620 unidades | 210 suspeitos |
| 2025 | 13.500 ocorrências | 38 galpões | 590 unidades | 195 suspeitos |
| 2026 (Est.) | 12.100 ocorrências | 45 galpões | 780 unidades | 240 suspeitos |
Com a interdição desse megadesmanche, espera-se uma redução temporária nos índices de roubos específicos de caminhonetes de luxo nas regiões leste da capital e no ABC, visto que a cadeia de receptação local perdeu seu principal receptor de carga de alta volumetria.
O Que Dizem os Envolvidos
O delegado divisionário responsável pela Divecar destacou em coletiva de imprensa o nível de especialização técnica do grupo criminoso. "Não eram criminosos comuns. Eles contavam com aparelhos bloqueadores de sinal de rastreadores veiculares (jammers) avaliados em milhares de reais e possuíam amplo conhecimento mecânico para desmontar sistemas complexos de transmissão em tempo recorde sem danificar as peças vendidas", explicou a autoridade policial.
A defesa dos suspeitos detidos em flagrante alegou em nota preliminar que os trabalhadores encontrados nos galpões eram apenas prestadores de serviços mecânicos contratados por terceiros e que não possuíam conhecimento prévio sobre a origem ilícita das caminhonetes ou a fraude de remarcação dos motores.
Já a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo emitiu nota reforçando que as vistorias e operações integradas da Polícia Civil continuarão ocorrendo de forma intensificada em comércios de peças usadas de modo a secar os canais financeiros receptores que dão sustentabilidade econômica às ações de roubo e furto nas ruas do estado.
Próximos Passos
Os investigadores do DEIC agora focam no rastreamento do fluxo financeiro da quadrilha para identificar os grandes lojistas e distribuidores que compravam as autopeças sabendo de sua origem ilegal. A suspeita é de que o dinheiro gerado pelo desmanche estivesse sendo lavado por meio de comércios de carros usados legítimos pertencentes a laranjas.
A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça a conversão das prisões em flagrante dos seis detidos em prisões preventivas, apontando o risco de fuga e a periculosidade do grupo, dada a logística armada empregada nos roubos.
As peças apreendidas nos depósitos que mantêm a numeração original de chassi preservada passarão por perícia oficial do Instituto de Criminalística (IC) e, posteriormente, serão devolvidas às seguradoras ou aos legítimos proprietários que registraram as ocorrências.
Fechamento
A Operação Clã do Crime demonstra a eficácia do trabalho investigativo contínuo das delegacias especializadas do DEIC no combate à criminalidade organizada paulista. A desarticulação de grandes centros de receptação ataca a raiz econômica dos crimes de trânsito violento e roubo de carga nas rodovias e avenidas do estado. O portal Foco do Estado continuará acompanhando os desdobramentos desta operação e os futuros julgamentos do caso no Tribunal de Justiça de São Paulo. Para acompanhar atualizações em tempo real sobre ocorrências de segurança pública na capital, consulte os canais oficiais da Polícia Civil de SP.
Fontes e Referências
- Portal G1 São Paulo: Cobertura jornalística da operação do DEIC contra quadrilha de desmanche (08/07/2026).
- Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) - Relatório Estatístico Trimestral de Roubo de Veículos (2026).
- Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) - Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptação de Veículos e Cargas (Divecar).
- Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE-SP) - Balanço Operacional da Polícia Civil (Julho/2026).
Fonte: Deic / Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP-SP)
❓ Perguntas Frequentes
A operação foi desencadeada após uma investigação de cinco meses realizada pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptação de Veículos e Cargas (Divecar) do DEIC. Os policiais identificaram um padrão sistemático no roubo de caminhonetes e utilitários de luxo na Zona Leste e em cidades do ABC paulista, onde os veículos eram rapidamente transportados para galpões de fachada para desmonte e comercialização ilícita das peças.
O grupo utilizava galpões industriais de grande porte simulando oficinas de funilaria legítimas. Assim que o utilitário roubado entrava no pátio, uma equipe mecânica especializada efetuava o desmonte completo em menos de duas horas. Os motores tinham suas numerações lixadas ou remarcadas com caracteres clonados de veículos com perda total, enquanto os chassis eram cortados e vendidos como sucata para dificultar o rastreio pericial.
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu dezenas de blocos de motores adulterados, transmissões de alto custo, portas, eixos de utilitários prontos para venda, além de ferramentas industriais de corte e lixamento. O balanço financeiro estimado das atividades criminosas da quadrilha superava a marca de R$ 15 milhões em faturamento ilegal por ano, abastecendo comércios populares de autopeças e canais de venda online.
Marcos Vinícius Borges
Repórter
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